espero não te desejar no porvir
eu ando pelo aeroporto atrás do guichê em que despacharei minhas malas. viajarei para longe, quero me ausentar desse lugar em que a floresta arde em chamas, desse lugar em que a barbárie desce de helicópteros aos berros de "é tetra" girando em cambalhota como Galvão Bueno e Pelé na copa de 94. preciso me ausentar desse lugar, é mais que necessário, tornou-se meu dever para comigo. reúno minhas forças andando pelas calçadas do aeroporto do Galeão, um inseto zumbe e tenta pousar em meu pescoço. acerto-o de golpe com a palma da mão esquerda, talvez fosse o último de sua espécie mas provavelmente não era. tento fugir mas sua mão me alcança. eu repito mentalmente que preciso fugir daqui, é mais que necessário, é urgente. mas urge também essa outra questão: vamos até o banheiro, você me come ali dentro da cabine. agora estou de volta a minha cama, aconchegado dentre os lençóis e cobertas. enroscados os pés como sempre fizemos, você me ordena, eu obedeço: me chupa. ...