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femme de bandit

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ali, sob a chuva, senti falta das plantas altas que cobriam o chão e deixavam corpos se esconderem. ah, o anonimato da escuridão!, me peguei pensando. na chuva, mais cedo, enquanto andava pelas pessoas na lapa e ficava aflito, sozinho, exatamente como me sinto aos domingos, eu nao pensava que me sentiria assim de novo. (mas o "assim" nao chega nem perto do antes. nada é igual. o tempo passa e eu queria voltar a ler harry potter e a câmara secreta enquanto o tempo nublado ameaçava chover e eu forçava os olhos para ler as frases. lia rápido como que competindo com noite que se aproximava; nao queria levantar pra acender as luzes). e assim estava eu, lá, naquele cimentado horroroso que proporciona dias gloriosos e algumas conversas desconexas sem sentido. ou encontros aleatórios. e então, pan! um tapa na cara. para que só um tapa na cara quando se pode dar muitos? pois bem que eu estava lá, dando a cara a tapas. um. dois. três. quatro. parece bom? quem sabe um pouco mais...

só isso

nao sei o que me fez lembrar de você, mas eu estava sentado no ônibus e pensei no quanto você tava bonito da última vez que te vi. o quanto quis dar uns beijinhos, o quanto eu penso naquilo tudo. nao só em você, em mim, e nos outros. ah, as escolhas da vida. mas eu pensei em como eu queria e quero saber se você ainda beija esquisito; mas isso foi você quem me chamou a atenção. acho que depois disso eu passei a dar mais atenção a como os outros beijam e, sim, você beijava esquisito. e da última vez eu fiquei tão tentado a me empurrar em sua direção e é isso. é só isso, mesmo.

my bad

a total mess . quem se importa? nem eu. às vezes escrevo sem pensar, e sempre penso sem pensar. os pensamentos fluem sem que eu queira; nesses dias, friorentos, a pele do pé fica até dolorida. mas isso é o de menos. continuo odiando domingos. o final de semana foi bom. domingos são detestáveis. nao sei o que fazer. como que se chega lá? na maior parte do tempo eu invento a minha realidade, que é uma bosta também. a gente volta bêbado no ônibus quando o dia já tá claro, e eu nao sei oque fazer sobre isso. não sei, mesmo. nao sei de nada.

don't you dare

queria poder falar e escrever, tentar tirar isso de mim; mas tou razoavelmente bem e nada sai decentemente. bem, mas nem tanto: infeliz porque amanha é dia de trabalho. when did adulthood arrive? fora isso, sempre na mesma. na falta de assunto, vale falar dos sonhos? pois bem, um dos meus sonhos era poder falar " don't you dare " para alguém. em tom de ameaça. seriamente. mas nunca chegou esse momento. minha vida carece de drama, mesmo quando os momentos são, basicamente, dramáticos. fico impassível. ainda remoo algo que aconteceu séculos. remoo? ou só nada que muda desde então? busco as mesmas pessoas na esperança de que mesmo? nao sei. outro dia entrei numa discussão filosófica sobre a vida. minha vida se resume a discussões filosóficas. tudo é relativo demais, problemático demais. sempre há a dúvida, uma eterna dúvida. decidi pelo agnosticismo. fiz certo? no fim, fodase

querido tom 64

rio, dia do trabalhador / 2014 querido tom, o mundo é muito injusto. lia, agora mesmo, um livro. me identifiquei com a escrita. um dia quem sabe nao publico qualquer bosta? o mundo é dos medíocres. nao há mais nada; o mundo me parece uma tela em que vejo claramente o que acontece. por enquanto. ou pelo menos.

sempre domingos

sentado na mureta, esperando a vida passar junto dos carros e motos que entopem uma rua pequena. algumas pessoas passam também e mandam olhares, ora surpresos, ora ameaçadores. tenho fones no ouvido e me desligo dos sons ao redor; a vida parece boa e má, ao mesmo tempo. os acontecimentos parecem bons e ruins, ao mesmo tempo. tipo aquela vez que andei por botafogo, ate chegar à Copacabana pelo túnel velho. com fones no ouvido. o mundo não poderia parecer mais pacífico e ameaçador no mesmo momento. um silêncio que pesava, a não ser pela música que saía dos fones. talvez, nesse dia, eu não estivesse com fones, afinal. talvez eu tenha ouvido tiros. talvez. foi nesse dia que acabei dormindo e suando num sofá, engraçado como a gente lembra dessas coisas (todos os dias). engraçado como minha mente lembra das coisas e eu fico pensando porque não trepei com fulano daquela vez. se fosse agora, seria diferente. estaríamos trepando ouvindo norah jones, já pressentindo o fim dessa porcaria que cham...

