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Mostrando postagens com o rótulo tempo

água de colonia

passo um perfume que tenho há anos; a essa altura, todos os perfumes tem o mesmo cheiro, o de perfume já vencido. na infância eu lembro dos perfumes de minha vó, de minha mãe, todos com o mesmo cheiro forte, seco, todos os perfumes acabam por ficar com tons amadeirados, talvez? as minhas águas de colônias infantis também tinha esse mesmo cheiro. agora penso se já não as ganhava vencidas ou se na década de 90 era condição sine qua non que toda água de colônia tivesse esse cheirinho já de vencido, passado. então saio de casa, com esse cheirinho de quem já passou do tempo...

floating in outer space

dizem que quando os gatos te olham, com aquele olhar profundo de gato, e piscam, lentamente piscam, querem comunicar o amor profundo que sentem pela pessoa objeto de seus tão intensos olhares. no sofá, tentei emular o olhar que recebo de minhas duas gatas. um olhar profundo e profundamente cheio de amor, devoto até as pálpebras fecharem. eu sorrio. envergonhado. seguro lágrimas que querem sair, mas o sorriso não pude deixar escapar. naquele momento me teletransporto para marte, talvez nos teletransporto para marte, aquela terra fria e empoeirada, vazia de gente e emoções. um marte em gêmeos, arguto, mas onde não haveria mais briga. fecho os olhos, viro o rosto para a tv, de forma a esconder o sorriso que se formou. o tempo que se cria nessa viagem pelo espaço sideral talvez seja o tempo que devemos permanecer distantes, um paralelo entre espaço e tempo sacramentando o espaço-tempo em que o próximo evento ocorrerá, em marte (em gêmeos na casa 2) ou vênus (em aquário na casa...

what i am not (since 1996)

by 1996, i already had experienced all my traumas. what is the point of this? there are never enough traumas. i may be wrong if saying that i experienced all my traumas by 1996; that would fortunate, if so. the truth is that the post-1996 traumas were kind of recycled traumas: they would only fashion into something new, a new date, a new occasion.  why 1996? definitely i can't bet why, but that's what it is. things just are, like i am here, typing, sufjan stevens singing to me, i am here alone, like i have always been, since 1996, or since 1991, since my mother gave birth to me and all this started.  but then, it is just that i dwell too much on this negative spiraling thoughts, that i am not too many things - and i am not, really. really.

lit up

num momento, a gente se vê naquele espaço claro, iluminado. as paredes brancas não trazem a sensação de limpeza; elas dão medo, em vez de trazer segurança. pessoas passam aleatoriamente para lá e para cá. ninguém diz nada. alguém vaga sem sentido e direção pelo corredor. parece que vai desmaiar. eu durmo. acordo e vejo o mesmo corredor. passa um carinha do grindr que foi a maior enganação do ano e me pergunta "ficou aí foi". claro que fiquei, ué.

de volta para o futuro: não.

obedeci a música e ali eu estava, de novo, no espaço apertado, mal iluminado. as caixas de som berrando no meu ouvido. era 2011. podia ser 2011, mas na verdade, eu sabia que nao era. mas podia ser. eu sentia como. a gente ali, dançando. rindo. êta. e voltar no tempo é assim fácil.

imaginações imaginárias

o tempo parece que parou naquela sessão de "amores imaginários" em 2011. ou voltou. o tempo voltou. aquilo que eu sempre quis. o tempo voltou. e eu nao percebi. mas tá meio diferente? nao. naquele momento eu já atuava. imitava as cenas. eu era francis, eu era marie. sonhando. delirando. sempre fui. se encontrasse xavier dolan, tascava-lhe um beijo. dava-lhe abraços. isso era minha vida. é minha vida. eu sou francis, eu sou marie. imaginando. o coração batendo, saltando para a garganta. o estômago derretendo sobre os intestinos. os joelhos ardentes e trêmulos.   mas, um momento. espera. eu sou isso mesmo? dúvida. duvido. sei lá. o que lhe aconteceu? eu nao sei. nao tenho certeza. espera, fui eu mesmo que fiz isso? qual o seu problema? começa a troca de acusações, somente na minha cabeça. sempre fui ruim em imaginar diálogos. só imaginava as minhas falas. mas às vezes eu acerto as coisas. sou meio que adivinho, meio maria bethania, meio caetano, prenunciando as coisas. t...

