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o verdadeiro cinturão verde

Eu lembro (como eu detesto começar assim) de ter lido, quando criança (bem, eu já tinha uns 13 anos), de ter lido sobre a primeira mulher africana a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, Wangari Mathaai. E se eu me recordo bem, eu pensei que eu queria, um dia, ser igual a ela, eu queria tentar mudar o mundo, e talvez conseguir, e quem sabe (crianças, jovens são sempre assim) ser reconhecido por isso. Pois bem que hoje Wangari Mathaais reaparece, uma tristeza; alguém que realmente fazia a diferença nesse mundo, que soe clichê. Ainda quero ser tal como Wangari Mathaai.

sobrevivendo.

- Tudo bem? - é, tô sobrevivendo. Eu sempre me pego pensando em responder isso; na verdade, eu várias vezes respondo isso, ou então mando logo "de mal a pior", "duas palavras: inferno astral (apesar de não estar perto do meu aniversário, e sim, foram mais que duas palavras agora, são vinte palavras - sem contar essas depois do vinte, estou com preguiça). A verdade é que ninguém, eu friso, ninguém, leva a sério. Volto aqui à tecla do as pessoas estão muito individualistas e insensíveis, ou somente é tudo uma impressão minha? Eu queria agora ter a coragem de cortar os pulsos e pular pela janela, causando um estardalhaço tamanho que não se repetiria no comoção de meus amigos e familiares, ou pior, largar essa vida chata e chutar o balde, e comprar passagens para além-mar, para Santa Maria Madalena, para Imperatriz e Teresina (sim, duas cidades criadas e nomeadas em homenagem à imperatriz Teresa Cristina, ô mulher) e viver na Chapada Diamantina procurando pedras p...

iFCS

saudades de um tempo e um lugar que não acontecerá nunca mais, por mais clichê que possa parecer, e por mais que eu saiba que mesmo que ainda o lugar fosse o mesmo, a situação seria a mesma.

hace tiempo.

*obrigado, eu deveria dizer. Caio disse (18:01): *quer dizer. *não, não queria, mas enfim.

apenas um 'gap'.

Uma coisa que sei é que eu gostaria de poder conseguir chorar. Por mais água que eu beba, um mililitro sequer se transforma em lágrima. Acabaria o Paraíba do Sul. Esse vazio aqui, apenas um gap . Um gap no que eu vejo, no que eu sinto, no que eu penso, no que eu existo. Eu não existo, deve ser isso. Apenas um gap na alma que faz com que eu desapareça, e passe desapercebido. Desapercebido de todos, e por todos, que pouco se importam com o que o outro sente, talvez não por desejo ou indiferença ou insensibilidade, mas porque a vida moderna assim dita as tendências. O individualismo máximo, expressão principal e perversa dessa nossa modernidade. Porque eu digo que fugirei, fugirei de mim mesmo, de meu nome, de meu país, e me chamarei Tobias, simples assim . Porque ninguém me entende, muito menos eu que é quem mais chega perto do cerne da questão. À decadência digo nada. O meu silêncio me basta suficientemente.

Da invisibilidade.

Exatamente em momentos como esse eu fico basicamente assim: os braços pesam, a mente parece que deu pane. Vem aquele grito incontido que não sai de jeito nenhum, e as lágrimas que são secas. As pessoas se perguntam, me perguntam e perguntam aos outros, pois eu não explico, muito menos elas entendem o que eu falo. A verdade é que não estou emputecido; a verdade, puramente, a verdade simples é que aquele momento chegou, desvatador, como eu já imaginava. Não há maneira para que eu vá, que eu continue, porque eu, eu simplesmente estaquei. Finquei os pés no presente. Em momentos como esse que eu queria voltar no tempo. Ou basicamente sumir. Ou dormir e acordar no futuro quando tudo já será pronto. Acho que prefiro sumir, me esconder do apocalipse, antes que o mundo acabe.

(des)sabor.

