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Mostrando postagens com o rótulo talking to myself about myself

água de colonia

passo um perfume que tenho há anos; a essa altura, todos os perfumes tem o mesmo cheiro, o de perfume já vencido. na infância eu lembro dos perfumes de minha vó, de minha mãe, todos com o mesmo cheiro forte, seco, todos os perfumes acabam por ficar com tons amadeirados, talvez? as minhas águas de colônias infantis também tinha esse mesmo cheiro. agora penso se já não as ganhava vencidas ou se na década de 90 era condição sine qua non que toda água de colônia tivesse esse cheirinho já de vencido, passado. então saio de casa, com esse cheirinho de quem já passou do tempo...

às vezes quando eu chego em casa

naquele papel, eu ia pro pinel chego em casa e ligo algum aparelho. preciso do som. encho a casa de som. baixo as calças e sento no vaso sanitário. sempre fiz xixi sentado. quase nunca em pé. ouço também o barulho da urina ao encontrar a água parada do vaso. vou a cozinha e frito uma comida qualquer, cozinho um macarrão instantâneo. mastigo tudo com pressa, ouço os barulhos. as gatas são como eu sou: silenciosas. tentamos os três preencher o vazio dos silêncios entre nós. falhamos em excesso. nos olhamos, em momentos distintos, num silêncio pesado que recai sobre nossos olhos. temos os olhares tristes por isso. mas de todos os silêncios que venho carregando, esse último parece ser um dos mais importantes.

registros de um relacionamento conturbado (sobre relacionar-se com meninos brancos mimados)

eu queria escrever a história desde o início, porque minha memória vem falhando cada vez mais. me pego pensando e perdendo os detalhes. eu era tão apaixonado, como que encantado, sob um encantamento complexo e forte demais ao qual não resisti e não pude resistir. às vezes me pego ainda sob esse efeito. recomeçando: queria escrever a história desde o início, mas não só o que foi o meu ponto de vista: a relativização demais dos fatos tornaria a isso tudo uma incongruência sem tamanho. eu não falaria, então, do meu ponto de vista, nem de como me senti, mas sim de como me comportei, do que vi, do que li, do que ouvi. de modo geral, toda vez que nos encontramos, me vejo ouvindo a história ser reescrita. refalada, como se o que tivesse acontecido não tive acontecido, em lugar disso aconteceu o que você me fala 2 anos depois. quando em julho eu perguntei "você quer namorar comigo", essa pergunta ocorreu um mês após eu ser insistentemente perguntado quando eu te pediria em namo...

o marido da D. Aparecida

foi em 1999 quando o marido da aparecida começou a virar pó. ela era loura e sua filha tinha os dentes acavalados, e seu marido definhava literalmente. ela virava para vovó e falava "ah, hoje eu varri um pouquinho mais o pó".  imagino o dia em que aparecida, sozinha em casa com o marido que virava pó, muniu-se de um aspirador de pó portátil, daqueles automotivos, entrou no quarto sem demonstrar intenção, e aspirou o marido. talvez um aspirador portátil não fosse suficiente, e ela teve que ir e voltar várias vezes, esvaziando o compartimento do aspirador na pia da cozinha. desde então, eu sempre tive medo de virar pó. na cama, no banheiro, na roupa, procuro traços, será que essa sujeirinha aqui fui eu quem deixei?, e fico noiado se estou, como o marido da aparecida, me reduzindo a pó por onde ando.

try not to fear but forget

hoje pós almoço me abate uma ansiedade que não sei de onde vem: se das respostas mal dadas, a conversa que não evolui, ou do preço salgado que a refeição me custou. imediatamente começo a passar mal. o almoço quase me sai pela boca. volta até o céu da boca, eu quase vomito.  sete dias atrás minha mochila acaba vomitada por um nenê no ônibus enquanto eu distraído ouço música. sábado de manhã eu chego em casa e as 8:14 eu peço desesperado que me liguem. eu não devia nunca fazer isso, desesperado ainda por cima. a cortina fechada, a cama e o travesseiro me embriagam. eu queria que alguém entrasse no quarto de repente e me comesse naquela hora mesmo, no estado que eu estava. às 8:15 adormeço. às 11:26 eu acordo, totalmente embrigado pela pouca luz que a cortina causa, o lençol, o travesseiro. transpiro no pescoço. a cabeça dói. levanto e vou ao banheiro. esse ritual de se ajoelhar para o vaso é quase inexistente, mas eu me dedico mesmo assim. bebo água. enfio o dedo na g...

