qual o nome daquilo que se sente quando não se verá alguém nunca mais?
(eu guardei esse texto como rascunho desde o dia em que, ao visitar tia Nore, ouvi esse relato do primeiro parágrafo, e algumas outras lembranças de sua vida. estive com ela pela última vez no dia 29/07/16 pela última vez, me sorriu, conversamos, rimos. vou sentir sua falta)
"LEONOR, LEONOR, LEONOR!", deitada na cama, leonor ouvia chamarem seu nome. um sonho, seu irmão sérgio chamava, e ela, andava, andava, distante, caminhava cada vez mais além. os 91 anos de idade levaram leonor mais longe que outras pessoas. mais tarde, lembrou do detalhe que fora o irmão sérgio quem a chamara de nore quando criança, por achar leonor difícil de falar.
"qual o nome da sua mãe?" perguntaram à olga, que respondeu "dona neném"; vovó não sabia o nome da mãe, benedicta. tia nore disse que ela, a mãe, preferia ser chamada de iolanda, que detestava benedicta. mas vovó explicou na escola que chamavam de dona neném.
a professora vai em casa e fala com o pai: "onde está a leonor que não tem ido à escola?". o pai pensa e fala "mas ela todo dia vai pra escola". a professora, então, continua "o senhor tem que saber onde a sua filha vai, pois ela não responde a chamada!". vem leonor e perguntam "onde você está que não na escola?"; ela diz "na escola"; "por que não responde a chamada?", "porque não chamam o meu nome". a professora retruca "e qual seu nome, então?" "nore", ela responde.
a casa de laranjeiras tem um cheiro específico. tem lembranças específicas. andar por laranjeiras me faz rapidamente dirigir-me para a casa das tias. e agora, como fazer? assim como outro dia chorei ao andar por icaraí...
beber mineirinho me leva automaticamente para lá, na infância era o único lugar em que eu beberia mineirinho. que recordação! descer com minha vó olga do ônibus e andar a avenida passos até chegar a igreja onde ocorreria o bingo. ou o papai noel na vila, na porta da casa das tias.
e então, no apagar das luzes...
eu já vinha esperando que alguma ligação / mensagem teria esse teor. segue o que aconteceu:
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| aniversário da tia nore, novembro de 2015. |
beber mineirinho me leva automaticamente para lá, na infância era o único lugar em que eu beberia mineirinho. que recordação! descer com minha vó olga do ônibus e andar a avenida passos até chegar a igreja onde ocorreria o bingo. ou o papai noel na vila, na porta da casa das tias.
e então, no apagar das luzes...
eu já vinha esperando que alguma ligação / mensagem teria esse teor. segue o que aconteceu:
"LEONOR, LEONOR, LEONOR!", Leonor ouviu chamarem seu nome. um sonho, sua irmã Maria a chamava, e ela, andou em sua direção. caminhou bastante, apesar de nos últimos tempos mal ter se movimentado. distante, caminhava cada vez mais além. além de seus 91 anos de idade, que quase a igualaram a sua irmã Chiquinha. olhou além de Maria e lá viu que, sim, Chiquinha também lhe acenava. "ora, o que a chiquinha está fazendo ali me acenando", pensou. andou mais e quase chegava ao ponto em que Maria se encontrava, quando lembrou que a essa altura, estaria com a mesma idade que Filoca tinha quando da última vez que se viram. quão surpresa ficou, mas Filoca também estava ali, com aquele sorriso que lhe era natural. pequena, ali estava ao lado de outra, mais alta. "aquela só pode ser a...", Olga, sua visão completou seu pensamento. chegava ao ponto em que não tinha mais conter sua emoção. Leonor se reencontrava com aquelas com quem partilhou a maior parte de sua vida. "vocês me largaram sozinha", ralhou, já rindo. "ah, larga de ser ranzinza!! até mesmo agora quando nos revê?" Olga lhe falou.
já sem cansaço, sem dor, Leonor se juntou ao seu grupo, e reentrou na casa de sua infância.fica a saudade.

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