femme de bandit

Imagem
ali, sob a chuva, senti falta das plantas altas que cobriam o chão e deixavam corpos se esconderem. ah, o anonimato da escuridão!, me peguei pensando. na chuva, mais cedo, enquanto andava pelas pessoas na lapa e ficava aflito, sozinho, exatamente como me sinto aos domingos, eu nao pensava que me sentiria assim de novo. (mas o "assim" nao chega nem perto do antes. nada é igual. o tempo passa e eu queria voltar a ler harry potter e a câmara secreta enquanto o tempo nublado ameaçava chover e eu forçava os olhos para ler as frases. lia rápido como que competindo com noite que se aproximava; nao queria levantar pra acender as luzes). e assim estava eu, lá, naquele cimentado horroroso que proporciona dias gloriosos e algumas conversas desconexas sem sentido. ou encontros aleatórios. e então, pan! um tapa na cara. para que só um tapa na cara quando se pode dar muitos? pois bem que eu estava lá, dando a cara a tapas. um. dois. três. quatro. parece bom? quem sabe um pouco mais...

março e o tempo já voa

nao sei quando foi que 23:08 se tornou uma hora-talismã pra mim; talvez em 2010, ou antes. esse final de semana trouxe tantas coisas, na verdade, a semana inteira trouxe tantas coisas. É muito pedir um carnaval de ano inteiro? nao que eu agüentasse, provavelmente. muitos sentimentos e sensações, muita tensão, muito confete e muita purpurina. wish i were young enough wish you were made just HEY YOU parece uma boa coisa, num momento vocês nem se falam no outro tão pulando abraçados, ah!, o carnaval, esses dias ficam na lembrança, o próximo a gente nem se lembra mais quem foi o outro naquele passado distante. exceto eu, que sempre lembro, sempre lembrarei, outro dia li ou ouvi uma música que falava de lua e etc e eu so lembrei, mas como aquilo já nao enche aqui o peito hem? ficou lá, pena que nao tenho nem retrato, ne.  e essa coisa toda, também, de rever tanta gente nas ruas, as pessoas mudam tanto, as vezes até pra melhor(!), é uma lembrança atras da outra, nao fosse eu ser ...

ainda falta pro fim do ano?

impressionado como o tempo passa rápido, parecia ontem e eu reclamava que 2012 nao acabava, hoje eu vejo os outros reclamarem que 2013 nao acaba. nao tenho nenhum desespero sobre 2013 acabar logo ou parecer nao acabar, nenhuma preocupaçao quanto a isso. certeza só de que as coisas todas se banalizaram, essa cidade se banalizou, as relaçoes se banalizaram. outro dia era junho e julho e eu ficava descamisado e entao abriram meu zíper e eu nao preciso contar mais nada né. mas é isso aí, de estar em junho e sentir um calorzinho, suar, e ficar sem camisa e progressivamente com menos roupa e nao ser tao traumático quanto poderia ser. 2013 passou e eu aparentemente nao sofri calado, sofri, sim, mas sei lá nao pareceu tao ruim. agora é mais um ano, mais coisas banalizadas, o tempo passa tao rápido, o tempo voa, pensando bem 2013 foi um ano bem de merda, né? tirando os bons momentos que foram alguns memoráveis mas já parecem enterrados sob sete palmos de terra, parecem até que foram antes d...

