try not to fear but forget

hoje

pós almoço me abate uma ansiedade que não sei de onde vem: se das respostas mal dadas, a conversa que não evolui, ou do preço salgado que a refeição me custou. imediatamente começo a passar mal. o almoço quase me sai pela boca. volta até o céu da boca, eu quase vomito. 

sete dias atrás

minha mochila acaba vomitada por um nenê no ônibus enquanto eu distraído ouço música.

sábado de manhã

eu chego em casa e as 8:14 eu peço desesperado que me liguem. eu não devia nunca fazer isso, desesperado ainda por cima. a cortina fechada, a cama e o travesseiro me embriagam. eu queria que alguém entrasse no quarto de repente e me comesse naquela hora mesmo, no estado que eu estava. às 8:15 adormeço.

às 11:26

eu acordo, totalmente embrigado pela pouca luz que a cortina causa, o lençol, o travesseiro. transpiro no pescoço. a cabeça dói. levanto e vou ao banheiro. esse ritual de se ajoelhar para o vaso é quase inexistente, mas eu me dedico mesmo assim. bebo água. enfio o dedo na garganta, como se estivesse praticando oral fisting. nada prazeroso. 

não consigo adormecer

às 15:13

eu pareço desesperado novamente e tento uma ligação que não faz sentido. 

às 16:20

fumo na praia de icaraí. sinto-me mais leve enquanto ele vem até mim, e tudo faz sentido. como paula disse, eu talvez tenha uma relação mística demais com o fumo. isso é perigoso? talvez. mas tudo realmente faz sentido, parece fazer sentido.

às 19:34

eu ando por aí e quando te digo uma besteira qualquer, sinto completa desconexão entre nós. tua mão busca a minha; ou estou chapado demais? beijo-te na esquina enquanto carros amontoam-se na via e os passageiros do ônibus mais perto. eu nao lembro.
eu não lembro mas eu chorei em teus braços outro dia e foi a última vez que chorei antes de hoje.

hoje

eu testo os limites; como na canção do new order why can't we be ourselves like we were yesterday? eu me pergunto o tempo todo, isso dialoga com brandon flowers cantando enquanto eu andava pela rua santa luzia ao por do sol can it be the way it was. eu não sei.

apago vestígios digitais, não suporto mais essa vida. não sei de onde tiraram que é orgânico. queria ouvir tua voz e sentir teu carinho sobre mim. choro enquanto ouço it's alright it's never wrong to be alive / try not to fear, but forget, it never happens twice, it makes you feel alright e eu ouvia esses mesmos versos enquanto sentava naquela poltrona de hospital e via vovó dormir, dormir. 

chego a conclusões de que eu exagerei; peço desculpas. eu peço desculpas demais, talvez. 

eu choro no coletivo enquanto ouço esses versos, eu sou um estúpido. paula diz que as pessoas não estão preparadas para o nosso amor frio. eu realmente não sei se é um amor frio.
sinto algo nos pulmões que me deixa preocupado.

se eu morresse em breve, queria te perguntar se tu estarias satisfeito em como estamos. mas não pergunto. sexta tenho um date, se eu chegar até lá. 

a vida doméstica me cansa e eu não tenho mais forças. vou a rua colocar o lixo. 

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