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Mostrando postagens com o rótulo esse dia foi foda

sobre ceder na cama ou a supremacia do pau duro

naquela noite eu quase fui embora. levantei e me dirigi até a sala. deitei no sofá, descoberto, fazia frio. me enrolei em mim mesmo para me aquecer. ele veio e me abraçou, fez que eu voltasse para o quarto. eu não me mexi, ele insistiu. voltamos. antes ele tinha dito "alguém aqui tem que ceder"; o pau duro, latejando, mesmo no escuro eu podia ver isso. eu não queria transar mais. tentamos outra posição, não ia rolar. foi quando ele deitou para dormir e eu, claro, não dormi. não conseguiria depois disso tudo. sai para sala. na volta, fomos mais uma vez, eu não queria transar. ele cuspiu pouco, me comeu com força, disse que gostava quando eu gemia. eu pedi lubrificante, ele disse que queria daquela forma. eu tive que ceder, eu cedi.

dia nascente

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eu, de novo, ali, feito bobo. com medo. não chego em mais ninguém, não sei mais flertar. preciso da reinvenção. eu, perdido no espaço-tempo, de novo, sem saber o que fazer. a certeza da inexistência do nós. a ponto de fazer uma besteira sem tamanho. outro dia me controlei para segurar uma bandeja qualquer e não esgueirar minha mão pelos braços da poltrona. múltiplos braços, de plástico, tecido, epitélio. os tecidos que se esbarram mas não produzem atrito: ver a cena que foi a boca semiaberta, o céu clareando. eu to inventando tudo isso.

a vida na cidade ex-maravilhosa pós-moderna pós-colonial / da mudança

faltam cinco para as 23 do dia 26 de outubro de 2014, dia de eleição nessa terra de vera cruz. hoje, mais que nunca, eu me vejo no automático: o trajeto casa-trânsito-trabalho-trânsito-casa parece ser a coisa mais natural do mundo, a mim, principalmente. mas vez ou outra, como que numa alternância entre estar chapado e estar sóbrio, volto à superfície e me pego agoniado, me encontro num beco, vem o choro, o nó na garganta. eu me encontro num mundo, num mundo que é mundo e beco ao mesmo tempo. mundo porque é enorme, e eu mal conheço a cidade que vivo. beco, porque pequeno, estreito, mesquinho, a instantaneidade que aflige minha geração, ainda desacostumada. e eu que aprendi a crescer esperando, e ainda espero. esperei os 18 anos, os 20. antes de tudo, esperei os 11 anos, e minha carta de hogwarts não chegou. beco porque eu vejo a mesquinhez, e que me perdoem, eu posso ser mesquinho, também. porque vejo o mundo, atroz, veloz, matando, explorando, desejando, atraindo. o mundo...

ode à realidade

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acordei e botei pra fora tudo aquilo que ingeri na esperança de me tornar mais corajoso. não é das coisas mais fáceis, ingerir, digerir, botar pra fora; ser corajoso. acordei e vi o teu desenho. e me senti tão bobo. francamente. bobíssimo. feliz, sobretudo. quis escrever uma elegia, porém me falta a poesia. poético era só te ver, ali, ao meu lado, se aninhando, às vezes. me aninhando, às vezes. fica faltando a elegia e sobra a ode à realidade (ou o contrário): acordei na segunda-feira, só, no sofá, cara coberta, embaixo do edredom. felicidade dissipada feito a brisa na copa ou aquela dúvida que sempre tenho quando olho nos teus olhos mas no final era só segunda e eu, sozinho no sofá

de volta para o futuro: não.

obedeci a música e ali eu estava, de novo, no espaço apertado, mal iluminado. as caixas de som berrando no meu ouvido. era 2011. podia ser 2011, mas na verdade, eu sabia que nao era. mas podia ser. eu sentia como. a gente ali, dançando. rindo. êta. e voltar no tempo é assim fácil.