o tempo, ele nao volta, mas ronda

os assuntos tão se repetindo. eu nao sei exatamente, mas me sinto tão preso ao meu passado agora, de forma tão forte. mas preso deliberadamente, nao forçado. algumas coisas deixei ir embora (talvez tenha sido melhor; só me arrependo de ser babaca). nao sei de onde vem essa vontade de viver o passado, mas não esse passado teatral, aquele passado distante, aquela coisa longínqua, quando eu tinha mais medo que nunca, mais medo que tudo, quando eu era nada. vontade de foder meu passado inteiro. aí ontem aquela história de "quero ir para o chile" me reacendeu a memória, e eu lembrei daquele argentino perdido muambeiro na lapa. corri pro quarto e abri aquela caixinha de metal que fica atrás das camisas de botão, nos fundos do armário, e achei tantos papeizinhos cheios de saudade e do tempo que nao volta mais. nunca pensei que fosse realmente possível me sentir feito amelie poulain, mas me senti. na verdade, eu me senti como o velho ao abrir a própria caixinha anos depois: encon...

no vaso sanitário

nunca sei se o tempo que fico sentado no vaso sanitário é a espera da vontade de fazer cocô ou se é a espera da vontade de viver chegar.

perambulando

olho o relógio e são 02:22, digito a mensagem "que merda de noite hem". sem resposta. continuo andando pelas calçadas sujas da cidade que parece dormir, ao contrário do que supostamente ocorre dentro das 4 paredes. tento uma ligação, mas ninguém atende. devo ser um puto mesmo. nao tenho ninguém a quem recorrer. dispensei o auxílio num táxi qualquer, 10 minutos antes. me arrependi da noite? não sei ainda. continuo andando. penso se ligo para alguém, mas desisto antes mesmo de tentar. penso se mando um inbox a esse alguém "olha veja o 3º movimento dessa sonata de chopin, que maravilhoso tocado por essa menina, não é?" mas desisto. orgulho ou medo ou apenas perceber o quão desnecessário eu sou na vida alheia e o quão inconveniente seria ligar para alguém que realmente nao me quer. tem uma neblina, fica difícil respirar. isso foi ontem, ou é agora? é neblina, fog ou são dementadores? nao sei. continuo andando. a rua tão iluminada me impede de ver se o céu tem estr...

procurando alguma citação de harry potter.

22:21, passei perto de alguém me desejar, o relógio gritou na minha cara, pedindo que calasse a voz da mariah carey porque ela só canta música depressiva. obviamente que tudo perdeu a mágica, mas é só questão de momento. é isso mesmo, só momento. é o tempo, xiuxiu, é o tempo. ele passa. “There’s a storm coming, Harry. And we all best be ready when she does.”

que horas tem

21:21 - olha o relógio, pensa tem alguém pensando em você, mas na verdade você tá pensando em alguém. e será que esse alguém tá pensando em você? provavelmente não, mas é tudo tão místico, isso das horas. bate os olhos no relógio, será que os segundos também eram iguais naquele instante? porque senão, não há eficácia... e a vida, um eterno olhar o relógio para verificar as horas e ter o coração palpitante, mas espere: acho que já nem me lembro de seu rosto.

o que será que aguarda

00:02 - parece ser um momento auspicioso; faz frio e o corpo precisa se aquecer. eu lembro daquela propaganda do menino que era sorridente mas por não cuidar dos dentes ficou desdentado. penso se meu futuro será igual. aquela música da lily allen vem ao pensamento, repescada do turbilhão que inundou essa tarde ventosa e gelada. aos 22, aos 21, quem sabe?, a vida prega tanta peça na gente e eu já tô aqui me sentindo, me perguntando como parei aqui, como cheguei aqui, é triste, é verdade. noutro dia eu bebi, terminei em condições bastante suspeitas carregando gente por aí e uma fruta-pão, e bom, no meio da noite tinha uma bad, tinha uma bad no meio da noite. sorte que tacaram ovo na gente; ninguém aguenta tanto mimimi. eu tinha pensado que tinha sido bom falar, mas é preciso agir. às vezes parece que tô perdendo as rédeas, exatamente isso, que não tenho controle algum. grande momento de desespero, em que as possibilidades parecem distantes e o presente e o futuro já fracassados, me...

