hasta siempre, 2017
نا الصحراوية // eu sou saarauía
habibi, habibi: mais um fim de semana em casa, espraiado na cama, no sofá. espraiado pela casa pequena com as gatas. a casa que encolhe. o quarto que se varre em 5 segundos (em contraposição ao quarto que se varria em 5 minutos). a casa que encolhe, encolhe comigo dentro. habibi, habibi, canto para a gata que adormecida repousa em minha cama, espalhando seus pelos. habibi, habibi, sim!, ainda há esperança, canto feito canção de ninar, para acalmar as gatas de que, sim, sim!, ainda há jeito para esse mundo cheio de trumps e hillarys e temers e bolsonaros, a década de 2010 parece emular 1910, 1810, 1710, 1610, a história se repete primeiro como tragédia depois como farsa, quantas farsas temos vivido? quanto mais teremos que passar, hem, quanto mais acontecerá para que deste mundo se passe ao paraíso, a shangri-lá, a terra de zaratustra? ouvi que as montanhas do cáucaso, a irlanda, gales e a cornualha transbordam de magia, deve ser pela chuva abundante que cai, que inunda o horizonte. bangladesh é mágica pura nas monções, nostalgia daqueles dias chuvosos em são tomé, no meio do atlántico - queria ir mais longe: santa helena, ilhas geórgia do sul, até as malvinas (sim as malvinas são argentinas: fuera yankees de américa latina, ingleses franceses holandeses yo te quiero libre PALESTINA, SAARA OCIDENTAL, o pop-mapuche de ana tijoux o rap-árabe de shadia mansour), um véu d'água cai sobre o rio de janeiro, a eterna tropikal-metropolis 24/7, the guanabara conurbation that never sleeps: é tiroteio na maré, na cidade de deus, massacre na baixada, assalto em niterói, falta luz água esgoto em são gonçalo, magé rural, avenida brasil retrato do que mais pode acontecer do Oiapoque ao Chuí, de João Pessoa a São Gabriel da Cachoeira onde se fala o nheengatu a língua geral filha de tupi, 4 de dezembro de 2016 mais um capítulo nas manifestações de carinho que a classe média promove para o governo corrupto, para o congresso corrupto, para o judiciário que se manteve intacto na transição da ditadura civil-militar para a "democracia" do pmdb de ulysses guimarães, levou 2016 tanta coisa tanta gente, cada vez vai mais um: perdas pessoais, perdas gerais, cada uma diferente da outra. todo ano morre gente. morregente. lidem com isso, é assim mesmo, a gente se acostuma, eu mesmo chorei outro dia, é triste se despedir de quem gostamos mas sabemos que chega a hora desse [adeus]. hoje faz um ano, um ano, não diria que parece que faz um dia: faz uma eternidade. não contei para ninguém mas o dia mais feliz de 2015, eu cheguei ao cti, já pronto para passar uma hora olhando o corpinho de minha vó encolhido naquela maca; sob aquela luz amarelada, aquele frio do cti, eu vejo o corpinho, falo alguma saudação corriqueira, vovó abre os olhos, me sorri, lágrimas nos olhos, lágrimas nos meus olhos (todo esse tempo? sempre), sorrimos, aquele foi o dia mais feliz da minha vida desde muito tempo, a gente se emociona com isso, com lágrimas sorrisos, esse ano eu sorri por demais no casamento da minha amiga rita, aquela felicidade que transborda de uma pessoa a outra, aquela determinação pragmática que eu devia aprender de fora pra dentro, e não levar 7 anos para terminar uma graduação - que enfim foi, FOI, gritei quase, mas foi. vomitada num papel, vomitada no arquivo .doc .pdf enviado para 3 pessoas distintas, 2 delas leram e foram elogios: "caio virou uma obsessão para mim a tua formatura, eu tinha que ver você se formar" foi o melhor elogio que eu podia receber, "termina logo esse trabalho e não perca a tua faculdade" foi o melhor incentivo que eu podia ter recebido, fora isso foi mais do mesmo, MESMO, a vida continua o mesmo, fuera pezón, fora dornelles cria da ditadura, saqueo pisoteo colonización matias catrileo:
RAFAEL BRAGA
CLÁUDIA SILVA FERREIRA
FABIANE MARIA DE JESUS
wallmapu
1000 veces venceremos
del cielo al suelo
y
del suelo al cielo vamos
saltando; caballito blanco vuelve pa tu pueblo no te tenemos miedo tenemos vida y fuego FUEGO EN NUESTRA MANOS fuego nuestros ojos tenemos tanta vida y esta fuerza color rojo, la niña maria no quiere tu castigo:
PEC 241
PEC 55
HENRIQUE MEIRELLES
ARMÍNIO FRAGA
PACOTE DE MALDADES
se va liberar con el suelo palestino (saharauí, curdo, zapatista); somos africanos latinoamericanos somos este sur y juntamos nuestras manos - mi cama su cama, corações partidos, quem nunca, o saldo nunca pode ser negativo. nunca me senti tão bem e tão mal sozinho, mas é assim mesmo, a gente vai levando, a gente vai transado e apagando os contatinhos e não (se) apegando. ah, a pós-modernidade! o que é subir santa teresa com uma garrafa pós-modernista, dentro de um ônibus? que cena mais pós-colonial! ou seria o contrário? ah, a gente realiza os sonhos. finalmente transei com c., quase transei com outro c., transei com l. mi cama su cama. hasta siempre, você já foi a bahia, nega? pois eu já...


socorro, o jeito que você escreve é viciante, dá vontade de ficar lendo o dia todo!
ResponderExcluirbruna-morgan.blogspot.com