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Mostrando postagens com o rótulo rainy days and mondays

despindo a fantasia de tecnoburocrata

faz tempo que não venho aqui nesse lugar; lembrei de l. me sugerindo que escrevesse, mas isso já faz tanto tempo, talvez dois anos. fiquei esse tempo todo sem vir aqui. mais de dois anos. inimaginável algum tempo atrás, mas o que a internet se tornou? esse espaço que trazia para perto tanta coisa, e agora é simplesmente uma prisão de atenção.    queria estar offline, mas cá estou tentando trazer alguma ordem à mente. também buscando retomar uma prática e não viram completamente um tecnoburocrata , precisamos mesmo exercitar a mente para os assuntos além do trabalho e da internet-prisão .    (algo me diz que isto não será lido, o que me traz certo conforto)   as últimas vezes que estive aqui acredito eu que estava apaixonado. talvez ainda esteja, mas acredito que não mais, em vista da apatia que me envolve. pensando em "antes do amanhecer" e me deu quase uma saudade de me apaixonar. seria uma diversão nova em contraponto às últimas interações romântico-sexuais em...

pluvious metropolis

deitado de bruços, sinto minha saúde cada vez mais tornando-se frágil, a ponto de rasgar a pele que recobre meu tórax, fazendo aparecer as costelas, os músculos e, ali dentro, meus pulmões, meu coração. a chuva cai sobre toda a casa, batendo incessante nas telhas de amianto, escorrendo pelas escadas, alagando o portão. respiro normalmente, mas também acredito que faço uma força exagerada para manter-me assim. nas minhas fantasias, um homem me propõe e me salva desse martírio que é ter de ficar deitado de bruços ouvindo a chuva lá fora cair, um tédio que me assola sem possibilidade de escape, tal qual uma cidade sitiada por um exército monstruoso e sanguinário nada tem a fazer a não ser esperar por alguma intervenção divina poderosa a seu favor.  eu, contudo, também sei que essa fantasia não é nenhuma profecia, nenhum oráculo proferiu palavras nesse sentido; busco na minha memória, então, formas de sacralizar os desencontros da vida. de olhos fechados, um leve gingado desconcertado,...

registros de um relacionamento conturbado (sobre relacionar-se com meninos brancos mimados)

eu queria escrever a história desde o início, porque minha memória vem falhando cada vez mais. me pego pensando e perdendo os detalhes. eu era tão apaixonado, como que encantado, sob um encantamento complexo e forte demais ao qual não resisti e não pude resistir. às vezes me pego ainda sob esse efeito. recomeçando: queria escrever a história desde o início, mas não só o que foi o meu ponto de vista: a relativização demais dos fatos tornaria a isso tudo uma incongruência sem tamanho. eu não falaria, então, do meu ponto de vista, nem de como me senti, mas sim de como me comportei, do que vi, do que li, do que ouvi. de modo geral, toda vez que nos encontramos, me vejo ouvindo a história ser reescrita. refalada, como se o que tivesse acontecido não tive acontecido, em lugar disso aconteceu o que você me fala 2 anos depois. quando em julho eu perguntei "você quer namorar comigo", essa pergunta ocorreu um mês após eu ser insistentemente perguntado quando eu te pediria em namo...

serviço expresso de entrega

a imensidão cinza circunda a ponte rio-niteroi; a minha vista não alcança mais o mar, eu não vejo as ondas trêmulas em direção à costa. uma tristeza me acompanha nessa travessia. o que me aguarda la? eu nao sei. vejo um navio petroleiro. não consigo perceber se está ancorado ou em movimento. o trânsito é intenso, também, e eu fico de certa forma agradecido por ter esses minutos para me dedicar a imensidão cinza do dia de hoje. chego a um bar e peço ao garçom uma caipirinha, apesar do meu estômago vazio. a tristeza me tira o apetite; um barulho e a dor no abdômen talvez desmintam essa minha frase, mas eu permaneço fiel ate o final (ao sei la o que pode ser) (tudo). (bebo 3 caipirinhas) (o mundo gira) (choro) às 20h eu decido me levantar e deixar na portaria duas sacolas. niteroi já me viu fazer isso antes, não será a primeira nem a ultima vez. ou será a última? a sacola rasga, sob pesada chuva. me abaixo diversas vezes para deixar os pares de meias completos e s...