fuck you

cutuca aqui, cutuca de volta; cutuca a onça com a vara curta. no carro, na areia, na grama: olho o retrato e me vejo. me vejo enorme, disforme, me tornando o que eu queria porém e ao mesmo tempo, o que eu nao queria. sozinho, a cada nova decisão, mais sozinho. a vida é difícil. na madrugada, códigos e hieróglifos me fizeram ter idéias, esbocei um sorriso. fuck you, fuck me . nao. de novo: eu entendo tudo errado. mas eu tenho entendido tudo muito errado. onde que se aprende a entender? perdi essa lição na escola. perdi tantas lições. aquela em que se colocam limites, em que se delimita o passado, o presente e o futuro, ou aquela em que aprenderia a dar tchau. mas eu fico é nesse remerreme, só no fuck me.

sobre a corrida do pó

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white rich kids drown "segura minha mão que eu nao gosto de andar sozinho", e assim caminhamos. o sol já estava alto, que horas eram? nao me atrevi a olhar meu iphone sem chip. preferi ficar apreensivo assim mesmo. alguns momentos antes a vida mudou como se um furacão tivesse passado. de repente, as frases mudaram, envolviam terceiros invisíveis. como lidar? "segura a minha mão que eu nao gosto de andar sozinho" era a resposta a todos os "eu te amo", "eles nao podem saber", "quero ficar com você", "mãe, eu amo ele" e "eu nao posso, nao consigo fazer o que você quer fazer comigo". a cada 10 segundos mudava; num tanto era muito amável, noutro agressivo. também passou pelo muito feliz e o muito triste. os olhos chorosos era sucedido por um sorriso que se abria ao encontrar meu olhar (talvez repreensivo, talvez penoso). as palavras sem nexo que se trocavam na boca por outras sem nexo também, porém acompanhando a ...

my bad

a total mess . quem se importa? nem eu. às vezes escrevo sem pensar, e sempre penso sem pensar. os pensamentos fluem sem que eu queira; nesses dias, friorentos, a pele do pé fica até dolorida. mas isso é o de menos. continuo odiando domingos. o final de semana foi bom. domingos são detestáveis. nao sei o que fazer. como que se chega lá? na maior parte do tempo eu invento a minha realidade, que é uma bosta também. a gente volta bêbado no ônibus quando o dia já tá claro, e eu nao sei oque fazer sobre isso. não sei, mesmo. nao sei de nada.

cena 3

cena 3: (na mesma banqueta) "vai comprar uma cerveja, por favor?", eu digo. "mas você segura minha bolsa um instante?". mudo de idéia e eu vou comprar a cerveja; atravesso a rua correndo e ainda ouço um grito "mas Caio!". tarde demais, já estou entrando no bar. tinha aquela garota de batom vermelho, e ela para bem ao meu lado na fila. logo depois chega o gringo bonitão, louro alto e forte, com aqueles fones vermelhos no pescoço para fazer moda. ele então me olha e "hey, what you doing?", e eu fico espantado. "i'm buying a beer", respondo. (essa parada de falas sao muito chatas) "i think you look biological" "wat" "biological, i'm mathematics" "no, you must be wrong, i'm humanities" "omg, whats your name? i'm matt" matt compra três cervejas. matt me olha novamente e "hey, thats for you". matt me dá uma cerveja. eu digo que pago outra para ele depo...

cena 2 / cena 3

cena 2: eu me sento numa banqueta e me encosto na arvore logo atras de mim, enquanto aguardo uma cerveja chegar em minhas mãos. pareço que estou em casa. eu realmente nao sei se tenho cara de muitos amigos, mas estava lá sozinho, de qualquer jeito. então que chegam três pessoas, duas mulheres e um homem. eles perguntam se podem se sentar ao meu lado, se ha problema, mas de forma que eu fique no meio deles. respondo que nao, mas que logicamente estaria bem no meio da conversa deles; "mas é exatamente isso que queremos", eles me dizem, "você parece uma boa pessoa". depois de algumas palavras e alguns "mas você realmente parece ter o nome que tem" e "acho que te conheço de algum lugar, eu me levanto para ir ao banheiro e ainda ouço "você é uma boa pessoa". retorno e eles nao estão mais lá.

