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Mostrando postagens com o rótulo "semi-autobiographical" or "fictional memoir" work

arrastado pelos acontecimentos da semana

 vesti minha camisa de seda verde floresta e saí do quarto. levava comigo o necessário para ir embora sem precisar voltar, se fosse o caso, até mesmo deixaria aquela roupa para lá. andei pela lapa, do bairro de fátima ao catete, o sol esquentava e a seda, apesar de leve, me fazia suar. passei no salão e marquei um horário.   retornei a rua, caminhava sem rumo. pensei em comprar um livro. desisti. tinha comigo uma caneta, decidi então por comprar um cartão com a palavra SORTE em garrafais. sentei para um café, escrevi:   nunca foi SORTE sempre foi  chorei desnecessariamente. jamais enviei ou entreguei aquele cartão. reescrevi algumas vezes. colei as duas páginas e reescrevi no verso. não o enviei, mesmo assim. voltei ao salão, os olhos vermelhos de choro. disfarcei, como sempre, disfarcei muito bem e segui com as miudezas e pequenezas da vida. retornei o caminho, cabelo cortado, o calor opressivo do rio de janeiro me fazia suar cada vez mais. subi a nossa senhora de f...

pluvious metropolis

deitado de bruços, sinto minha saúde cada vez mais tornando-se frágil, a ponto de rasgar a pele que recobre meu tórax, fazendo aparecer as costelas, os músculos e, ali dentro, meus pulmões, meu coração. a chuva cai sobre toda a casa, batendo incessante nas telhas de amianto, escorrendo pelas escadas, alagando o portão. respiro normalmente, mas também acredito que faço uma força exagerada para manter-me assim. nas minhas fantasias, um homem me propõe e me salva desse martírio que é ter de ficar deitado de bruços ouvindo a chuva lá fora cair, um tédio que me assola sem possibilidade de escape, tal qual uma cidade sitiada por um exército monstruoso e sanguinário nada tem a fazer a não ser esperar por alguma intervenção divina poderosa a seu favor.  eu, contudo, também sei que essa fantasia não é nenhuma profecia, nenhum oráculo proferiu palavras nesse sentido; busco na minha memória, então, formas de sacralizar os desencontros da vida. de olhos fechados, um leve gingado desconcertado,...

motoqueiros entregadores (uma ilha imaginária dentro de outra no atlântico)

"camarão cinza de cabo frio que chegou" diz a gravação da kombi que anda pelas ruas do bairro. estou novamente paralisado, adormeci no meio de uma aula a distância. faz frio no rio de janeiro. deitado na cama, vestido mas sem cueca por baixo do short. pego no meu pau e penso a ditadura do pau ereto. lembro daquele dia e imediatamente broxo. penso em como fui um babaca com o lucas l. no outro dia, acho que ele nem vai querer mais sair comigo. acho que o sexo também não é compatível. eu queria poder comer alguém com vontade, e também ser comido com vontade. ao mesmo tempo, no mesmo dia. [lucas l. cantou v. cesar naquela v de viadão em meados de 2015, ou me cantou? estava bêbado e não tenho discernimento; alguns meses depois, numa haus of viadão na banca do andré, enquanto eu tentava flertar com alguém no limite da androginia, lucas l. - já a caminho do after com seus amigos - voltou, sentou ao meu lado no banco, me deu um beijo, riu, levantou e saiu correndo como uma menina col...

pizza expressa na ponte de Londres

maio começa com a promessa de mais um mês de reclusão. me estico na cama, o sol bate em meu tórax, minhas coxas, meu pau. estamos pegando sol, eu e a gata. coloco os pés no batente da janela. acredito que os vizinhos nao conseguem me ver assim pelado. os dias tem sido um passar de horas sem fim. às vezes o ar me escapa, me desespero. sinto fome quase que o tempo todo. entorno copos e copos de água, aos litros, seguido de idas e mais idas ao banheiro, penso que comprar descargas e torneiras com sensores de movimento são bons investimentos e que talvez deva me dedicar a automatizar a casa como um todo.  tusso um pouco, sinto frio, a água do banho cai gelada demais. penso que já é quase hora do almoço, e nesse período de quarentena, eu basicamente permaneço acordando cedo e comendo todas as refeições mais ou menos no mesmo horário. faço todas as refeições, as vezes até mesmo alguma extra. outro dia almocei duas vezes, uma as 13h e outra as 16h, e logo depois emendei um lanche...

