femme de bandit

ali, sob a chuva, senti falta das plantas altas que cobriam o chão e deixavam corpos se esconderem. ah, o anonimato da escuridão!, me peguei pensando. na chuva, mais cedo, enquanto andava pelas pessoas na lapa e ficava aflito, sozinho, exatamente como me sinto aos domingos, eu nao pensava que me sentiria assim de novo.

(mas o "assim" nao chega nem perto do antes. nada é igual. o tempo passa e eu queria voltar a ler harry potter e a câmara secreta enquanto o tempo nublado ameaçava chover e eu forçava os olhos para ler as frases. lia rápido como que competindo com noite que se aproximava; nao queria levantar pra acender as luzes).

e assim estava eu, lá, naquele cimentado horroroso que proporciona dias gloriosos e algumas conversas desconexas sem sentido. ou encontros aleatórios. e então, pan! um tapa na cara. para que só um tapa na cara quando se pode dar muitos? pois bem que eu estava lá, dando a cara a tapas.

um. dois. três. quatro. parece bom? quem sabe um pouco mais. na fila do banheiro sou sincero ao extremo e acabo por ver as banalidades da vida. se fosse noutro tempo, eu correria e ficaria sentado naquela cadeirinha de metal bamba, só o sereno me pegando, nada mais. dessa vez o sereno me pegou também, mas nao corri pra sentar na cadeirinha bamba (mesmo porque ela nao estaria lá).

agora, mais um pouco, já nao olho nos olhos de ninguém, por medo. fixo o olhar dois palmos acima da cabeça. talvez pensem que sou estrábico, talvez eu seja. mas nao importa, só vale ficar bem.

parou de chover mas ainda vem uma mão e o vento, a mão errou. nada mais de tapas, nao sou mulher de bandido.

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