o Bangladesh é aqui [no Rio de Janeiro]

choveu o total de 48h seguidas no Rio de Janeiro nessa semana de novembro; choveu o dia de ontem inteiro. anteontem, um temporal se armou, temporada de monções. o Bangladesh é aqui. o vento úmido que arrasa Bengala passou aqui: precarização da vida cotidiana em todos os níveis, todos os sentidos. o Bangladesh, repito, é aqui. até mesmo as disputas políticas entre clãs familiares parecem se repetir. o Bangladesh já foi Paquistão. o Paquistão, este também, é aqui [e também a Índia]. hoje faz céu azul, azulíssimo, daqueles que doem [a vista]. os passarinhos cantam passada a tempestade. será assim no Bangladesh? os passarinhos e as pessoas também riem diante da catástrofe passada, da catástrofe presente e, também, ainda, da futura? provavelmente [sim][não]. o vento permanece gélido. sinto frio dentro de casa. penso no meu piano. sento ao computador como se aguardasse a resolução de meus problemas, como se aguardasse a solução dos problemas do Rio de Janeiro, do Brasil, do mundo.

Elegia [Icaraí]

onde é isso? na coréia? to segurando, tá pesado.  [sobre segurar um submarino] há um ano eu andava na chuva, rua otávio carneiro esquina com rua dr. tavares de macedo. talvez eu tenha chorado, e se chorava, as lágrimas se misturavam com a chuva que caía sobre mim. mas chorava por que?  também, há um ano, eu corria na chuva, rua otávio carneio esquina com rua dr. tavares de macedo. nesse dia, eu sorri, de fato, sorri, contente que estava. contente por que?  mas o que me levava ali, naquela particular esquina? quantas vezes olhei para o alto, como se fosse achar um rosto numa das janelas, atrás de alguma cortina, resquício do dia em que ele me assistiu dormir, sem sonhos sem nada para achar... where did they all ran to? where the sky is blue forever... [o que eu ouvia ao andar na chuva entre as ruas de icaraí] e ali, naquele quarteirão, eu tentei,  de todas as formas,  enfiar minha tristeza maior que qualquer outra coisa  em outra...

home alone partying

right now i feel pretty ok, we have been away for some weeks and this addiction has faded away. am i right on this, of course not. but then, again, my mind - it plays me every once in a while - is making me think of other boys: past ones, new ones, the world is so tiny, i get angry everytime i see you flirting with some other boy i know... but whatever, it's 01:37pm and i'm making a party home alone while listening to some electropop and trying to write something decent on African feminism.

I thought the metropolis was full of neon lights pt. 5

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the sky changed its humour as did the pace of us. the atmosphere suddenly became gray,  I couldn't help being unable to hide my deception. I took some candy in the hope that would help me someway. self-portrait "i wish i was catwoman". niteroi, 2016. then, the rain was pouring down almost heavily - I tried my best to weep but no tear would come down. I can't cry, that is something worth to write in the "truth's notebook". "what are your aspirations in life?", this mean question, unanswerable question. I can't aspire to anything,  I mustn't. to me, it's all denied, all a big denial, a pay in advance but you won't have what you want. the metropolis has let me down, again, and I directed myself and my prayers to the gods, so they may hear me and maybe grant me what I need to overcome those obstacles that lay ahead. now, I must lie in my bed, the bed I made myself, on my own, while somewhere else luck is try...

querido tom 66

querido tom, já faz tempo desde a última vez; quantas vezes já comecei assim? cada pessoa é cada pessoa e cada tempo é um tempo, e cada coisa tem seu tempo, mas no fim das contas, é mesmo a história cíclica? ela se repete? às vezes eu tenho a impressão de reconhecer cada pessoa em outra, cada situação, cada palavra, cada ação... tenho medo, mas tento não me constranger. ao fim e ao cabo, acabo na merda. mas como dizem os árabes: se a palavra é de ouro, o silêncio é de prata! que venha mais uma semana... resigno-me aqui à insignificância dos nossos tempos...

quando Copacabana foi Nova Iorque

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faz um calor abafado, como sempre. eu me espremo numas escadas rolantes e já vejo o céu azul. alcanço a superfície, feliz de estar livre, quase claustrofóbico que sou, apesar do calor ainda sufocante que faz nessas bandas do atlântico sul. enquanto esperava, um palhaço fazia malabarismos no sinal da Tonelero com a Figueiredo Magalhães. confesso que quase dei minhas moedinhas, mas preferi gastá-las com um pacotinho de halls sabor cereja (a única coisa que me sobrou de um alguém passado - e que também passou por outras pessoas). aquele sorveteria me fez sentir como se estivesse em Nova Iorque, aquelas lâmpadas penduradas, aquelas poltronas e mesas divertidos tem ar de Nova Iorque, mesmo que eu nunca tenha ido a Nova Iorque. ou que eu nunca vá, e que eu perca tudo isso, esse mundo gigante e que eu perca, também, você. ou já perdi. mas só que, ali na mureta, eu evitei te olhar e já não ganhei nenhum daqueles olhares que pareciam curiosos, ou não sei o que, ou que me de...

