do dia sem borboletas (2)

"então é isso só mesmo?", eu pergunto, mas a resposta não vem. a resposta nunca vem, mesmo porque sou eu que imagino tudo, e eu sou muito egocêntrico e burro para imaginar diálogos. "é isso, assim, quieto?" repito; olho para a parede. olho para a fonte no meio do pátio. o musgo amarelado de tanto tempo que não vê água, chega a causar uma impressão horrível.

"na verdade, nunca dissemos bye-bye, se é que isso existe". o chafariz parece que sempre foi assim, sem vida; eu pareço sem vida. "na verdade, acho que a última coisa foi sei lá, aniversário?", eu continuo só de forma a preencher o vazio que me oprime. o vazio que, na verdade, me ocupa. acho que o certo, então, é repelir o vazio. "... aniversário?", eu continuo só de forma a repelir o vazio que me ocupa, me preenche e me oprime. como se o universo estivesse em mim e fora de mim, vazio e cheio ao mesmo tempo.

"como eu odeio esse lugar, você nao diz nada?", pergunta retórica, que não deve ser respondida. parece que eu sempre falo comigo, mas é de novo essa ideia de que não imagino diálogos. não imagino cenas. ah, como me cansa. "anyways, faz tanto tempo", eu termino, e corro e peço a primeira pessoa que me dê parabéns por não ter sentido borboletas no estômago.

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