elevado do gasômetro

passo pelo elevado do gasômetro e vejo o navio pedra do sal - ancorado naquela parte abandonada do porto do rio de janeiro há tanto tempo que me pergunto se algum dia esse navio chegou a desbravar os mares deste planeta. faço esse trajeto há pelo menos dez anos. os últimos doze meses foram que nem fósforo ardendo em ventania: mal vimos, a chama já se apagou. tudo muito breve. cheguei à conclusão de que sou um poema ruim, poesia porca e baixa, mal rimada, ofensiva e agressiva. quis dormir abraçado mas não tinha ninguém. ninguém humano, sub-humano, sobre-humano. uma gata aninhada em minhas pernas, outra em meus pés.  no domingo dividi minha cama, foi uma conchinha boa que me lembrou outra longeva no tempo, mas não era a mesma coisa. mas como sou um poema ruim, me contive e tentei não pensar em nada que me remetesse àquilo de antes. o velho que nada de novo traz, nada de novo trouxe. do abuso, fiz carinho. do esquecimento, fiz espera. do que tinha em mim, deixei e...

registros de um relacionamento conturbado (sobre relacionar-se com meninos brancos mimados)

eu queria escrever a história desde o início, porque minha memória vem falhando cada vez mais. me pego pensando e perdendo os detalhes. eu era tão apaixonado, como que encantado, sob um encantamento complexo e forte demais ao qual não resisti e não pude resistir. às vezes me pego ainda sob esse efeito. recomeçando: queria escrever a história desde o início, mas não só o que foi o meu ponto de vista: a relativização demais dos fatos tornaria a isso tudo uma incongruência sem tamanho. eu não falaria, então, do meu ponto de vista, nem de como me senti, mas sim de como me comportei, do que vi, do que li, do que ouvi. de modo geral, toda vez que nos encontramos, me vejo ouvindo a história ser reescrita. refalada, como se o que tivesse acontecido não tive acontecido, em lugar disso aconteceu o que você me fala 2 anos depois. quando em julho eu perguntei "você quer namorar comigo", essa pergunta ocorreu um mês após eu ser insistentemente perguntado quando eu te pediria em namo...

choro; me; desespero

você se levanta e anuncia que vai embora; eu me desespero porque ali não tive intenção nenhuma de falar algo ruim, de ser mau, simplesmente repeti palavras sem elaboração alguma. não importa a intenção, ali. o que houve foi que apesar da intenção, feri o outro , machuquei. me desespero. você se levanta e anuncia que vai embora. uma imagem de Ganesha olha por nós. eu me desespero e vou atrás. você fala que não quer mais me ver, ou me ouvir, anuncia que vai embora mas não vai. me espera. descemos as escadas, eu insisto em que mal fiz, não queria. esse olhar de ódio eu me lembro do natal e do ano novo. ah, no ano novo, na areia da praia, esse olhar em lembro bem. seguimos pela carioca, você profere as piores palavras e eu grito de volta. as pessoas talvez assustadas com o nível da discussão, seus berros, meus berros. me desespero, choro. cego pelas lágrimas corro de volta tentando ver que caminho você fez. dou a volta no largo, circundo o prédio da caixa econômica. choro. sent...

floating in outer space

dizem que quando os gatos te olham, com aquele olhar profundo de gato, e piscam, lentamente piscam, querem comunicar o amor profundo que sentem pela pessoa objeto de seus tão intensos olhares. no sofá, tentei emular o olhar que recebo de minhas duas gatas. um olhar profundo e profundamente cheio de amor, devoto até as pálpebras fecharem. eu sorrio. envergonhado. seguro lágrimas que querem sair, mas o sorriso não pude deixar escapar. naquele momento me teletransporto para marte, talvez nos teletransporto para marte, aquela terra fria e empoeirada, vazia de gente e emoções. um marte em gêmeos, arguto, mas onde não haveria mais briga. fecho os olhos, viro o rosto para a tv, de forma a esconder o sorriso que se formou. o tempo que se cria nessa viagem pelo espaço sideral talvez seja o tempo que devemos permanecer distantes, um paralelo entre espaço e tempo sacramentando o espaço-tempo em que o próximo evento ocorrerá, em marte (em gêmeos na casa 2) ou vênus (em aquário na casa...

