quando Copacabana foi Nova Iorque

faz um calor abafado, como sempre. eu me espremo numas escadas rolantes e já vejo o céu azul. alcanço a superfície, feliz de estar livre, quase claustrofóbico que sou, apesar do calor ainda sufocante que faz nessas bandas do atlântico sul.

enquanto esperava, um palhaço fazia malabarismos no sinal da Tonelero com a Figueiredo Magalhães. confesso que quase dei minhas moedinhas, mas preferi gastá-las com um pacotinho de halls sabor cereja (a única coisa que me sobrou de um alguém passado - e que também passou por outras pessoas).

aquele sorveteria me fez sentir como se estivesse em Nova Iorque, aquelas lâmpadas penduradas, aquelas poltronas e mesas divertidos tem ar de Nova Iorque, mesmo que eu nunca tenha ido a Nova Iorque. ou que eu nunca vá, e que eu perca tudo isso, esse mundo gigante e que eu perca, também, você.

ou já perdi.

mas só que, ali na mureta, eu evitei te olhar e já não ganhei nenhum daqueles olhares que pareciam curiosos, ou não sei o que, ou que me deixavam curioso, querendo descobrir o que se passava ali por dentro. querendo me perder naquela escuridão das pupilas e ficar ali hipnotizado para todo o sempre.

mas que já sei o que se passa ali por trás, misto de dúvida e pena, e impaciência e eu, que mudei também, já não quero mais ficar hipnotizado ali, parado; queria um abraço e um beijo, impossíveis.

me resta, só, caminhar na chuva, olhar as vitrinas, as pessoas.

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