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Mostrando postagens de agosto, 2011

Da invisibilidade.

Exatamente em momentos como esse eu fico basicamente assim: os braços pesam, a mente parece que deu pane. Vem aquele grito incontido que não sai de jeito nenhum, e as lágrimas que são secas. As pessoas se perguntam, me perguntam e perguntam aos outros, pois eu não explico, muito menos elas entendem o que eu falo. A verdade é que não estou emputecido; a verdade, puramente, a verdade simples é que aquele momento chegou, desvatador, como eu já imaginava. Não há maneira para que eu vá, que eu continue, porque eu, eu simplesmente estaquei. Finquei os pés no presente. Em momentos como esse que eu queria voltar no tempo. Ou basicamente sumir. Ou dormir e acordar no futuro quando tudo já será pronto. Acho que prefiro sumir, me esconder do apocalipse, antes que o mundo acabe.

(des)sabor.

Eu teria dito tudo não fosse por medo de tudo. Não fosse por medo de ser mal-entendido. Mas eu tenho a leve impressão de ter sido algo do tipo feitiço-que-vira-contra-o-feiticeiro, ou talvez mais além, porque o feiticeiro seja de araque, e tenha sido desde sempre enfeitiçado. Talvez realmente tenha ido além, quando da falação, daquela falação. O ponto foi passado, certamente, e Istambul é realmente um lugar interessante, e isso (aqui) talvez seja um reação absurdamente exagerada e ultrajada.  O além é sempre algo charmoso e interessante e hipnotizante. Eu queria estar além, vou-me para Além-Paraíba que talvez ajude (pelo menos em parte, com um quase-trocadilho). Mais ainda, o que talvez, e provavelmente, não faça sentido, é que eu não guardo lembranças, não lembro, ou não recordo, e tenha esquecido mesmo. Não estava em condições de fazê-lo. Não mesmo. Eu lembro de tudo e nada ao mesmo tempo. Falta a memória sensorial agora, quando esbanjo memória fotográfica. Menti, talvez...

Querido Tom 50 (Caso sério)

Rio, agosto de 2011. Querido Tom, eu juro que queria escrever algo sério aqui hoje, mas confesso que este não é o lugar certo para isso, aqui só se escrevem bobagens. Eu poderia falar do apocalipse que se avizinha em 2012, mas tenho preguiça. Eu poderia falar da escalada de tensões que se observa no mundo, mas eu tenho preguiça. Eu tenho preguiça da vida, quem sabe. Falemos, então, da preguiça da vida. É tamanha minha preguiça que eu tenho preguiça de ter preguiça da vida, eu acho. Eu continuo vivendo, nesse mundo maluco, que me irrita.  Eu gostaria de falar também da irritação que me causa a falta de respostas, essas coisas enigmáticas que me propõem e que me privam do direito à informação e resposta. Só me frusta mais ainda. Hmm. Deve ser isso, eu ontem estava irritado, mas feliz, e hoje eu estou irritadamente irritado sem ser feliz. E tenho fome. E quem tem fome tem pressa. Acho que escreveria um livro qualquer dia desses. Deve ser fácil como jogar video...

Querido Tom 49 (cheio de som e fúria)

Rio de Janeiro, 02 de Agosto de 2011. Tarde. Nublado. Sala fechada com ar-condicionado barulhento. Querido Tom, o filme é sensacional. Chorei feito criança, copiosamente. Ri um pouquinho também.  Vi 'Som e Fúria' esses dias, e achei Laiane a cara da Andrea Beltrão, sinceramente. Desculpe te usar para possivelmente passar um recado. Tenho pensado nos Correios ultimamente, acho que chega o tempo de enviar cartas. Cansei das ligações que recebi, e adivinhe só se no meu histórico de chamadas não existem os números que ligaram incessantemente por mais de quatro dias? Penso na adoção de uma regra de gravar todos os números com quem me comunico uma vez na vida com nome para não sofrer trotes de gente conhecida. A única coisa que me incomoda é essa gente que não tem nada a fazer e liga para os outros, importunando. Vou terminar aqui com algumas citações: "spending my time, watching the days go by" "não jure, simplesmente" "a...