esfregar azulejos: solução para ansiedade e solidão

i'm feeling lonely and my hair is a mess. a total mess. minha vida é uma merda, também. até pensei em arrumar a árvore de natal. bateu saudades do pinheiro de verdade que ficava num vaso, primeiro, e depois no quintal. lembro da camisa do flamengo que ganhei de natal e usava para lá e para cá. as bolas penduradas na árvore, de seda. as luzes. não lembro se tinha uma estrela brega no alto. bateu também uma vontade de lavar os vidros da cozinha. parei na metade porque os braços cansaram e não tinha escada para alcançar os vidros mais altos. esfregar azulejos é bom para ansiedade. e para deixar a casa limpa.

a vida na cidade ex-maravilhosa pós-moderna pós-colonial / da mudança

faltam cinco para as 23 do dia 26 de outubro de 2014, dia de eleição nessa terra de vera cruz. hoje, mais que nunca, eu me vejo no automático: o trajeto casa-trânsito-trabalho-trânsito-casa parece ser a coisa mais natural do mundo, a mim, principalmente. mas vez ou outra, como que numa alternância entre estar chapado e estar sóbrio, volto à superfície e me pego agoniado, me encontro num beco, vem o choro, o nó na garganta. eu me encontro num mundo, num mundo que é mundo e beco ao mesmo tempo. mundo porque é enorme, e eu mal conheço a cidade que vivo. beco, porque pequeno, estreito, mesquinho, a instantaneidade que aflige minha geração, ainda desacostumada. e eu que aprendi a crescer esperando, e ainda espero. esperei os 18 anos, os 20. antes de tudo, esperei os 11 anos, e minha carta de hogwarts não chegou. beco porque eu vejo a mesquinhez, e que me perdoem, eu posso ser mesquinho, também. porque vejo o mundo, atroz, veloz, matando, explorando, desejando, atraindo. o mundo...

femme de bandit

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ali, sob a chuva, senti falta das plantas altas que cobriam o chão e deixavam corpos se esconderem. ah, o anonimato da escuridão!, me peguei pensando. na chuva, mais cedo, enquanto andava pelas pessoas na lapa e ficava aflito, sozinho, exatamente como me sinto aos domingos, eu nao pensava que me sentiria assim de novo. (mas o "assim" nao chega nem perto do antes. nada é igual. o tempo passa e eu queria voltar a ler harry potter e a câmara secreta enquanto o tempo nublado ameaçava chover e eu forçava os olhos para ler as frases. lia rápido como que competindo com noite que se aproximava; nao queria levantar pra acender as luzes). e assim estava eu, lá, naquele cimentado horroroso que proporciona dias gloriosos e algumas conversas desconexas sem sentido. ou encontros aleatórios. e então, pan! um tapa na cara. para que só um tapa na cara quando se pode dar muitos? pois bem que eu estava lá, dando a cara a tapas. um. dois. três. quatro. parece bom? quem sabe um pouco mais...

querendo impossíveis

o silêncio me arrasa, acabei de ouvir essa frase. na casa, sou a única pessoa acordada, creio, mas nao sinto como se estivesse vazia, apesar de parecer a mesma coisa: nunca disse, mas tenho medo quando fico sozinho em casa. me sinto mais vulnerável. mais exposto, apesar de não me importar de ficar sozinho. lembro daquele carnaval que fiquei sozinho e resolvi lavar a cozinha. ela ficou molhada por uns 4 dias, que me lembre. depois na quarta-feira de cinzas, a lúcia chegou e então me ajudou a terminar. e ficávamos vendo filme na tv a cabo, que dias! mas daí que eu ainda sinto medo quando fico sozinho em casa, mais pra hora de deitar. na onda das percepções, queria poder ter só dias chuvosos e ficar em casa, quietinho. ou andar por sta teresa em dias chuvosos e depois ficar debaixo de cobertas. ouvindo a chuva cair. no fundo, essa impressao de querer só o que nao posso ter, de querer ver as coisas como antigamente, o tempo que nao volta, e também, de perceber que isso é impossível, ...

