faz tempo que não venho aqui nesse lugar; lembrei de l. me sugerindo que escrevesse, mas isso já faz tanto tempo, talvez dois anos. fiquei esse tempo todo sem vir aqui. mais de dois anos. inimaginável algum tempo atrás, mas o que a internet se tornou? esse espaço que trazia para perto tanta coisa, e agora é simplesmente uma prisão de atenção. queria estar offline, mas cá estou tentando trazer alguma ordem à mente. também buscando retomar uma prática e não viram completamente um tecnoburocrata , precisamos mesmo exercitar a mente para os assuntos além do trabalho e da internet-prisão . (algo me diz que isto não será lido, o que me traz certo conforto) as últimas vezes que estive aqui acredito eu que estava apaixonado. talvez ainda esteja, mas acredito que não mais, em vista da apatia que me envolve. pensando em "antes do amanhecer" e me deu quase uma saudade de me apaixonar. seria uma diversão nova em contraponto às últimas interações romântico-sexuais em...
deitado de bruços, sinto minha saúde cada vez mais tornando-se frágil, a ponto de rasgar a pele que recobre meu tórax, fazendo aparecer as costelas, os músculos e, ali dentro, meus pulmões, meu coração. a chuva cai sobre toda a casa, batendo incessante nas telhas de amianto, escorrendo pelas escadas, alagando o portão. respiro normalmente, mas também acredito que faço uma força exagerada para manter-me assim. nas minhas fantasias, um homem me propõe e me salva desse martírio que é ter de ficar deitado de bruços ouvindo a chuva lá fora cair, um tédio que me assola sem possibilidade de escape, tal qual uma cidade sitiada por um exército monstruoso e sanguinário nada tem a fazer a não ser esperar por alguma intervenção divina poderosa a seu favor. eu, contudo, também sei que essa fantasia não é nenhuma profecia, nenhum oráculo proferiu palavras nesse sentido; busco na minha memória, então, formas de sacralizar os desencontros da vida. de olhos fechados, um leve gingado desconcertado,...
passo um perfume que tenho há anos; a essa altura, todos os perfumes tem o mesmo cheiro, o de perfume já vencido. na infância eu lembro dos perfumes de minha vó, de minha mãe, todos com o mesmo cheiro forte, seco, todos os perfumes acabam por ficar com tons amadeirados, talvez? as minhas águas de colônias infantis também tinha esse mesmo cheiro. agora penso se já não as ganhava vencidas ou se na década de 90 era condição sine qua non que toda água de colônia tivesse esse cheirinho já de vencido, passado. então saio de casa, com esse cheirinho de quem já passou do tempo...
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