cena 1 / cena 2 / cena 3

cena 1: aperto o botão do elevador e ali ao lado tem aquela senhorinha de um metro e meio e o senhor das muletas que capenga para lá e para cá. eu nunca sei se tenho cara de muitos amigos. naquele momento eu talvez estivesse pensando se sentiria falta daquele lugar, e eis que a senhorinha se dirige a mim e começa a falar. "pena que estou sem meus fones, quase pensei"; a porta do elevador abriu e ela continuou "sou enfermeira tem 28 anos, tem gente que corre pra tudo, outro dia um amigo médico meu morreu, aos 35 anos. vivia correndo, corre aqui atende paciente, corre ali e atende mais. numa dessas corridas, caiu morto no chao do hospital. pra que correr?" a porta do elevador abre ao chegar ao térreo e quase saio em disparada, falando "agora eu que vou correr", e ela me responde "vc tem uma aura boa, vai lá meu filho, vá com deus". agradeço e saio.

sobre "morte súbita/ the casual vacancy"

tinha muito tempo que eu nao lia nada com tanta vontade e afinco, muito tempo mesmo. agora mesmo não sei o que me causa essa ardência nos olhos: se a sinusite, se a luz da luminária que estava tão próxima da minha cara ou o desfecho trágico e triste da história. às vezes, dá tanto medo e tristeza de imaginar quantas krystals terris robbies weedons estão por aí pelo mundo. às vezes dá medo... deixa pra lá. uma coisa é que isso aqui tá tão parado. reflexo da minha vida? provavelmente e principalmente. nao tem nada relevante. li por alto um artigo numa tal de " we hate mag " magazine sobre homossexualide, heterossexualidade e espartanos. acho que outro dia rolou de eu conhecer um espartano. não sei por que. daí que nao tem nada de relevante e nao tenho sido sincero também. nao tenho sido sincero comigo. não sei o que escrever e escrevo baboseiras. mas o final da história me deixou meio esquisito e precisava escrever aqui. é. só precisava escrever aqui.

chegando ao nada

eu sinceramente nao sei como funciona essa mágica: num momento estou acabado, destruído, confuso. os pensamentos vem aos zilhões e passam feito nuvens, ligeiras, anunciando chuva ou, quem sabe, um sol de rachar. então vem o momento mais calmo, tudo em perfeita harmonia, uma ponta de esperança crescente no peito. juro que não sei. esses dias estão esquisitos. sempre estiveram? outro momento me perguntaram se eu não estava me sentindo assim com muita frequencia. eu juro que nao sei. acho que to meio cansado de nao saber. a terapia essa semana foi pesada, como na outra. a menina nao me perguntou, novamente, ao final da sessão, como eu me sentia depois de tudo aquilo. nao que ela não soubesse, talvez. detesto a sensação e a tensão que se instauram quando ela me encara e eu nao sei o que fazer. os olhos ficam cheio d'águas, mas ainda nao foi dessa vez. a gente parece estar chegando perto de algo, ou melhor: do nada.

o tempo, ele nao muda.

finjo a normalidade apesar de no outro dia ter corrido na direção contrária dos manifestantes e da polícia, também, e no fim pisar numa poça e encharcar meus tênis que já estão super furados. passei o resto da noite com as meias encharcadas mas depois de meia garrafa de vinho tinto seco barato já não ligava mais ou o calor do vinho fez a água evaporar. nao tinha ninguém interessante naquela festa. ou tinha, mas no fundo não tinha, de verdade. engraçado como li ainda há pouco "o tempo é resposta, mas ele passa e a história continua a mesma" e não poderia ser nem mais engraçado, mesmo, nem mais verdade; não sei se forço essa história ou me não deixo o tempo passar ou o que seja, mas é engraçado como naquela noite, para variar, você estava lá como em qualquer outro momento. whatever, né. vida que segue. afinal, o tempo muda tudo.

errando errando

só precisava escrever, porque normalmente só escrevo quando não estou bem. hoje, estou bem além da conta. o dia foi mais que demais. estou cercado de gente mais que demais. o início do fim, quem sabe, tá longe. mas hoje, foi, certamente, o fim do início. e eu ainda perdido vagando por aí.