serviço expresso de entrega

a imensidão cinza circunda a ponte rio-niteroi; a minha vista não alcança mais o mar, eu não vejo as ondas trêmulas em direção à costa. uma tristeza me acompanha nessa travessia. o que me aguarda la? eu nao sei. vejo um navio petroleiro. não consigo perceber se está ancorado ou em movimento. o trânsito é intenso, também, e eu fico de certa forma agradecido por ter esses minutos para me dedicar a imensidão cinza do dia de hoje. chego a um bar e peço ao garçom uma caipirinha, apesar do meu estômago vazio. a tristeza me tira o apetite; um barulho e a dor no abdômen talvez desmintam essa minha frase, mas eu permaneço fiel ate o final (ao sei la o que pode ser) (tudo). (bebo 3 caipirinhas) (o mundo gira) (choro) às 20h eu decido me levantar e deixar na portaria duas sacolas. niteroi já me viu fazer isso antes, não será a primeira nem a ultima vez. ou será a última? a sacola rasga, sob pesada chuva. me abaixo diversas vezes para deixar os pares de meias completos e s...

pixelado amor

faz frio: no rio de janeiro, 20ºC significa muito frio. agora deve estar 17ºC e eu me deito cedo. deito e me cubro, após fechar as cortinas, apagar as luzes. me cubro com lençol, faz frio. fecho os olhos, eu poderia chorar. vi um pornô qualquer, dois três; tropical latinoamérica, ouço aquele álbum que tu colocaste noutro dia que transamos no teu quarto. uma transa romântica? sim, uma guinada definitiva naquele dia do que poderíamos ter sido somente.  transamos romanticamente com teus pais no quarto ao lado, a noite la fora silenciosa naquele pedaço entre icaraí e santa rosa. fazia frio como num outono temperado. agora faz frio como num outono temperado. me cubro e me esparramo na cama de casal, sozinho.  eu queria ligar, queria ouvir e falar. queria, tambem, chorar do nada, mas nao consigo; deito as 18h na esperança de que o tempo passe e eu permaneça aqui sem fome, sem vontade, sem nada. essa vontade de chorar aleatória que aflige 3% da populaçao carioca me agarr...

try not to fear but forget

hoje pós almoço me abate uma ansiedade que não sei de onde vem: se das respostas mal dadas, a conversa que não evolui, ou do preço salgado que a refeição me custou. imediatamente começo a passar mal. o almoço quase me sai pela boca. volta até o céu da boca, eu quase vomito.  sete dias atrás minha mochila acaba vomitada por um nenê no ônibus enquanto eu distraído ouço música. sábado de manhã eu chego em casa e as 8:14 eu peço desesperado que me liguem. eu não devia nunca fazer isso, desesperado ainda por cima. a cortina fechada, a cama e o travesseiro me embriagam. eu queria que alguém entrasse no quarto de repente e me comesse naquela hora mesmo, no estado que eu estava. às 8:15 adormeço. às 11:26 eu acordo, totalmente embrigado pela pouca luz que a cortina causa, o lençol, o travesseiro. transpiro no pescoço. a cabeça dói. levanto e vou ao banheiro. esse ritual de se ajoelhar para o vaso é quase inexistente, mas eu me dedico mesmo assim. bebo água. enfio o dedo na g...

da paz que me conforta e dos sapatinhos que nada me dizem

esse sapatinho não me diz nada; um dois três sapatinhos os sapatinhos não me dizem nada! como no sonho, naquela mesa de bar, nós 3, eu você +1 e eu te beijava, e você sorria, como que gostasse daquilo tudo, eu lhe perguntava "o que foi, pode falar" e ao seu silêncio eu respondia com beijos, beijos que não me arrependi não me arrependo ou como o outro sonho, naquela casa de praia, sua avó num quarto, sozinha, eu chegava e lhe falava "pensei que esta casa estava vazia" e a velha nada me dizia com aquela boca murcha. você não estava. sua mãe abre a porta, chega da rua e diz-me sorrindo "caio, que saudades!, eu te amo muito". eu sinto o abraço dela me envolver e agora, acordado, penso no que você a presentearia de dia das mães, se a menos lembrou disso ou seu pai, que nos apressa para entrar no carro, e você não está. você ainda não fala com seu pai, é isso? e eu entro no carro, vamos em busca de algo, você não está. buscamos você? mas você está...