Eu teria dito tudo não fosse por medo de tudo. Não fosse por medo de ser mal-entendido. Mas eu tenho a leve impressão de ter sido algo do tipo feitiço-que-vira-contra-o-feiticeiro, ou talvez mais além, porque o feiticeiro seja de araque, e tenha sido desde sempre enfeitiçado. Talvez realmente tenha ido além, quando da falação, daquela falação. O ponto foi passado, certamente, e Istambul é realmente um lugar interessante, e isso (aqui) talvez seja um reação absurdamente exagerada e ultrajada.  O além é sempre algo charmoso e interessante e hipnotizante. Eu queria estar além, vou-me para Além-Paraíba que talvez ajude (pelo menos em parte, com um quase-trocadilho). Mais ainda, o que talvez, e provavelmente, não faça sentido, é que eu não guardo lembranças, não lembro, ou não recordo, e tenha esquecido mesmo. Não estava em condições de fazê-lo. Não mesmo. Eu lembro de tudo e nada ao mesmo tempo. Falta a memória sensorial agora, quando esbanjo memória fotográfica. Menti, talvez...

Querido Tom 50 (Caso sério)

Rio, agosto de 2011. Querido Tom, eu juro que queria escrever algo sério aqui hoje, mas confesso que este não é o lugar certo para isso, aqui só se escrevem bobagens. Eu poderia falar do apocalipse que se avizinha em 2012, mas tenho preguiça. Eu poderia falar da escalada de tensões que se observa no mundo, mas eu tenho preguiça. Eu tenho preguiça da vida, quem sabe. Falemos, então, da preguiça da vida. É tamanha minha preguiça que eu tenho preguiça de ter preguiça da vida, eu acho. Eu continuo vivendo, nesse mundo maluco, que me irrita.  Eu gostaria de falar também da irritação que me causa a falta de respostas, essas coisas enigmáticas que me propõem e que me privam do direito à informação e resposta. Só me frusta mais ainda. Hmm. Deve ser isso, eu ontem estava irritado, mas feliz, e hoje eu estou irritadamente irritado sem ser feliz. E tenho fome. E quem tem fome tem pressa. Acho que escreveria um livro qualquer dia desses. Deve ser fácil como jogar video...

Querido Tom 49 (cheio de som e fúria)

Rio de Janeiro, 02 de Agosto de 2011. Tarde. Nublado. Sala fechada com ar-condicionado barulhento. Querido Tom, o filme é sensacional. Chorei feito criança, copiosamente. Ri um pouquinho também.  Vi 'Som e Fúria' esses dias, e achei Laiane a cara da Andrea Beltrão, sinceramente. Desculpe te usar para possivelmente passar um recado. Tenho pensado nos Correios ultimamente, acho que chega o tempo de enviar cartas. Cansei das ligações que recebi, e adivinhe só se no meu histórico de chamadas não existem os números que ligaram incessantemente por mais de quatro dias? Penso na adoção de uma regra de gravar todos os números com quem me comunico uma vez na vida com nome para não sofrer trotes de gente conhecida. A única coisa que me incomoda é essa gente que não tem nada a fazer e liga para os outros, importunando. Vou terminar aqui com algumas citações: "spending my time, watching the days go by" "não jure, simplesmente" "a...

A sorte nas folhas de sonhos de Sibila de Cumas.

Olha eu aqui falando de meus sonhos de novo. Essa noite eu sonhei com cobras & lagartos. Mentira. Sonhei com cobras e gatos. As cobras eram mansinhas só brigavam entre elas, e a cobra que ficava lá em casa fugia com medo das outras. Interpretação dessa parte do sonho: alguém muito falso sairá de perto de mim. Depois, sem as cobras, eu ia para o jardim, e havia muitos gatos na rua. Eu os chamava e eles viam, e entravam na minha residência, que afronta. Interpretação dessa parte do sonho: gente mexeriqueira entrará em minha vida. Interpretação psicanalítica: sempre, sempre, sempre tem algo a ver com sexo. Isso diz o livro de Sibila de Cumas que tem lá na estante de casa. Muito útil para esses momentos, apesar de eu ter feito essa interpretação sozinho. Continuando nesse ramo obscuro de nossas vidas e mentes, eu tenho medo de meus sonhos. Não que eu não gosto deles, não mesmo; mas tenho medo, e deve ser exatamente por ser esse ramo obscuro de nossas vidas e mentes.  S...