da ansiedade e seus mini-choques

[segunda] apoio minhas mãos sobre meus joelhos ossudos e inclino a cabeça em direção ao banco da frente. pela janela, entra uma fresca brisa que, se estivesse calor, me acalmaria. mas não é calor o que sinto, tampouco a brisa me acalma. olho a volta, giro o pescoço, procuro. volto a atenção da minha mente para as palmas das minhas mãos, esticadas, sobre os joelhos, na esperança de que isso, sim, vai me trazer calma; tentativa frustrada como a de rae earl em my mad fat diary (nota mental: assistir novamente). (vejo um policial gato na rua) [sábado] acordo e olho o teto. me movimento da cama em direção ao sofá. deito novamente. adormeço. o nó na garganta me impede de falar. adormeço. calafrios perpassam meu corpo, como que mini-choques. os mini-choques tornam o sono difícil, mas o sono é melhor que estar acordado. não consigo falar. não consigo falar, apesar de saber que deveria vomitar aquilo que está em minha cabeça. mas o que está em minha cabeça? não consigo identifi...

é preguiça ou ansiedade isso aqui que sinto entre os pulmões?

QUEM DORME SONHA QUEM TRABALHA CONQUISTA sinto uma câimbra, novamente, sexta-feira à noite. disfarço o desconforto, o novo desconforto. passei a noite com a perna esquerda recostada junto a perna de outra pessoa, de um desconhecido, e se eu estivesse noutro dia, em algum outro dia pior que o que estou hoje, pensaria que houve algo mais naquele leve roçar e encostar pernas.  ou como também houve algo mais naquele olhar absorto e vidrado. eu não me acostumo com olhares vidrados e perdidos, prefiro os que tem alguma emoção, menor que seja. o olhar vidrado que tudo reflete, inclusive a aparência que eu, naquele momento, desconfortável gostaria de disfarçar. desconfortável, mas feliz. quarta-feira, dentro de um ônibus da linha 634 , altura da vila do joão, uma jovem mulher sobe pela porta de trás e distribui caixinhas de bala Mentos, junto de um papel com uma mensagem "quem dorme sonha quem trabalha conquista". ela tem o semblante cansado. não fala nada. outros ...

hasta siempre, 2017

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نا الصحراوية // eu sou saarauía habibi, habibi : mais um fim de semana em casa, espraiado na cama, no sofá. espraiado pela casa pequena com as gatas. a casa que encolhe. o quarto que se varre em 5 segundos (em contraposição ao quarto que se varria em 5 minutos). a casa que encolhe, encolhe comigo dentro. habibi, habibi, canto para a gata que adormecida repousa em minha cama, espalhando seus pelos. habibi, habibi, sim!, ainda há esperança, canto feito canção de ninar, para acalmar as gatas de que, sim, sim!, ainda há jeito para esse mundo cheio de trumps e hillarys e temers e bolsonaros, a década de 2010 parece emular 1910, 1810, 1710, 1610, a história se repete primeiro como tragédia depois como farsa, quantas farsas temos vivido? quanto mais teremos que passar, hem, quanto mais acontecerá para que deste mundo se passe ao paraíso, a shangri-lá, a terra de zaratustra? ouvi que as montanhas do cáucaso, a irlanda, gales e a cornualha transbordam de magia, deve ser pela chuva abund...

