sobre a corrida do pó

white rich kids drown
"segura minha mão que eu nao gosto de andar sozinho", e assim caminhamos. o sol já estava alto, que horas eram? nao me atrevi a olhar meu iphone sem chip. preferi ficar apreensivo assim mesmo.

alguns momentos antes a vida mudou como se um furacão tivesse passado. de repente, as frases mudaram, envolviam terceiros invisíveis. como lidar? "segura a minha mão que eu nao gosto de andar sozinho" era a resposta a todos os "eu te amo", "eles nao podem saber", "quero ficar com você", "mãe, eu amo ele" e "eu nao posso, nao consigo fazer o que você quer fazer comigo".

a cada 10 segundos mudava; num tanto era muito amável, noutro agressivo. também passou pelo muito feliz e o muito triste. os olhos chorosos era sucedido por um sorriso que se abria ao encontrar meu olhar (talvez repreensivo, talvez penoso). as palavras sem nexo que se trocavam na boca por outras sem nexo também, porém acompanhando a mudança de humor e sentimento.

no final um "vem comigo", mas já era tarde: eu nao aguentava mais. a corrida até o ônibus e aquela expressão que cortou meu coração, mas aquilo tudo dito e passado nao era por mim. era por outro.

do pó viemos e ao pó voltaremos, mas sobre o pó: nao usaremos.

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