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querido tom 67

querido tom, quanto tempo, não é mesmo? e em que furada eu fui me meter! como da última vez, acabei de ler o provérbio árabe "se a palavra é prata, o silêncio é ouro" e isso me acabou trazendo uma calma. verdade? mentira? a tentativa não tem eficácia - é isso mesmo? continuo aqui na mesma tentativa: a história cíclica, o assombro, aquele fantasma... mas tu, como bom ouvinte, já sabes toda essa baboseira de que me refiro. será que dessa vez terei um final diferente? o medo é tão grande.  ao fim disso, dessa comunicação, é, novamente, mais do mesmo e nada novo sob o sol do rio de janeiro: como tu me conheces, permaneço aquele mesmo que te escreveu da primeira vez quando arrancava os sisos e perdia o juízo - imaturo, emocionalmente; vazio, afetivamente. há espaço para mudar?

da ansiedade e seus mini-choques

[segunda] apoio minhas mãos sobre meus joelhos ossudos e inclino a cabeça em direção ao banco da frente. pela janela, entra uma fresca brisa que, se estivesse calor, me acalmaria. mas não é calor o que sinto, tampouco a brisa me acalma. olho a volta, giro o pescoço, procuro. volto a atenção da minha mente para as palmas das minhas mãos, esticadas, sobre os joelhos, na esperança de que isso, sim, vai me trazer calma; tentativa frustrada como a de rae earl em my mad fat diary (nota mental: assistir novamente). (vejo um policial gato na rua) [sábado] acordo e olho o teto. me movimento da cama em direção ao sofá. deito novamente. adormeço. o nó na garganta me impede de falar. adormeço. calafrios perpassam meu corpo, como que mini-choques. os mini-choques tornam o sono difícil, mas o sono é melhor que estar acordado. não consigo falar. não consigo falar, apesar de saber que deveria vomitar aquilo que está em minha cabeça. mas o que está em minha cabeça? não consigo identifi...

do lado de fora da janela

do lado de fora da janela os passarinhos cantam e os raios de sol brilham há vida daquele lado enquanto aqui, deste lado eu me esparramo pela cama, olho o teto e inutilmente me perco nos pensamentos nos meus pensamentos de que a vida aqui, do lado de dentro da janela onde os passarinhos não cantam e os raios de sol brilham fracos, através das cortinas e eu, deitado na cama olhando o teto perdendo as horas sinto no estômago toda a ânsia de viver esvair-se pelos intestinos escorrendo até meus pés imóveis até que ouço o ronrom e a gata sobe ao meu lado deitada na cama a olhar o teto inutilmente perdendo-se nos pensamentos felinos mas de que a vida aqui do lado de dentro da janela tem motivo para ronronar [apesar de os passarinhos cantando assoviando estarem, como sempre do lado de fora da janela]

Q&A: por que, caio?

por que, caio? por que? posso inventar +1 motivo pra disfarçar; baby, baby, baby: vamos ser sinceros  a cena repete noutro canto da metrópole, mas ainda às 9h da manhã eu estou sentado no colo de alguém. olho para o alto e tapo os olhos, arrasto a mão pelos cabelos, como que pensando, mas naquela hora só penso em como estou novamente viciado em enroscar os pés & ficar abraçado, sentido o suor, a camisa suada, o cheiro de suor leve. o corpo quente, as meias sujas que sobrepostas mostram um contraste do que a cena realmente é. eu, ali, por cima, sem camisa; você, por baixo, com camisa. eu, cheio de pudor, você, despudorado. eu poderia seguir: caça-caçador, contido-voraz, despretensioso-_________; o que, mesmo? essa última, é o que mesmo? ali, além do suor escorrendo pela febre que passava ou pelo calor do momento, eu via o suor escorrer pela tentativa de compreender o que era aquilo, e agora nem eu mesmo sei o que foi aquilo, o que é aquilo, o que será. ri, ri des...

das desculpas esfarrapadas e de como farejo o futuro que nos aguarda

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[ ouço o piano elétrico tocar no meio da balbúrdia de instrumentos] eu devia ter escrito isso há um ano atrás, ou quase um ano atrás. há um ano atrás, exatamente, eu estava de férias na bahia, tal qual minha vó Olga em algum ano da década de 50 ou 60. diferente da minha vó Olga, eu não levei nenhum caderninho para fazer de diário de viagem... mas fato é que eu devia ter escrito há quase um ano atrás, devia ter-lhe dito já desde o início, relatar esse início errado e torto que eu produzi; que eu causei, impus, tracei como meta, como destino e que logo quis reordenar e mudar, por capricho meu, capricho do kleber - kleber, aquele safado & cretino galanteador barato que me faz cometer algumas loucurinhas e levar essa vida em frente. pois que eu na mesma hora recobrei os sentidos e naquela caminhada no corredor aberto, frio, de paralelepípedos e muros recobertos por plantas, tentei: cê tá chateado? desculpa. o que mais me doeu, que mais me roeu foi a porrada na boca do e...

é preguiça ou ansiedade isso aqui que sinto entre os pulmões?