santa claus is coming to town

HE SEEMED IMPRESSED BY THE WAY YOU CAME IN ,  i recall the week and i'm not feeling myself lately. where am i, where am i going. same time, it is not healthy to let these thoughts go deep, no, no. but saturday comes and i'm here listening to the strokes. nostalgia is here, but what do i really miss? i can't tell. maybe next week one of my bffs is coming to town to find exactly where i was last time we met. next month another bff is coming to town, so what? seems like i'm not moving at all.

note to self: never forget

Como escrever uma carta de amor para mim mesmo? I miss the old times . De verdade, quando eu me sentia mais completo sozinho - apesar de sozinho. E eu ia ao cinema sozinho, ao teatro sozinho. No money no family 16 in the middle of miami , ou no meio de botafogo. Rindo sozinho na sala de cinema,  indo a boate sozinho após ir ao teatro sozinho. Jantar sozinho. Almoçar sozinho. Tomar um café sozinho. Como faz isso? E, agora, como fazer tudo isso de novo? Como me controlar e não fazer burrices? O que eu amo em mim mesmo? Tough question. Self-love Letter to Myself. Eu nem sei lavar os cabelos direito. Por que em alguns momentos temos esses arroubos de automutilação? Raspar a barba (quando se fica esquisito sem ela - ou se é esquisito o tempo todo?). Cortar os cabelos (mas eles não estão uma bosta mesmo?). Esse desejo de se estragar: isso eu amo em mim mesmo. Ou esse ar semi-inteligente que sustento, fingindo ler mais que do leio efetivamente,  conhecer mais músicas (apesar...

sometimes i think i'm not that strong

I am falling through the hole, like failure. I am failure myself - that nothing worthy to be talked about. so  empty, you could rip my flesh with a knife; inside, nothing. empty. no feelings, no depth, as time goes by, i get thinner, no depth. I never though i'd cry listening to a song because of its beauty. but I did, I did it many times while miserably existing (if only this could be possible) when riding the bus. no depth, or does crying when listening to a song count to being someone with value? forget it all  - I am so depressed.

all i wanna do is get ________

let's turn this pretty direct: one can't really trust anyone these days. those are dark times, they have always been dark. not the dark i called you: dark, mean, selfish times. how can i be so naive, it gets ever more ridiculous as present turns to future. i never learn, how can i be so stupid? i never learn. and as time goes by, i only become more suspicious, afraid, i don't know what to believe anymore. does it ever get better? different? cause right now i can only get indifference.

o silêncio necessário

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autorretrato "silent boy". rio de janeiro, 2016 a maior das verdades sobre a minha vida é que passei a maior parte dela em silêncio. quando criança, biricando em silêncio, no máximo simulando o barulho dos automóveis que passavam na rua principal, acima da minha casa. nunca, diálogos. nunca. me acostumei assim, a ouvir as músicas ou até mesmo o bucolismo do bairro, que chega a ser insuportável nas madrugadas e domingos. deve ser por isso que odeio tanto os domingos: são mais silenciosos e melancólicos do que eu mesmo consigo ser.  quando menino, às vezes eu me enfiava dentro do armário, ali tinha um compartimento em que eu cabia, junto de um guarda-chuva estampado do hércules. ficava ali pelo tempo necessário para o choro ou mesmo para somente sumir e aproveitar o calor, o suor e o silêncio. "você goza em silêncio" ele me disse, mas eu já tinha me percebido, não ali, não pouco antes: já desde cedo eu tinha percebido que o gozo não precisa ser essa c...

what i am not (since 1996)

by 1996, i already had experienced all my traumas. what is the point of this? there are never enough traumas. i may be wrong if saying that i experienced all my traumas by 1996; that would fortunate, if so. the truth is that the post-1996 traumas were kind of recycled traumas: they would only fashion into something new, a new date, a new occasion.  why 1996? definitely i can't bet why, but that's what it is. things just are, like i am here, typing, sufjan stevens singing to me, i am here alone, like i have always been, since 1996, or since 1991, since my mother gave birth to me and all this started.  but then, it is just that i dwell too much on this negative spiraling thoughts, that i am not too many things - and i am not, really. really.