A sorte nas folhas de sonhos de Sibila de Cumas.

Olha eu aqui falando de meus sonhos de novo. Essa noite eu sonhei com cobras & lagartos. Mentira. Sonhei com cobras e gatos. As cobras eram mansinhas só brigavam entre elas, e a cobra que ficava lá em casa fugia com medo das outras. Interpretação dessa parte do sonho: alguém muito falso sairá de perto de mim. Depois, sem as cobras, eu ia para o jardim, e havia muitos gatos na rua. Eu os chamava e eles viam, e entravam na minha residência, que afronta. Interpretação dessa parte do sonho: gente mexeriqueira entrará em minha vida. Interpretação psicanalítica: sempre, sempre, sempre tem algo a ver com sexo. Isso diz o livro de Sibila de Cumas que tem lá na estante de casa. Muito útil para esses momentos, apesar de eu ter feito essa interpretação sozinho. Continuando nesse ramo obscuro de nossas vidas e mentes, eu tenho medo de meus sonhos. Não que eu não gosto deles, não mesmo; mas tenho medo, e deve ser exatamente por ser esse ramo obscuro de nossas vidas e mentes.  S...

Orbe

Seria uma ironia, para mim, é claro. Até há pouco havia aqui em casa uma mala. Uma dessas de malas de mão, dadas por agências de viagem, com a inscrição "urbi et orbi" Nunca entendi exatamente o  que queria significar essa expressão (se quisesse!); algo que compreende a cidade e o mundo.  O que eu sei é que eu cansei da cidade, eu quero o mundo.

kaput!

O pior momento não é quando seu céu está azul, azulzinho, ou cinzento, tenebroso, seja estático ou dinâmico, seja com nuvens paradas e carregadas, ou nuvens chovendo, ou nuvens esvoaçantes. Até a semana passada eu desacreditava em  inferno astral. Não que os astros tenham realmente algo a ver com isso, nem um milímetro, nem a mínima participação nisso tudo. Mas que possa existir um trechinho, um período da vida em que tudo parece dar errado. Parece. E quando eu me afundei, das duas vezes, eu vi "Preciosa". Não que tenha ajudado, não mesmo. E eu ouvi Adele. E tudo parecia uma espiral descendente, tudo que Adele cantava parecia ser o que era, perfeitamente encaixado, exceto pelo fato de que eu não estou minimamente apaixonado por alguém. Talvez esse seja o problema. Todas as possibilidades esgotadas Mas nessa madrugada de domingo para segunda, tudo parece ser como é. Nada melhor que uma segunda-feira para os ânimos.

Sancto Sanctorum.

I want to be alone.

ça va sans dire.

Há gente que me chama de puritano. Procuro esse puritanismo em mim mesmo; nem cristão sou. Há gente que vê em mim o que não vejo. Talvez eles estejam certos. Sempre tive vergonha de mim, sempre fui tímido. Corrigindo, sempre tive vergonha da aparência, de meu corpo, da face, do cabelo, de novo, do corpo, das intimidades. Sempre me apoiei na mente. Eu era minha mente, somente. Pensando bem, "sempre tive vergonha de meu corpo" é uma frase definita na minha infância. Não que eu sempre tenha me escondido. Há registros fotográficos meus e de Camila bem pelados por aí, pela casa. Devia ser comum à época, nada de imagens pedófilas, nada disso. Naquela época, crianças apanhavam de seus pais, sem que isso significasse violência contra as crianças. Pelo contrário, somente significava algo mais na educação. Em algum momento, eu me fechei, eu acho. E penso ser desnecessário explicar quando foi, mesmo que precise de explicação. As pessoas falavam que eu era uma criança gorda,...