registros de um relacionamento conturbado (sobre relacionar-se com meninos brancos mimados)
eu queria escrever a história desde o início, porque minha memória vem falhando cada vez mais. me pego pensando e perdendo os detalhes. eu era tão apaixonado, como que encantado, sob um encantamento complexo e forte demais ao qual não resisti e não pude resistir.
às vezes me pego ainda sob esse efeito.
recomeçando: queria escrever a história desde o início, mas não só o que foi o meu ponto de vista: a relativização demais dos fatos tornaria a isso tudo uma incongruência sem tamanho. eu não falaria, então, do meu ponto de vista, nem de como me senti, mas sim de como me comportei, do que vi, do que li, do que ouvi.
de modo geral, toda vez que nos encontramos, me vejo ouvindo a história ser reescrita. refalada, como se o que tivesse acontecido não tive acontecido, em lugar disso aconteceu o que você me fala 2 anos depois. quando em julho eu perguntei "você quer namorar comigo", essa pergunta ocorreu um mês após eu ser insistentemente perguntado quando eu te pediria em namoro; qual não é minha surpresa de saber que hoje isso já está invertido: não sou eu insistia que eu fosse pedido em namoro, como eu também perguntei se havia desejo de namorar.
ou então que eu pressionei pela monogamia; disso, tenho certeza que não perguntei, nem exigi, ou coisa similar. lembro de ter falado, em maio, após uma piada sobre DST, e em resposta a essa piada, que a única possibilidade de eu estar ali com uma DST seria se tivesse contraído a partir de você, pois minha última transa tinha sido um tempo antes, com camisinha, e eu não saía com mais ninguém além de você há mais de um mês.
o fato foi que nesse período (entre sair de fato, às claras sobre desejos e vontades) e pedir em namoro, eu não saía com mais ninguém, não usava aplicativos, ou estabelecia contatos com intenções afetivas com outras pessoas - ao contrario do que te ocorria,
perdi as contas de quantas vezes você me mostrou algo em seu celular e tentou que eu não percebesse a quantidade de notificações de tinder ou algum outro aplicativo, ou então de mensagens de outros caras que surgiam na tela.
é muito triste para mim que eu tenha que constantemente batalhar para que minha memória não seja submergida por essa nova memória que tenta encher minha mente, e que provavelmente é a escolha mais fácil, um caminho de me pintar como responsável por você assumir um compromisso monogâmico (tenho lá minhas dúvidas sobre), quando na verdade você não queria. ora, fica claro para mim que o que se desejava era a minha exclusividade e que eu aceitasse as suas caças, para o seu bem estar ao ser desejado por outro homem "bonito e gostoso". a mim me bastou me sentir desejado e amado e objeto de afeto de um homem só, agora talvez não mais, talvez eu já me despeça dessa paixão cega e enfeitiçada.
ou que eu fosse ciumento em excesso, e não o contrário. não nego que posso ser ciumento, claro, mas sim em situações que vejo claramente que algo acontece. todos os momentos que tive ciúmes, eu tenho certeza que havia algo lá. como? não tenho provas mas convicções. o que vem ao caso aqui é que nesses momentos em que expressei ciúmes, eu era recriminado e rebaixado.
noutros momentos eu tinha que ouvir que fulano e sicrano eram gatos e gostosos, mas quando eu apontei um ator bonito na tv, recebi gelo o resto do filme. e no fim eu era o excessivamente ciumento, não é mesmo?
talvez eu esteja errado em atribuir isso o nome de gaslighting.
ou quando tive que ouvir que eu não me mostrei aberto a discutir relacionamentos abertos, ou não quis saber de participar de ménages e coisas do tipo, quando na primeira vez que o assunto ménage veio à tona, e eu expressei minha opinião com base em experiência própria, fui novamente humilhado e tive que ouvir "isso não é o tipo de coisa que você fala ou conte ao seu namorado" (mas ele pode me contar que havia feito já).
ainda sobre relacionamentos abertos: eu ouvi a conversa que rolava entre você e meu amigo, mas em nenhum momento fui perguntado sobre minha opinião e meu desejo em relação a isso.
aquela vez que postei uma foto porque me achei bonito, sorrindo, na praia aqui perto de casa, num dia que passeei com uma grande amiga. recebi dois dias de gelo, sem saber a razão, mas claramente foi a foto. associei que para ter menos problemas no meu relacionamento, eu deveria postar menos fotos minhas, menos selfies. eu percebi que você não curtia minhas selfies e fotos em que eu era o centro as atenções.
