elevado do gasômetro

passo pelo elevado do gasômetro e vejo o navio pedra do sal - ancorado naquela parte abandonada do porto do rio de janeiro há tanto tempo que me pergunto se algum dia esse navio chegou a desbravar os mares deste planeta.

faço esse trajeto há pelo menos dez anos. os últimos doze meses foram que nem fósforo ardendo em ventania: mal vimos, a chama já se apagou. tudo muito breve.

cheguei à conclusão de que sou um poema ruim, poesia porca e baixa, mal rimada, ofensiva e agressiva.

quis dormir abraçado mas não tinha ninguém. ninguém humano, sub-humano, sobre-humano. uma gata aninhada em minhas pernas, outra em meus pés. 

no domingo dividi minha cama, foi uma conchinha boa que me lembrou outra longeva no tempo, mas não era a mesma coisa. mas como sou um poema ruim, me contive e tentei não pensar em nada que me remetesse àquilo de antes. o velho que nada de novo traz, nada de novo trouxe.
do abuso, fiz carinho. do esquecimento, fiz espera. do que tinha em mim, deixei esvair como o gás que escapa de uma boca do fogão não acesa. da ausência, fui atrás. das mentiras, ignorei. das traições, perdoei. dos berros, me silenciei.

do predador, tentei me evadir, mas restei como presa indefesa
a partir daí, trato na análise
o resto - é história para não se lembrar.

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