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das desculpas esfarrapadas e de como farejo o futuro que nos aguarda

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[ ouço o piano elétrico tocar no meio da balbúrdia de instrumentos] eu devia ter escrito isso há um ano atrás, ou quase um ano atrás. há um ano atrás, exatamente, eu estava de férias na bahia, tal qual minha vó Olga em algum ano da década de 50 ou 60. diferente da minha vó Olga, eu não levei nenhum caderninho para fazer de diário de viagem... mas fato é que eu devia ter escrito há quase um ano atrás, devia ter-lhe dito já desde o início, relatar esse início errado e torto que eu produzi; que eu causei, impus, tracei como meta, como destino e que logo quis reordenar e mudar, por capricho meu, capricho do kleber - kleber, aquele safado & cretino galanteador barato que me faz cometer algumas loucurinhas e levar essa vida em frente. pois que eu na mesma hora recobrei os sentidos e naquela caminhada no corredor aberto, frio, de paralelepípedos e muros recobertos por plantas, tentei: cê tá chateado? desculpa. o que mais me doeu, que mais me roeu foi a porrada na boca do e...

é preguiça ou ansiedade isso aqui que sinto entre os pulmões?

QUEM DORME SONHA QUEM TRABALHA CONQUISTA sinto uma câimbra, novamente, sexta-feira à noite. disfarço o desconforto, o novo desconforto. passei a noite com a perna esquerda recostada junto a perna de outra pessoa, de um desconhecido, e se eu estivesse noutro dia, em algum outro dia pior que o que estou hoje, pensaria que houve algo mais naquele leve roçar e encostar pernas.  ou como também houve algo mais naquele olhar absorto e vidrado. eu não me acostumo com olhares vidrados e perdidos, prefiro os que tem alguma emoção, menor que seja. o olhar vidrado que tudo reflete, inclusive a aparência que eu, naquele momento, desconfortável gostaria de disfarçar. desconfortável, mas feliz. quarta-feira, dentro de um ônibus da linha 634 , altura da vila do joão, uma jovem mulher sobe pela porta de trás e distribui caixinhas de bala Mentos, junto de um papel com uma mensagem "quem dorme sonha quem trabalha conquista". ela tem o semblante cansado. não fala nada. outros ...

quem foi dandara dos santos

eu não sei quantos minutos levou para dandara dos santos morrer . talvez menos tempo que eu levei processando, vendo as fotos, absorvendo tudo isso que correu o brasil (ainda que insuficientemente). o tempo que eu levei chorando a morte de dandara. naquela hora, dandara perguntava "cadê a minha mãe? eu quero a minha mãe" -  e a mãe lá não estava, como na infância em que [eu] [nós] [qualquer um indefeso] clamava por mãe nalgum momento de infortúnio, infelicidade, tristeza. mas não prestes a morrer. teria dandara destino diferente? diferente da morte filmada, televizada, viralizada na internet das coisas que se tornou o brasil? ela, dandara dos santos, travesti cearense, da periferia, ela que tentou a vida no sudeste, tal qual outros milhões de migrantes, e retornou a sua terra: o desejo do brasileiro medíocre do sudeste, que os nordestinos voltem para o nordeste... como se possuíssem aquele espaço geográfico, donos daquilo que disseram construir. às custas de que, de ...
All I say is that in that day I tried to think myself insight-out And I took the pieces in places To hit ‘n put me to the ground Grasping touches of old ways That were done, ashes in burial house What breaks my heart is Im still beside the grave Looking around and trying to find The moment when a bird eats from the cake But no worms, just fossils So many coffins piled up So little plenitude of rebirth But wait, is just let it go! But go to where¿ Nowhere. How so¿ Maybe you’ll have to wander around Where to¿ To the open seas Been a sailor is so much, so much fun, so much fun Rowing all day stretching the lungs, so much fun, so much fun Speeding with the wind, drinking refresh from the storm Hey hey! Swear a dolphin I just saw And then live with and eagle in the high peaks  you’ll finally see the light. Maybe before. 

hasta siempre, 2017

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نا الصحراوية // eu sou saarauía habibi, habibi : mais um fim de semana em casa, espraiado na cama, no sofá. espraiado pela casa pequena com as gatas. a casa que encolhe. o quarto que se varre em 5 segundos (em contraposição ao quarto que se varria em 5 minutos). a casa que encolhe, encolhe comigo dentro. habibi, habibi, canto para a gata que adormecida repousa em minha cama, espalhando seus pelos. habibi, habibi, sim!, ainda há esperança, canto feito canção de ninar, para acalmar as gatas de que, sim, sim!, ainda há jeito para esse mundo cheio de trumps e hillarys e temers e bolsonaros, a década de 2010 parece emular 1910, 1810, 1710, 1610, a história se repete primeiro como tragédia depois como farsa, quantas farsas temos vivido? quanto mais teremos que passar, hem, quanto mais acontecerá para que deste mundo se passe ao paraíso, a shangri-lá, a terra de zaratustra? ouvi que as montanhas do cáucaso, a irlanda, gales e a cornualha transbordam de magia, deve ser pela chuva abund...