como você me falou numa dessas conversas por sms em que você despeja conteúdos agressivos e ciumentos e possessivos: "você está se valendo da sua beleza na internet" ora, e agora é errado postar fotos quando se sente bonito? não é para isso que serve o instagram? você não faz o mesmo? repete a mesma frase para seus amigos?
eu não pude viajar para conhecer uma nova cidade, na presença de amigos, hospedado por uma pessoa que conheço a anos, isso é "um grande movimento afetivo"; mas o contrário pode, passar semanas na companhia de amigos recém-adquiridos, noutra cidade, isso é permitido.
porque foi você quem fez isso. se fosse eu, é um grande movimento afetivo. é feio, é errado.
quando diversas vezes eu fiquei ansioso e me senti mal aguardando uma resposta, era normal, afinal: um dia longo cansativo, "trabalhei feito uma cachorra", e eu tenho certeza que nunca joguei esse peso sobre, era minha ansiedade que eu deveria lidar e trabalhar com mas o contrário, bom, aí é gravíssimo, uma falta horrorosa, não respeito ou amo o suficiente, eu devo ser mesmo um lixo de homem.
ou não, no fim das contas eu ajo infantilmente. não nego que em alguns momentos sim, agi, todos agimos. o que é ser criança, afinal? não sei, vivi no limiar da responsabilidade excessiva, então a maioridade e assim, a chegada à vida adulta foi só mais uma formalidade.
e sobre não sustentar, quem não sustenta aqui? eu sustentei minhas decisões afetivas, sustentei meus erros, pedi desculpas por ele, me abri ao diálogo - e isso quando já estava claro que não havia diálogo. tive eu ouvir que inventei isso tudo aqui para ser mais fácil o término. eu não inventei que fui traído, ou que era tolhido dentro do relacionamento. diversas vezes você mesmo reconheceu isso. e não é fácil, esse papel é horroroso.
e agora me pregunto porque se ater, então, a transformar pequenas coisas que ambos fizeram e fazem como se fossem pecados capitais e crimes contra a humanidade quando são de responsabilidade minha, e diminuir e tentar anular a existência quando são responsabilidade sua?
uma das minhas partes mais difíceis é ter que ouvir "você é tão passivo, não só na cama, mas em tido, e você não buscava o sexo".; realmente, eu lembro de um dia que eu mandei mensagem "quantas transas merece essa putana antes de dormir" seguida de uma selfie minha, e o que recebi foi: silêncio. ou então quando demonstrei desejo na cama, e ouvi "eu não sou uma máquina de sexo".. mas eu que não busquei, ne: ou fui condicionado a que o sexo só ocorresse quando você queria? como por exemplo ao acordar, a gente transava, mesmo que eu mal abrisse o olho e retornasse ao sono profundo imediatamente. uma vez eu comentei "por mais que seja gostoso e eu goze, bom, eu to dormindo, e isso pode ser visto como assédio".
no final, a culpa da pessoa que hierarquicamente estava abaixo no relacionamento - o passivo, o que não tem voz - é dela mesma: não falou porque não quis, você nunca me falou seus sentimentos, você não se esforçou, você não me amou como te amei, você não falava que me amava, uma sucessão de frases horrorosas com o intuito de fazer o outro se sentir culpado por aquilo que não era responsável.
eu não era responsável pelo mau relacionamento familiar - mas ele afetou o nosso relacionamento. ser chamado de mãe, e ser atribuído a um papel maternal/paternal que não deveria, e ainda ouvir que isso deveria ser recebido com lisonja e como elogio. ora, mas se o relacionamento maternal/paternal era tão conturbado como eu enxergaria isso como elogio? e por que, quando a mim não cabe ser mãe e pai do meu namorado?
tento assim deixar registrado não só o que senti, o meu ponto de vista, mas colocar também frases da forma exata como saíram de outra boca e após isso entraram em meu ouvido. não sei qual o objetivo disso: desse texto para além do registro, do que ouvi, vivi e senti. é um esforço cotidiano não me deixar no ciclo que foi o período entre março e dezembro de 2018. lembra que ouvi "já não sinto desejo por você, não quero deitar na mesma cama, tenho nojo" ou "quero transar com o fulano" e ao mesmo tempo me deixar nessa armadilha que era o relacionamento, em que eu apaixonado não tinha forças para colocar um fim, e ainda batalho para que o término ocorra (hoje).
talvez ocorra mesmo, esse término e que em sua mente e na daqueles em que você conseguiu fazer acreditar que eu inventei a vítima, e na verdade a vítima é você, talvez seja só um sonho, uma realidade paralela.
mas eu registro aqui para que na minha mente não se apague o que eu vivi, o que ouvi, o que senti, da forma como ocorreu. pode não haver verdade absoluta, ou coisa parecida, mas também se diz que contra fatos não há o que se discutir, e por fim, que meus fatos podem estar so registrados na minha memória, e não haver provas físicas e documentais, mas foi o que ocorreu, e assim encerro.
