da ansiedade e seus mini-choques
[segunda] apoio minhas mãos sobre meus joelhos ossudos e inclino a cabeça em direção ao banco da frente. pela janela, entra uma fresca brisa que, se estivesse calor, me acalmaria. mas não é calor o que sinto, tampouco a brisa me acalma.
olho a volta, giro o pescoço, procuro. volto a atenção da minha mente para as palmas das minhas mãos, esticadas, sobre os joelhos, na esperança de que isso, sim, vai me trazer calma; tentativa frustrada como a de rae earl em my mad fat diary (nota mental: assistir novamente).
(vejo um policial gato na rua)
[sábado] acordo e olho o teto. me movimento da cama em direção ao sofá. deito novamente. adormeço. o nó na garganta me impede de falar. adormeço. calafrios perpassam meu corpo, como que mini-choques. os mini-choques tornam o sono difícil, mas o sono é melhor que estar acordado. não consigo falar.
não consigo falar, apesar de saber que deveria vomitar aquilo que está em minha cabeça. mas o que está em minha cabeça? não consigo identificar; o nó na garganta cresce e fecha ainda mais a glote. adormeço.
a tarde passa entre conversas poucas, sonos estranhos e mini-choques. já não sei mais o que fazer, mas subitamente, meu humor melhora. sem mais mini-choques, o nó na garganta se desfaz.
(quando deito no colo, me acalmo olhando as árvores e ouvindo o leve farfalhar das folhas)
[domingo] tudo gira quando deito a cabeça no travesseiro. não consigo dormir, apesar de não ser por nenhum motivo diferente do efeito da bebida. fico acordado olhando o teto, o celular. o que distrai melhor.
recebo companhia na cama; mas o que importa? nada. de manhã, ao nascer do sol, antes que o celular desperte, já voltei para a insignificância natural das coisas (por mais que eventos subsequentes possam vir a desmentir ou contrariar isso).
Comentários
Postar um comentário