o Bangladesh é aqui [no Rio de Janeiro]

choveu o total de 48h seguidas no Rio de Janeiro nessa semana de novembro; choveu o dia de ontem inteiro. anteontem, um temporal se armou, temporada de monções. o Bangladesh é aqui. o vento úmido que arrasa Bengala passou aqui: precarização da vida cotidiana em todos os níveis, todos os sentidos. o Bangladesh, repito, é aqui. até mesmo as disputas políticas entre clãs familiares parecem se repetir. o Bangladesh já foi Paquistão. o Paquistão, este também, é aqui [e também a Índia]. hoje faz céu azul, azulíssimo, daqueles que doem [a vista]. os passarinhos cantam passada a tempestade. será assim no Bangladesh? os passarinhos e as pessoas também riem diante da catástrofe passada, da catástrofe presente e, também, ainda, da futura? provavelmente [sim][não]. o vento permanece gélido. sinto frio dentro de casa. penso no meu piano. sento ao computador como se aguardasse a resolução de meus problemas, como se aguardasse a solução dos problemas do Rio de Janeiro, do Brasil, do mundo.

Elegia [Icaraí]

onde é isso? na coréia? to segurando, tá pesado.  [sobre segurar um submarino] há um ano eu andava na chuva, rua otávio carneiro esquina com rua dr. tavares de macedo. talvez eu tenha chorado, e se chorava, as lágrimas se misturavam com a chuva que caía sobre mim. mas chorava por que?  também, há um ano, eu corria na chuva, rua otávio carneio esquina com rua dr. tavares de macedo. nesse dia, eu sorri, de fato, sorri, contente que estava. contente por que?  mas o que me levava ali, naquela particular esquina? quantas vezes olhei para o alto, como se fosse achar um rosto numa das janelas, atrás de alguma cortina, resquício do dia em que ele me assistiu dormir, sem sonhos sem nada para achar... where did they all ran to? where the sky is blue forever... [o que eu ouvia ao andar na chuva entre as ruas de icaraí] e ali, naquele quarteirão, eu tentei,  de todas as formas,  enfiar minha tristeza maior que qualquer outra coisa  em outra...

santa claus is coming to town

HE SEEMED IMPRESSED BY THE WAY YOU CAME IN ,  i recall the week and i'm not feeling myself lately. where am i, where am i going. same time, it is not healthy to let these thoughts go deep, no, no. but saturday comes and i'm here listening to the strokes. nostalgia is here, but what do i really miss? i can't tell. maybe next week one of my bffs is coming to town to find exactly where i was last time we met. next month another bff is coming to town, so what? seems like i'm not moving at all.

qual o nome daquilo que se sente quando não se verá alguém nunca mais?

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(eu guardei esse texto como rascunho desde o dia em que, ao visitar tia Nore, ouvi esse relato do primeiro parágrafo, e algumas outras lembranças de sua vida. estive com ela pela última vez no dia 29/07/16 pela última vez, me sorriu, conversamos, rimos. vou sentir sua falta) "LEONOR, LEONOR, LEONOR!", deitada na cama, leonor ouvia chamarem seu nome. um sonho, seu irmão sérgio chamava, e ela, andava, andava, distante, caminhava cada vez mais além. os 91 anos de idade levaram leonor mais longe que outras pessoas. mais tarde, lembrou do detalhe que fora o irmão sérgio quem a chamara de nore quando criança, por achar leonor difícil de falar.  "qual o nome da sua mãe?" perguntaram à olga, que respondeu "dona neném"; vovó não sabia o nome da mãe, benedicta. tia nore disse que ela, a mãe, preferia ser chamada de iolanda, que detestava benedicta. mas vovó explicou na escola que chamavam de dona neném. a professora vai em casa e fala com o pai: "o...

the angry outburst in the gaslighting metropolis

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angry outburst no, i must say this: i am not sad, not really, not at all. i must say that, i'm not sad, nor unhappy. after all these months, days, all that insincere chatting (or should it be gaslighting trying?), i am not sad. why, on earth, heaven or hell, why should i be sad?  the only reasonable explanation for what i'm feeling is this: i'm angry, just angry, only angry, with myself, with this ridiculous situation, but also relieved so that i can avoid not only one, but two people - can we get an amen here? pls ppl. "oh, i don't know how sensitive you are about that" zzzm that just got me rolling my eyes, seriously, is that all you have? i can't believe. some people are really awful, i can't manage. trying to gaslight me? ME? really, queen?  of course i feel angry, i feel bitter , not sad, and this eventually will pass.