das desculpas esfarrapadas e de como farejo o futuro que nos aguarda
[ouço o piano elétrico tocar no meio da balbúrdia de instrumentos]
eu devia ter escrito isso há um ano atrás, ou quase um ano atrás. há um ano atrás, exatamente, eu estava de férias na bahia, tal qual minha vó Olga em algum ano da década de 50 ou 60. diferente da minha vó Olga, eu não levei nenhum caderninho para fazer de diário de viagem...
mas fato é que eu devia ter escrito há quase um ano atrás, devia ter-lhe dito já desde o início, relatar esse início errado e torto que eu produzi; que eu causei, impus, tracei como meta, como destino e que logo quis reordenar e mudar, por capricho meu, capricho do kleber - kleber, aquele safado & cretino galanteador barato que me faz cometer algumas loucurinhas e levar essa vida em frente.
pois que eu na mesma hora recobrei os sentidos e naquela caminhada no corredor aberto, frio, de paralelepípedos e muros recobertos por plantas, tentei: cê tá chateado? desculpa.
o que mais me doeu, que mais me roeu foi a porrada na boca do estômago que eu recebi, ou antes tivesse recebido. o que mais dói é o mudar de ideia em meio ao decurso, descendo as ladeiras do pelourinho e logo querer subir de novo, no meio da multidão - ainda que, naquele dia, no pelourinho, ali, naquela hora, o pelourinho estivesse vazio. e ainda assim tão difícil era retornar para o alto...

e, mesmo assim, refiz o caminho, tão rápido quanto pude, breve estava de volta, agora o alto do pelourinho era outra realidade. eu queria estar de novo entre-corpos colado ao teu, os pés enlaçados aos teus, queria de novo olhar o céu azul e fazer piadas - comportamento de recém-amantes após sair do banho e andar pelas ruas da cidade como cúmplices de um grande segredo de Estado ou ainda recipientes da verdade absoluta sobre a felicidade na terra ou em marte ou na lua.

e, mesmo assim, refiz o caminho, tão rápido quanto pude, breve estava de volta, agora o alto do pelourinho era outra realidade. eu queria estar de novo entre-corpos colado ao teu, os pés enlaçados aos teus, queria de novo olhar o céu azul e fazer piadas - comportamento de recém-amantes após sair do banho e andar pelas ruas da cidade como cúmplices de um grande segredo de Estado ou ainda recipientes da verdade absoluta sobre a felicidade na terra ou em marte ou na lua.
ainda que só eu sentisse isso - e provavelmente estava só - e ainda que só estivesse no sentir e comportar-se: ansioso & instável, abalado, emocionalmente imaturo [infantil até], ingênuo - mergulhar ali naquele momento como se, ao olhar o Chafariz de Mestre Valentim, olhasse para o mar de 1808 e ali estivesse a me molhar nas margens da baía da Guanabara, encharcado até o último fio de algodão que cobria minha pele, completamente sereno.
e era o que eu queria vir dizer, o que deveria e queria ter dito antes, mas não me era possível: como eu queria refazer ali a cena e como me era impossível, o que me significou toda aquela caminhada e ter pedido desculpas ou então de como de início eu só fiz aquilo porque acredito que do futuro tem maiores coisas para viver juntos.
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