às vezes me pego ainda sob esse efeito.
recomeçando: queria escrever a história desde o início, mas não só o que foi o meu ponto de vista: a relativização demais dos fatos tornaria a isso tudo uma incongruência sem tamanho. eu não falaria, então, do meu ponto de vista, nem de como me senti, mas sim de como me comportei, do que vi, do que li, do que ouvi.
de modo geral, toda vez que nos encontramos, me vejo ouvindo a história ser reescrita. refalada, como se o que tivesse acontecido não tive acontecido, em lugar disso aconteceu o que você me fala 2 anos depois. quando em julho eu perguntei "você quer namorar comigo", essa pergunta ocorreu um mês após eu ser insistentemente perguntado quando eu te pediria em namoro; qual não é minha surpresa de saber que hoje isso já está invertido: não sou eu insistia que eu fosse pedido em namoro, como eu também perguntei se havia desejo de namorar.
ou então que eu pressionei pela monogamia; disso, tenho certeza que não perguntei, nem exigi, ou coisa similar. lembro de ter falado, em maio, após uma piada sobre DST, e em resposta a essa piada, que a única possibilidade de eu estar ali com uma DST seria se tivesse contraído a partir de você, pois minha última transa tinha sido um tempo antes, com camisinha, e eu não saía com mais ninguém além de você há mais de um mês.
o fato foi que nesse período (entre sair de fato, às claras sobre desejos e vontades) e pedir em namoro, eu não saía com mais ninguém, não usava aplicativos, ou estabelecia contatos com intenções afetivas com outras pessoas - ao contrario do que te ocorria,
perdi as contas de quantas vezes você me mostrou algo em seu celular e tentou que eu não percebesse a quantidade de notificações de tinder ou algum outro aplicativo, ou então de mensagens de outros caras que surgiam na tela.
é muito triste para mim que eu tenha que constantemente batalhar para que minha memória não seja submergida por essa nova memória que tenta encher minha mente, e que provavelmente é a escolha mais fácil, um caminho de me pintar como responsável por você assumir um compromisso monogâmico (tenho lá minhas dúvidas sobre), quando na verdade você não queria. ora, fica claro para mim que o que se desejava era a minha exclusividade e que eu aceitasse as suas caças, para o seu bem estar ao ser desejado por outro homem "bonito e gostoso". a mim me bastou me sentir desejado e amado e objeto de afeto de um homem só, agora talvez não mais, talvez eu já me despeça dessa paixão cega e enfeitiçada.
ou que eu fosse ciumento em excesso, e não o contrário. não nego que posso ser ciumento, claro, mas sim em situações que vejo claramente que algo acontece. todos os momentos que tive ciúmes, eu tenho certeza que havia algo lá. como? não tenho provas mas convicções. o que vem ao caso aqui é que nesses momentos em que expressei ciúmes, eu era recriminado e rebaixado.
noutros momentos eu tinha que ouvir que fulano e sicrano eram gatos e gostosos, mas quando eu apontei um ator bonito na tv, recebi gelo o resto do filme. e no fim eu era o excessivamente ciumento, não é mesmo?
talvez eu esteja errado em atribuir isso o nome de gaslighting.
ou quando tive que ouvir que eu não me mostrei aberto a discutir relacionamentos abertos, ou não quis saber de participar de ménages e coisas do tipo, quando na primeira vez que o assunto ménage veio à tona, e eu expressei minha opinião com base em experiência própria, fui novamente humilhado e tive que ouvir "isso não é o tipo de coisa que você fala ou conte ao seu namorado" (mas ele pode me contar que havia feito já).
ainda sobre relacionamentos abertos: eu ouvi a conversa que rolava entre você e meu amigo, mas em nenhum momento fui perguntado sobre minha opinião e meu desejo em relação a isso.
aquela vez que postei uma foto porque me achei bonito, sorrindo, na praia aqui perto de casa, num dia que passeei com uma grande amiga. recebi dois dias de gelo, sem saber a razão, mas claramente foi a foto. associei que para ter menos problemas no meu relacionamento, eu deveria postar menos fotos minhas, menos selfies. eu percebi que você não curtia minhas selfies e fotos em que eu era o centro as atenções.
como você me falou numa dessas conversas por sms em que você despeja conteúdos agressivos e ciumentos e possessivos: "você está se valendo da sua beleza na internet" ora, e agora é errado postar fotos quando se sente bonito? não é para isso que serve o instagram? você não faz o mesmo? repete a mesma frase para seus amigos?