QUEM DORME SONHA QUEM TRABALHA CONQUISTA sinto uma câimbra, novamente, sexta-feira à noite. disfarço o desconforto, o novo desconforto. passei a noite com a perna esquerda recostada junto a perna de outra pessoa, de um desconhecido, e se eu estivesse noutro dia, em algum outro dia pior que o que estou hoje, pensaria que houve algo mais naquele leve roçar e encostar pernas.  ou como também houve algo mais naquele olhar absorto e vidrado. eu não me acostumo com olhares vidrados e perdidos, prefiro os que tem alguma emoção, menor que seja. o olhar vidrado que tudo reflete, inclusive a aparência que eu, naquele momento, desconfortável gostaria de disfarçar. desconfortável, mas feliz. quarta-feira, dentro de um ônibus da linha 634 , altura da vila do joão, uma jovem mulher sobe pela porta de trás e distribui caixinhas de bala Mentos, junto de um papel com uma mensagem "quem dorme sonha quem trabalha conquista". ela tem o semblante cansado. não fala nada. outros ...

quem foi dandara dos santos

eu não sei quantos minutos levou para dandara dos santos morrer . talvez menos tempo que eu levei processando, vendo as fotos, absorvendo tudo isso que correu o brasil (ainda que insuficientemente). o tempo que eu levei chorando a morte de dandara. naquela hora, dandara perguntava "cadê a minha mãe? eu quero a minha mãe" -  e a mãe lá não estava, como na infância em que [eu] [nós] [qualquer um indefeso] clamava por mãe nalgum momento de infortúnio, infelicidade, tristeza. mas não prestes a morrer. teria dandara destino diferente? diferente da morte filmada, televizada, viralizada na internet das coisas que se tornou o brasil? ela, dandara dos santos, travesti cearense, da periferia, ela que tentou a vida no sudeste, tal qual outros milhões de migrantes, e retornou a sua terra: o desejo do brasileiro medíocre do sudeste, que os nordestinos voltem para o nordeste... como se possuíssem aquele espaço geográfico, donos daquilo que disseram construir. às custas de que, de ...
All I say is that in that day I tried to think myself insight-out And I took the pieces in places To hit ‘n put me to the ground Grasping touches of old ways That were done, ashes in burial house What breaks my heart is Im still beside the grave Looking around and trying to find The moment when a bird eats from the cake But no worms, just fossils So many coffins piled up So little plenitude of rebirth But wait, is just let it go! But go to where¿ Nowhere. How so¿ Maybe you’ll have to wander around Where to¿ To the open seas Been a sailor is so much, so much fun, so much fun Rowing all day stretching the lungs, so much fun, so much fun Speeding with the wind, drinking refresh from the storm Hey hey! Swear a dolphin I just saw And then live with and eagle in the high peaks  you’ll finally see the light. Maybe before. 

hasta siempre, 2017

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نا الصحراوية // eu sou saarauía habibi, habibi : mais um fim de semana em casa, espraiado na cama, no sofá. espraiado pela casa pequena com as gatas. a casa que encolhe. o quarto que se varre em 5 segundos (em contraposição ao quarto que se varria em 5 minutos). a casa que encolhe, encolhe comigo dentro. habibi, habibi, canto para a gata que adormecida repousa em minha cama, espalhando seus pelos. habibi, habibi, sim!, ainda há esperança, canto feito canção de ninar, para acalmar as gatas de que, sim, sim!, ainda há jeito para esse mundo cheio de trumps e hillarys e temers e bolsonaros, a década de 2010 parece emular 1910, 1810, 1710, 1610, a história se repete primeiro como tragédia depois como farsa, quantas farsas temos vivido? quanto mais teremos que passar, hem, quanto mais acontecerá para que deste mundo se passe ao paraíso, a shangri-lá, a terra de zaratustra? ouvi que as montanhas do cáucaso, a irlanda, gales e a cornualha transbordam de magia, deve ser pela chuva abund...

o Bangladesh é aqui [no Rio de Janeiro]

choveu o total de 48h seguidas no Rio de Janeiro nessa semana de novembro; choveu o dia de ontem inteiro. anteontem, um temporal se armou, temporada de monções. o Bangladesh é aqui. o vento úmido que arrasa Bengala passou aqui: precarização da vida cotidiana em todos os níveis, todos os sentidos. o Bangladesh, repito, é aqui. até mesmo as disputas políticas entre clãs familiares parecem se repetir. o Bangladesh já foi Paquistão. o Paquistão, este também, é aqui [e também a Índia]. hoje faz céu azul, azulíssimo, daqueles que doem [a vista]. os passarinhos cantam passada a tempestade. será assim no Bangladesh? os passarinhos e as pessoas também riem diante da catástrofe passada, da catástrofe presente e, também, ainda, da futura? provavelmente [sim][não]. o vento permanece gélido. sinto frio dentro de casa. penso no meu piano. sento ao computador como se aguardasse a resolução de meus problemas, como se aguardasse a solução dos problemas do Rio de Janeiro, do Brasil, do mundo.