banho quente faz mal pra pele

saio do banho correndo e atendo o celular que toca enraivecido no criado-mudo. "alô, sr Caio c k martins? O SENHOR GANHOU UM MILHÃO DE REAIS". olho meu quarto estupefato. meu quarto está arrumado. minha vida está arrumada. o que mais eu poderia querer? talvez fazer respiração boca-a-boca num cãozinho nenê. mas nao. ********* saio do banho correndo e atendo o celular que toca enraivecido no criado-mudo. "oi amor vem pra cá logo, você ta demorando" olho meu quarto estupefato. meu quarto está arrumado. minha vida está arrumada. o que mais eu poderia querer? talvez fazer respiração boca-a-boca num cãozinho nenê. mas nao. ********* nao saio do banho correndo. nunca tomo banho quente, mas essa semana ta esquisita. Teve aquele dia que nao quis levantar, algo meio físico, sabe.  mas saio do banho, e na caixa de som kylie minogue canta "i was gonna cancel" ou "sexercise", ou qualquer outra musica eu fico contemplativo. ja tinha...

cena 3

cena 3: (na mesma banqueta) "vai comprar uma cerveja, por favor?", eu digo. "mas você segura minha bolsa um instante?". mudo de idéia e eu vou comprar a cerveja; atravesso a rua correndo e ainda ouço um grito "mas Caio!". tarde demais, já estou entrando no bar. tinha aquela garota de batom vermelho, e ela para bem ao meu lado na fila. logo depois chega o gringo bonitão, louro alto e forte, com aqueles fones vermelhos no pescoço para fazer moda. ele então me olha e "hey, what you doing?", e eu fico espantado. "i'm buying a beer", respondo. (essa parada de falas sao muito chatas) "i think you look biological" "wat" "biological, i'm mathematics" "no, you must be wrong, i'm humanities" "omg, whats your name? i'm matt" matt compra três cervejas. matt me olha novamente e "hey, thats for you". matt me dá uma cerveja. eu digo que pago outra para ele depo...

cena 2 / cena 3

cena 2: eu me sento numa banqueta e me encosto na arvore logo atras de mim, enquanto aguardo uma cerveja chegar em minhas mãos. pareço que estou em casa. eu realmente nao sei se tenho cara de muitos amigos, mas estava lá sozinho, de qualquer jeito. então que chegam três pessoas, duas mulheres e um homem. eles perguntam se podem se sentar ao meu lado, se ha problema, mas de forma que eu fique no meio deles. respondo que nao, mas que logicamente estaria bem no meio da conversa deles; "mas é exatamente isso que queremos", eles me dizem, "você parece uma boa pessoa". depois de algumas palavras e alguns "mas você realmente parece ter o nome que tem" e "acho que te conheço de algum lugar, eu me levanto para ir ao banheiro e ainda ouço "você é uma boa pessoa". retorno e eles nao estão mais lá.

cena 1 / cena 2 / cena 3

cena 1: aperto o botão do elevador e ali ao lado tem aquela senhorinha de um metro e meio e o senhor das muletas que capenga para lá e para cá. eu nunca sei se tenho cara de muitos amigos. naquele momento eu talvez estivesse pensando se sentiria falta daquele lugar, e eis que a senhorinha se dirige a mim e começa a falar. "pena que estou sem meus fones, quase pensei"; a porta do elevador abriu e ela continuou "sou enfermeira tem 28 anos, tem gente que corre pra tudo, outro dia um amigo médico meu morreu, aos 35 anos. vivia correndo, corre aqui atende paciente, corre ali e atende mais. numa dessas corridas, caiu morto no chao do hospital. pra que correr?" a porta do elevador abre ao chegar ao térreo e quase saio em disparada, falando "agora eu que vou correr", e ela me responde "vc tem uma aura boa, vai lá meu filho, vá com deus". agradeço e saio.