ça va sans dire.

Há gente que me chama de puritano. Procuro esse puritanismo em mim mesmo; nem cristão sou. Há gente que vê em mim o que não vejo. Talvez eles estejam certos.

Sempre tive vergonha de mim, sempre fui tímido. Corrigindo, sempre tive vergonha da aparência, de meu corpo, da face, do cabelo, de novo, do corpo, das intimidades. Sempre me apoiei na mente. Eu era minha mente, somente.

Pensando bem, "sempre tive vergonha de meu corpo" é uma frase definita na minha infância. Não que eu sempre tenha me escondido. Há registros fotográficos meus e de Camila bem pelados por aí, pela casa. Devia ser comum à época, nada de imagens pedófilas, nada disso. Naquela época, crianças apanhavam de seus pais, sem que isso significasse violência contra as crianças. Pelo contrário, somente significava algo mais na educação.

Em algum momento, eu me fechei, eu acho. E penso ser desnecessário explicar quando foi, mesmo que precise de explicação. As pessoas falavam que eu era uma criança gorda, e depois magra demais, ou então tinha barriga grande, mesmo sendo magro. Cabeça de capacete.

Talvez eu já tenha dito que todos na classe riram quando eu usei óculos pela primeira vez. E eu tinha me sentido exatamente excelente no dia anterior! Era tão bom enxergar as cores  e o brilho do mundo. Tudo girava, como num pilequinho.

A pior parte era, retomando o assunto, ficar sem roupas. Sempre me senti muito invadido sem roupas. Um tormento. A leve impressão de que isso é a razão de meu medo e abominação do sexo perpassa minha mente. Eu tenho medo de meu próprio sexo.

Não me acostumei a me achar sexy. Nem a pensar que os outros me vejam assim.

Isso não é preciso dizer.

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