procura-se: alguém que respire comigo

hoje eu olhei a cidade do alto e quase confundi com londres: muita névoa, muito fog, tudo debaixo das brumas. andando pelas ladeiras, às vezes em silêncio, às vezes falando. queria ter alguém para andar por ladeiras em dias chuvosos, deitar num chão qualquer em silêncio olhando o teto. queria deitar espremido numa cama de solteiro e ficar respirando um na fuça do outro. soltando o ar pelo o nariz. ouvindo o ar soprar entre as narinas. tentando manter o mesmo compasso de respiração. dá pra fazer uma música a partir disso? e nesse dia chuvoso que termina ao som de celine dion, só queria isso: alguém pra respirar.

o tempo, ele nao muda.

finjo a normalidade apesar de no outro dia ter corrido na direção contrária dos manifestantes e da polícia, também, e no fim pisar numa poça e encharcar meus tênis que já estão super furados. passei o resto da noite com as meias encharcadas mas depois de meia garrafa de vinho tinto seco barato já não ligava mais ou o calor do vinho fez a água evaporar. nao tinha ninguém interessante naquela festa. ou tinha, mas no fundo não tinha, de verdade. engraçado como li ainda há pouco "o tempo é resposta, mas ele passa e a história continua a mesma" e não poderia ser nem mais engraçado, mesmo, nem mais verdade; não sei se forço essa história ou me não deixo o tempo passar ou o que seja, mas é engraçado como naquela noite, para variar, você estava lá como em qualquer outro momento. whatever, né. vida que segue. afinal, o tempo muda tudo.

massa de ar polar

faz um frio da porra, mas nao importa. nao importa porque eu já sentia frio mas to aqui agora sem roupa quase e me cobrindo com um lençol só. desde ontem sinto frio, mas nao só na pele; bate aquele frio na espinha que podia ser você roçando a pele em mim, podia ser sua boca na minha nuca, na minha orelha. mas é só um mau agouro, quem sabe é só frio mesmo e eu tou inventando coisa.

inconveniência alheia: não somos obrigados

eu tava com a camisa suja de pasta de dente, e não sei se alguém mais além de mim reparou nesse pequeno defeito. eu diria "tive problemas me arrumando, não tinha roupas, tava atrasado e me sujei enquanto limpava os dentes". eu enchi a cara também, mas não que eu já não quisesse fazer isso antes. né, eu já pretendia. só aprofundei a vontade. momento desabafo: naquelas luzinhas, naquele calor infernal que já fazia na rua e que era prenuncio da sauna lotada em que me meteria, eu fui vítima. vítima da inconveniência alheia. juro que achei desnecessário. ainda fico sem entender. da última vez vi de relance enquanto lia o livro da menina com câncer terminal cujo namorado lindo amputado tem uma recidiva do câncer e pasmem! bate as botas e o livro termina logo depois com a menina vivinha da silva mas ainda cancerosa e então eu vi de relance e fiquei meio tremido e dessa vez eu fiquei muito tremido. mas quer saber: foudac o pior é quando a inconveniência lhe bate à porta.

cantigas de domingo

"à merda com seus mandamentos" eu deveria ter dito, mas eram mandamentos mesmo?? ontem eu vi um filme e cantei s'essa rua s'essa rua fosse minha eu mandava, eu mandava ladrilhar com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes só pr'o meu, só pr'o meu amor passar nessa rua, nessa rua tem um bosque que se chama, que se chama solidão dentro dele, dentro dele mora um anjo que roubou, que roubou meu coração s'eu roubei, s'eu roubei seu coração foi porquê, só porque te quero bem tu roubaste, tu roubaste o meu também s'eu roubei, s'eu roubei teu coração e então eu cantei isso junto com uma senhorinha bem grandona, grega, com aqueles dentes gregos bem característicos, mas filha de turco (eles são parecidos ao menos??) e ela chorava e me veio um nó na garganta, mas não chorei, e também veio quando vi aquela outra senhorinha contando de quando sonhou com o anjo mas eu não sei, essa era a senhorinha de verdade, quando contaram da segunda vez e...

peitos fartos filhos fortes

o ser e o não-ser, antítese existente já no nascedouro. e aí, o que poderia ser uma conversa qualquer numa varanda qualquer, um olhar debruçado para uma praça enxarcada logo logo estarei enxarcado. enxarcado de pensamentos, ou de sonhos, eu dormi no ônibus?, risos. e vem aquela paz que me deixa angustiado, ou seria agitado?, mas o nome é paz. não pode ser outra coisa, mas estamos ali, firmes, fortes, como diz o hino, alguém devia acrescentar "pq sou brasileiro e não desisto nunca" ao hino, é bem verdade.