arrastado pelos acontecimentos da semana
vesti minha camisa de seda verde floresta e saí do quarto. levava comigo o necessário para ir embora sem precisar voltar, se fosse o caso, até mesmo deixaria aquela roupa para lá. andei pela lapa, do bairro de fátima ao catete, o sol esquentava e a seda, apesar de leve, me fazia suar. passei no salão e marquei um horário.
retornei a rua, caminhava sem rumo. pensei em comprar um livro. desisti. tinha comigo uma caneta, decidi então por comprar um cartão com a palavra SORTE em garrafais. sentei para um café, escrevi:
nunca foi
SORTE
sempre foi
chorei desnecessariamente. jamais enviei ou entreguei aquele cartão. reescrevi algumas vezes. colei as duas páginas e reescrevi no verso. não o enviei, mesmo assim. voltei ao salão, os olhos vermelhos de choro. disfarcei, como sempre, disfarcei muito bem e segui com as miudezas e pequenezas da vida. retornei o caminho, cabelo cortado, o calor opressivo do rio de janeiro me fazia suar cada vez mais.
subi a nossa senhora de fátima, sentei naquele bar de esquina defronte à praça onde já tinha estado com bárbara e maria séculos atrás. liguei para paula enquanto bebia cerveja. chorava em excesso.
depois de bêbado, paguei a conta e voltei. aguardei no lobby, depois fui para a piscina.a frouxidão dos homens me enoja. fiquei a boiar, a sentir o sol, o vento frio, a água, o ouvido debaixo d'água causando uma surdez para o mundo exterior. só ouvia o movimento da água e alguns pensamentos que também boiavam no mar revolto que era minha mente.
vi-o chegar e logo se ir, dizendo aquelas mesmas baboseiras de sempre. a solidão, eu penso como uma explicação. o sol já quase se punha. logo me fui, também. o céu alaranjado pelo pôr do sol, um incêndio multicolorido. as labaredas de fogo consumiam o ar a volta, o calor que emanava das chamas também era opressiva como o calor do rio de janeiro.
dei meia-volta. a noite chegava. na esquina daquela rua suja, pedi um carro para casa.
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