i thought the metropolis was full of neon lights pt. 11 (final)

a porta aberta deixa entrar luz suficiente para vislumbrar os corpos nus sobre o colchão. eu falo "não penso que estou disponível emocionalmente para isso agora". eu repito "acho que estou semi indisponível para qualquer coisa como essa que você me fala".  dos seus lábios saíram as palavras "eu gosto de você", com um ar doído, sofrido, como que se as palavras relutassem em serem sopradas garganta afora e ganhar o mundo . ganhar materialidade. elas pesaram no ar que preenchia o espaço entre nós, e desabaram logo sobre o colchão. desabaram sobre o gozo que ali secava. desabaram sobre você, meio de costas pra mim. falando de costas pra mim. eu lhe olho, como foi que você disse antes? eu não lembro. as pessoas parecem ter o poder de me prender; talvez minha resposta seja esse olhar, penetrante, atencioso. esse olhar trágico sanpaku que me acompanha desde a primeira tragédia a que me acostumei, antes de todas as outras que viriam eu não já não ...

Q&A: por que, caio?

por que, caio? por que? posso inventar +1 motivo pra disfarçar; baby, baby, baby: vamos ser sinceros  a cena repete noutro canto da metrópole, mas ainda às 9h da manhã eu estou sentado no colo de alguém. olho para o alto e tapo os olhos, arrasto a mão pelos cabelos, como que pensando, mas naquela hora só penso em como estou novamente viciado em enroscar os pés & ficar abraçado, sentido o suor, a camisa suada, o cheiro de suor leve. o corpo quente, as meias sujas que sobrepostas mostram um contraste do que a cena realmente é. eu, ali, por cima, sem camisa; você, por baixo, com camisa. eu, cheio de pudor, você, despudorado. eu poderia seguir: caça-caçador, contido-voraz, despretensioso-_________; o que, mesmo? essa última, é o que mesmo? ali, além do suor escorrendo pela febre que passava ou pelo calor do momento, eu via o suor escorrer pela tentativa de compreender o que era aquilo, e agora nem eu mesmo sei o que foi aquilo, o que é aquilo, o que será. ri, ri des...

das desculpas esfarrapadas e de como farejo o futuro que nos aguarda

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[ ouço o piano elétrico tocar no meio da balbúrdia de instrumentos] eu devia ter escrito isso há um ano atrás, ou quase um ano atrás. há um ano atrás, exatamente, eu estava de férias na bahia, tal qual minha vó Olga em algum ano da década de 50 ou 60. diferente da minha vó Olga, eu não levei nenhum caderninho para fazer de diário de viagem... mas fato é que eu devia ter escrito há quase um ano atrás, devia ter-lhe dito já desde o início, relatar esse início errado e torto que eu produzi; que eu causei, impus, tracei como meta, como destino e que logo quis reordenar e mudar, por capricho meu, capricho do kleber - kleber, aquele safado & cretino galanteador barato que me faz cometer algumas loucurinhas e levar essa vida em frente. pois que eu na mesma hora recobrei os sentidos e naquela caminhada no corredor aberto, frio, de paralelepípedos e muros recobertos por plantas, tentei: cê tá chateado? desculpa. o que mais me doeu, que mais me roeu foi a porrada na boca do e...

Elegia [Icaraí]

onde é isso? na coréia? to segurando, tá pesado.  [sobre segurar um submarino] há um ano eu andava na chuva, rua otávio carneiro esquina com rua dr. tavares de macedo. talvez eu tenha chorado, e se chorava, as lágrimas se misturavam com a chuva que caía sobre mim. mas chorava por que?  também, há um ano, eu corria na chuva, rua otávio carneio esquina com rua dr. tavares de macedo. nesse dia, eu sorri, de fato, sorri, contente que estava. contente por que?  mas o que me levava ali, naquela particular esquina? quantas vezes olhei para o alto, como se fosse achar um rosto numa das janelas, atrás de alguma cortina, resquício do dia em que ele me assistiu dormir, sem sonhos sem nada para achar... where did they all ran to? where the sky is blue forever... [o que eu ouvia ao andar na chuva entre as ruas de icaraí] e ali, naquele quarteirão, eu tentei,  de todas as formas,  enfiar minha tristeza maior que qualquer outra coisa  em outra...

qual o nome daquilo que se sente quando não se verá alguém nunca mais?

