floating in outer space
dizem que quando os gatos te olham, com aquele olhar profundo de gato, e piscam, lentamente piscam, querem comunicar o amor profundo que sentem pela pessoa objeto de seus tão intensos olhares.
no sofá, tentei emular o olhar que recebo de minhas duas gatas. um olhar profundo e profundamente cheio de amor, devoto até as pálpebras fecharem. eu sorrio. envergonhado. seguro lágrimas que querem sair, mas o sorriso não pude deixar escapar.
naquele momento me teletransporto para marte, talvez nos teletransporto para marte, aquela terra fria e empoeirada, vazia de gente e emoções. um marte em gêmeos, arguto, mas onde não haveria mais briga. fecho os olhos, viro o rosto para a tv, de forma a esconder o sorriso que se formou.
o tempo que se cria nessa viagem pelo espaço sideral talvez seja o tempo que devemos permanecer distantes, um paralelo entre espaço e tempo sacramentando o espaço-tempo em que o próximo evento ocorrerá, em marte (em gêmeos na casa 2) ou vênus (em aquário na casa 3).
quem manipula e quem é manipulado, o teatro que se formou. na cama eu vejo uma cena de um filme de xavier dolan, nós 2 sobre os lençóis sujos de um mês já, diversos gozos e suores ali, eu te encaro sob a penumbra e releio a informação que sobressaltada saiu de sua boca duas horas antes: o corriqueiro das relações.
sou arremessado de volta para a terra
destroçado, mas ainda assim
vivo
menos doído que antes
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