no te vayas si te vas pt. 2

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self-pórtrait "best fake friend award". niterói, 2016. and the award for best fake friend goes to: moi. i couldn't help avoiding to stare at you. must i say "i'm sorry for not hanging out with you"? well, sorry, i'm not saying this. not a word. i'm not sorry. you see, i've decided something before you left this year and i am still pretty sure about that (decision). period. though i just wanted to say that i cried my heart out when i decided that, it wasn't easy; our last phone call conversation, cut the transmission line. i cried, before it was cool. not that you know, or even you should know. let's just say it's better to have some other person crying in other shores than those where i weep. and you just called me love.

cut the transmission line

one break-up after another, as if something existed; the years pass and i am the same, naive, alone or i'm not the same, crazier than ever, imagining things, suffering for others and because of others. life is unfair, but isn't it what i myself keep repeating to others when they're in trouble? maybe i should give everything up and just internalize this shit that's allover my being (and deep in my mind, i have already accepted).

not looking forward to seeing you (i hope that won't happen)

"minha vó te acha bonito", ela me disse. é bem verdade que eu até me senti bonito nos últimos dias, mas ali, com essas roupas velhas, o cabelo péssimo, não cabia a frase. eu estava um caco. estou.  respondi "são os olhos dela", claro, não deixariam de ser. fazia um esforço fenomenal para estar presente. mais cedo, chorara enquanto lia o funeral de dumbledore às margens do lago. o sol de inverno faz bem. pena que os dias são mais curtos (pouco). mas o sol de inverno ainda faz bem.  mais cedo, eu chorara. as lágrimas escorreram silenciosamente. chorei copiosamente. compulsivamente. prenúncio, talvez. a verdade é que me senti uma bosta a semana inteira. existe limite para incompetência? a vida aqui vai na mesma; vi a foto e pensei "que feliz", mas o fundo é que eu me afundei mais na merda. a verdade (de novo) é que esse tempo todo eu pensei ter esquecido (e em parte, sim). dividi minha atenção para outro (impossível, também, que não me quer, ...

vive la france! or how to sound stupid

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pirate's flag is always a threat? i don't know when i became a coward, but i did; a long time ago. i couldn't finish the sentence: you look like a statue, so beautiful in this scenery. though i didn't want to be an ass, nor a threat, it seems that i wasn't welcome. how could i? in my mind, we stopped in that kitchen, you frying me eggs. i was sick. i'm always sick, i beg your pardon for this. for all of this. i wish that i could erase this, and not just that sentence, that sick sentence. that stupid sentence.

all i want is inner peace

where are you now where are you going,        a infância fica pra trás. dá-se adeus ao passado, quero já chorar. não é só por isso, pela pobreza, pela insegurança, pela incerteza. é pelo que fica atrás, que cada vez mais coisa fica atrás, aquele ser que já não somos, que já não sou e que fica cada vez mais distante.        tudo é diferente, já agora é bem diferente do que foi doze horas atrás, o mundo girou 180º; só 180º, porque, se girasse 360º, teria voltado ao mesmo ponto. já tenho medo, já não sei como ficará, a sorte ataca e dilacera-nos por um instante, mas ao mesmo tempo como se dissesse-nos "vira-te, vira-se".

esfregar azulejos: solução para ansiedade e solidão

i'm feeling lonely and my hair is a mess. a total mess. minha vida é uma merda, também. até pensei em arrumar a árvore de natal. bateu saudades do pinheiro de verdade que ficava num vaso, primeiro, e depois no quintal. lembro da camisa do flamengo que ganhei de natal e usava para lá e para cá. as bolas penduradas na árvore, de seda. as luzes. não lembro se tinha uma estrela brega no alto. bateu também uma vontade de lavar os vidros da cozinha. parei na metade porque os braços cansaram e não tinha escada para alcançar os vidros mais altos. esfregar azulejos é bom para ansiedade. e para deixar a casa limpa.