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(eu guardei esse texto como rascunho desde o dia em que, ao visitar tia Nore, ouvi esse relato do primeiro parágrafo, e algumas outras lembranças de sua vida. estive com ela pela última vez no dia 29/07/16 pela última vez, me sorriu, conversamos, rimos. vou sentir sua falta) "LEONOR, LEONOR, LEONOR!", deitada na cama, leonor ouvia chamarem seu nome. um sonho, seu irmão sérgio chamava, e ela, andava, andava, distante, caminhava cada vez mais além. os 91 anos de idade levaram leonor mais longe que outras pessoas. mais tarde, lembrou do detalhe que fora o irmão sérgio quem a chamara de nore quando criança, por achar leonor difícil de falar.  "qual o nome da sua mãe?" perguntaram à olga, que respondeu "dona neném"; vovó não sabia o nome da mãe, benedicta. tia nore disse que ela, a mãe, preferia ser chamada de iolanda, que detestava benedicta. mas vovó explicou na escola que chamavam de dona neném. a professora vai em casa e fala com o pai: "o...

the metropolis is actually a village

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bird watches as metropolis fades i could smell the sea breeze over your cigarette smoking. now two days after the encounter, i feel exquisite, as if i'm missing something. i am confused again, why is it? oh, why.  i didn't avoid your gaze, or i tried my best not to do so. i must be sincere to the point and say that i wasn't attracted to you that day, nor may be again, but still the strangeness persists. why is it? oh, why. i recall that other day, you set your eyes on me and i was only melting like ice cream; but this time, no, i have to say that: no! i could see you were trying, but i didn't melt. i was more of a pretty frozen ice cream right out from the fridge. now the metropolis reaches its farthest and suddenly contracts, shrinks before my bare hands: the metropolis will not turn bigger, it will not become the equatorial megalopolis.  the metropolis is illusion, only a village.

i thought the metropolis was full of neon lights pt. 10

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boys, boys, boys i lie in the couch, the tv is on. that entertains me, actually. but i'm anxious. i can't get over that. something pops up and suddenly i am overwhelmed by that feeling (it's not a good friend, though i've known it for some years now). you pop up in the screen and my heart jumps. my heart knows how to behave in these situations. i need to recap what i am, again and again. would you be my fucking boyfriend ? i would never be someone's boyfriend. i am forever trapped between "i'm sorry, i don't want a relatioship" (as if i had ever proposed something) and the "oh, leave me alone, i wanted you to be my boyfriend" (as if i hadn't said that i'm not into formal relationships). how to get away with this? i have this urge to run and call you, immediately refuted. control your mind, discipline it. how can this be? i can't stand this.

eu pensava que a metrópole tinha luzes néon pt. 9

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view from the hospital window da janela, enxergo o mar de prédios que se tornou icaraí. não enxergo o mar. enxergo uma catedral, algo grandioso. Tem uma cúpula, ou duas, e eu imagino a abóbada - como será por dentro? Toda cúpula tem sua abóbada? uma cúpula e uma torre, na verdade. os sinos que ouço vem do outro lado. sento no sofá e tenho o cuidado de não entornar a bebida. o que é? vinho, vodka? eu preferia cerveja. não me recordo se você bebia cerveja, acho que sim. agora me vem a memória aquele dia, você aos meus pés com uma lata de cerveja. você bebe cerveja. (mas não gosta tanto). eu olho para você. estamos sentados, no sofá da casa de minha vó, eu e você. ou você me olha profundamente ou sorri sem graça. ou com graça? isso é algo que nunca saberei. i wish i had elizabeth taylor 's eyes levanto de novo, isso é tudo uma baboseira. a pizza está fria. por que comprei pizza? eu nem como isso. o telefone está ali, iluminado. visualizo-o. visualizei. visuali...