desenho animado faz bem pra pele

preocupações de ensino médio parecem tão banais que, na verdade, não me recordo de ter alguma preocupação. o que era aquilo tudo senão apenas uma turbulência em dois dedos de água num copinho de café enquanto se assiste a high school musical no disney channel.

como voltar no tempo

gente, isso, eu escuto uma música e leio a letra, e então, isso é o transporte no tempo? é até engraçado, porque às vezes nos sentimos melancólicos ou coisa do tipo, e de repente, uma onda de frescor passado nos invade. frescor passado é demais, mas vem lembranças tão diferentes, tão lindas, tão estúpidas. decisões sem importância alguma que não para a nossa vida, e que não servem para serem respondidas em dinâmicas de emprego, como aceitar um bilhete de um menino no ônibus, e depois de meses decidir iniciar contato. o mundo passa rápido e, ah, nós mudamos, mas outro dia parecia a mesma coisa, só que diferente: pegar o ônibus e finalmente conversar. mas o mundo dá voltas, a música termina e as memórias se esvaem, nada de viagem no tempo...

ceia depois da meia-noite chuvosa

01:06 estou sentado ouvindo as gotas de chuva baterem no telhado de amianto, porque a justiça não chegou aonde moro. eu cozinhei dois ovos naquela panela que era toda preta, mas hoje já tem o interior prateado. " to the hell with the cuisine chefs's thinking ": lavo panelas e louça com o lado áspero. dava um bom título de livro barato de auto-ajuda. ou de caio-ajuda. you say 1:07 eu já comi os dois ovos cozidos que estavam naquele potinho amarelo que parece uma flor. eu bebi também um copo de refresco de tangerina, e as gotas começam a me incomodar. eu queria ter saído, eu queria tanta coisa na verdade verdadeira que fica difícil decidir sobre o que fazer. queria que as palavras que me são enviadas no chat tivessem sido fruto de uma montanha-russa de sentimentos e de outras palavras que queriam dizer coisas completamente opostas mas terminaram com um "desculpa, tchau".quanta infantilidade; de minha parte, claro. 01:08 recalque puro.

era/é/será

Já era mais que hora de eu fazer algo experimental aqui: tenho louça a lavar e eu deveria estar apresentável amanhã, e apenas não fiz a barba. Foda-se o mundo, fodam-se os babacas que se pensam sabedores de tudo e que julgam as atitudes como uma banalidade qualquer. Minha banalidade não é qualquer, ela tem significância. Agora até parece que há alguma coisa, mas eu acho que, sinceramente, eu estou procurando chifre em cabeça de cavalo e eu não tenho nada a ver com isso. É bem verdade que eu continuo o mesmo desde aqueles tempos, e essas fotos bobas são para me distrair. É tão engraçado a gente se sentir relativamente bem depois de um tempo muito ruim, é meio que como um dia só nublado de um ano de chuva ininterrupta. E então é como também esse um ano tivesse passado tão rápido que parecesse cinco anos atrás e eu nem me lembro o que fiz há dez dias, é uma tristeza de dar dó. Será então que um dia eu volto a passar o tempo normalmente?

vlw thx obg

"eu sou melhor que você", eu escuto ali na televisão, mais parece algum programa de auto-ajuda mas é o luciano huck, e talvez seja um belo dum programa de auto-ajuda camuflado em um programa de auditório com dançarinas gostosas rebolando sem parar. essa tarde que passa devagar mas quando se vê já passaram horas e a tarde também ainda não acabou, uma vontade imensa de sair correndo, de urgência, de tomar banho e se aprontar e escapar do chuvaréu que se arma nos céus, e também de suprir essas necessidades tipo essa fome que não passa de jeito algum e de ter alguém aqui para fazer a minha barba porque eu tenho preguiça e enjoei dela essa manhã quando acordei um agradecimento aos nosso patrocinadores da bad nossa de cada dia um enorme vlwthxobg