do dia sem borboletas (2)

"então é isso só mesmo?", eu pergunto, mas a resposta não vem. a resposta nunca vem, mesmo porque sou eu que imagino tudo, e eu sou muito egocêntrico e burro para imaginar diálogos. "é isso, assim, quieto?" repito; olho para a parede. olho para a fonte no meio do pátio. o musgo amarelado de tanto tempo que não vê água, chega a causar uma impressão horrível. "na verdade, nunca dissemos bye-bye, se é que isso existe". o chafariz parece que sempre foi assim, sem vida; eu pareço sem vida. "na verdade, acho que a última coisa foi sei lá, aniversário?", eu continuo só de forma a preencher o vazio que me oprime. o vazio que, na verdade, me ocupa. acho que o certo, então, é repelir o vazio. "... aniversário?", eu continuo só de forma a repelir o vazio que me ocupa, me preenche e me oprime. como se o universo estivesse em mim e fora de mim, vazio e cheio ao mesmo tempo. "como eu odeio esse lugar, você nao diz nada?", pergunta retór...

(ter tudo) rolando no fundo

histórias de amor duram 90 minutos eu li outro momento, é um filme creio, e não poderia cair melhor, cair feito luva. luva de assassino para nao deixar marcas. ali no jogo do jogo do jogo do jogo do jogo do bambolê a gente durou 90 minutos. nao sei por que isso me veio a cabeça, mas deve ser da fugacidade das coisas, né. no cantinho eu no colo, eu lhe sussurei "entao, amanha vc me chama prum cinema, flw" e é isso, mas os 90 minutos tinham encerrado, o juiz apitou o fim da partida. sem acréscimos.

inconveniência alheia: não somos obrigados

eu tava com a camisa suja de pasta de dente, e não sei se alguém mais além de mim reparou nesse pequeno defeito. eu diria "tive problemas me arrumando, não tinha roupas, tava atrasado e me sujei enquanto limpava os dentes". eu enchi a cara também, mas não que eu já não quisesse fazer isso antes. né, eu já pretendia. só aprofundei a vontade. momento desabafo: naquelas luzinhas, naquele calor infernal que já fazia na rua e que era prenuncio da sauna lotada em que me meteria, eu fui vítima. vítima da inconveniência alheia. juro que achei desnecessário. ainda fico sem entender. da última vez vi de relance enquanto lia o livro da menina com câncer terminal cujo namorado lindo amputado tem uma recidiva do câncer e pasmem! bate as botas e o livro termina logo depois com a menina vivinha da silva mas ainda cancerosa e então eu vi de relance e fiquei meio tremido e dessa vez eu fiquei muito tremido. mas quer saber: foudac o pior é quando a inconveniência lhe bate à porta.

ser sussa

agora lhes digo que preciso tirar férias de mim: não é nada com vocês, pessoas, só que vez ou outra eu fico me achando chato demais mesmo quando você fica lá parado e a pessoa diz que lhe acha sensacional e ela parece tão desarmada que realmente nao estaria mentindo; e mesmo assim a única coisa que lhe vem à cabeça é "são seus olhos" ou "impressão sua". falsa modéstia?

do que não se entende

o fim só chega mesmo quando a pedra cai no buraco? é assim, tudo vai e volta feito um balanço numa praça, as crianças brincam, nós brincamos. nós brincamos: era só isso? eu sempre faço as perguntas, sempre dou as respostas, noutro dia eu estava cheio desse socratismo, disso de saber que nada se sabe: eu sabia tudo. e apesar desse momento terrível eu ainda sinto bem, ainda me sinto bem: comigo é tudo que tenho repetido, repetido nesses últimos dias todos. nesses últimos meses. os olhos não enganam, olha que sacada das boas. não enganam, e eu sou, eu soo: muito repetitivo. mas foda-se, não é sobre isso mesmo. agora já não sei de mais nada, as respostas me sumiram de novo, vieram as perguntas, que loucura. tudo uma loucura. como se não tivesse sido sempre isso. ou eu entendo tudo errado mesmo... e eu queria perguntar se você queria mesmo falar comigo.