eu não pude viajar para conhecer uma nova cidade, na presença de amigos, hospedado por uma pessoa que conheço a anos, isso é "um grande movimento afetivo"; mas o contrário pode, passar semanas na companhia de amigos recém-adquiridos, noutra cidade, isso é permitido.
porque foi você quem fez isso. se fosse eu, é um grande movimento afetivo. é feio, é errado.
quando diversas vezes eu fiquei ansioso e me senti mal aguardando uma resposta, era normal, afinal: um dia longo cansativo, "trabalhei feito uma cachorra", e eu tenho certeza que nunca joguei esse peso sobre, era minha ansiedade que eu deveria lidar e trabalhar com mas o contrário, bom, aí é gravíssimo, uma falta horrorosa, não respeito ou amo o suficiente, eu devo ser mesmo um lixo de homem.
ou não, no fim das contas eu ajo infantilmente. não nego que em alguns momentos sim, agi, todos agimos. o que é ser criança, afinal? não sei, vivi no limiar da responsabilidade excessiva, então a maioridade e assim, a chegada à vida adulta foi só mais uma formalidade.
e sobre não sustentar, quem não sustenta aqui? eu sustentei minhas decisões afetivas, sustentei meus erros, pedi desculpas por ele, me abri ao diálogo - e isso quando já estava claro que não havia diálogo. tive eu ouvir que inventei isso tudo aqui para ser mais fácil o término. eu não inventei que fui traído, ou que era tolhido dentro do relacionamento. diversas vezes você mesmo reconheceu isso. e não é fácil, esse papel é horroroso.
e agora me pregunto porque se ater, então, a transformar pequenas coisas que ambos fizeram e fazem como se fossem pecados capitais e crimes contra a humanidade quando são de responsabilidade minha, e diminuir e tentar anular a existência quando são responsabilidade sua?
uma das minhas partes mais difíceis é ter que ouvir "você é tão passivo, não só na cama, mas em tido, e você não buscava o sexo".; realmente, eu lembro de um dia que eu mandei mensagem "quantas transas merece essa putana antes de dormir" seguida de uma selfie minha, e o que recebi foi: silêncio. ou então quando demonstrei desejo na cama, e ouvi "eu não sou uma máquina de sexo".. mas eu que não busquei, ne: ou fui condicionado a que o sexo só ocorresse quando você queria? como por exemplo ao acordar, a gente transava, mesmo que eu mal abrisse o olho e retornasse ao sono profundo imediatamente. uma vez eu comentei "por mais que seja gostoso e eu goze, bom, eu to dormindo, e isso pode ser visto como assédio".
no final, a culpa da pessoa que hierarquicamente estava abaixo no relacionamento - o passivo, o que não tem voz - é dela mesma: não falou porque não quis, você nunca me falou seus sentimentos, você não se esforçou, você não me amou como te amei, você não falava que me amava, uma sucessão de frases horrorosas com o intuito de fazer o outro se sentir culpado por aquilo que não era responsável.
eu não era responsável pelo mau relacionamento familiar - mas ele afetou o nosso relacionamento. ser chamado de mãe, e ser atribuído a um papel maternal/paternal que não deveria, e ainda ouvir que isso deveria ser recebido com lisonja e como elogio. ora, mas se o relacionamento maternal/paternal era tão conturbado como eu enxergaria isso como elogio? e por que, quando a mim não cabe ser mãe e pai do meu namorado?
tento assim deixar registrado não só o que senti, o meu ponto de vista, mas colocar também frases da forma exata como saíram de outra boca e após isso entraram em meu ouvido. não sei qual o objetivo disso: desse texto para além do registro, do que ouvi, vivi e senti. é um esforço cotidiano não me deixar no ciclo que foi o período entre março e dezembro de 2018. lembra que ouvi "já não sinto desejo por você, não quero deitar na mesma cama, tenho nojo" ou "quero transar com o fulano" e ao mesmo tempo me deixar nessa armadilha que era o relacionamento, em que eu apaixonado não tinha forças para colocar um fim, e ainda batalho para que o término ocorra (hoje).
talvez ocorra mesmo, esse término e que em sua mente e na daqueles em que você conseguiu fazer acreditar que eu inventei a vítima, e na verdade a vítima é você, talvez seja só um sonho, uma realidade paralela.
mas eu registro aqui para que na minha mente não se apague o que eu vivi, o que ouvi, o que senti, da forma como ocorreu. pode não haver verdade absoluta, ou coisa parecida, mas também se diz que contra fatos não há o que se discutir, e por fim, que meus fatos podem estar so registrados na minha memória, e não haver provas físicas e documentais, mas foi o que ocorreu, e assim encerro.
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