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Mostrando postagens de abril, 2017

querido tom 67

querido tom, quanto tempo, não é mesmo? e em que furada eu fui me meter! como da última vez, acabei de ler o provérbio árabe "se a palavra é prata, o silêncio é ouro" e isso me acabou trazendo uma calma. verdade? mentira? a tentativa não tem eficácia - é isso mesmo? continuo aqui na mesma tentativa: a história cíclica, o assombro, aquele fantasma... mas tu, como bom ouvinte, já sabes toda essa baboseira de que me refiro. será que dessa vez terei um final diferente? o medo é tão grande.  ao fim disso, dessa comunicação, é, novamente, mais do mesmo e nada novo sob o sol do rio de janeiro: como tu me conheces, permaneço aquele mesmo que te escreveu da primeira vez quando arrancava os sisos e perdia o juízo - imaturo, emocionalmente; vazio, afetivamente. há espaço para mudar?

da ansiedade e seus mini-choques

[segunda] apoio minhas mãos sobre meus joelhos ossudos e inclino a cabeça em direção ao banco da frente. pela janela, entra uma fresca brisa que, se estivesse calor, me acalmaria. mas não é calor o que sinto, tampouco a brisa me acalma. olho a volta, giro o pescoço, procuro. volto a atenção da minha mente para as palmas das minhas mãos, esticadas, sobre os joelhos, na esperança de que isso, sim, vai me trazer calma; tentativa frustrada como a de rae earl em my mad fat diary (nota mental: assistir novamente). (vejo um policial gato na rua) [sábado] acordo e olho o teto. me movimento da cama em direção ao sofá. deito novamente. adormeço. o nó na garganta me impede de falar. adormeço. calafrios perpassam meu corpo, como que mini-choques. os mini-choques tornam o sono difícil, mas o sono é melhor que estar acordado. não consigo falar. não consigo falar, apesar de saber que deveria vomitar aquilo que está em minha cabeça. mas o que está em minha cabeça? não consigo identifi...

do lado de fora da janela

do lado de fora da janela os passarinhos cantam e os raios de sol brilham há vida daquele lado enquanto aqui, deste lado eu me esparramo pela cama, olho o teto e inutilmente me perco nos pensamentos nos meus pensamentos de que a vida aqui, do lado de dentro da janela onde os passarinhos não cantam e os raios de sol brilham fracos, através das cortinas e eu, deitado na cama olhando o teto perdendo as horas sinto no estômago toda a ânsia de viver esvair-se pelos intestinos escorrendo até meus pés imóveis até que ouço o ronrom e a gata sobe ao meu lado deitada na cama a olhar o teto inutilmente perdendo-se nos pensamentos felinos mas de que a vida aqui do lado de dentro da janela tem motivo para ronronar [apesar de os passarinhos cantando assoviando estarem, como sempre do lado de fora da janela]

Q&A: por que, caio?

por que, caio? por que? posso inventar +1 motivo pra disfarçar; baby, baby, baby: vamos ser sinceros  a cena repete noutro canto da metrópole, mas ainda às 9h da manhã eu estou sentado no colo de alguém. olho para o alto e tapo os olhos, arrasto a mão pelos cabelos, como que pensando, mas naquela hora só penso em como estou novamente viciado em enroscar os pés & ficar abraçado, sentido o suor, a camisa suada, o cheiro de suor leve. o corpo quente, as meias sujas que sobrepostas mostram um contraste do que a cena realmente é. eu, ali, por cima, sem camisa; você, por baixo, com camisa. eu, cheio de pudor, você, despudorado. eu poderia seguir: caça-caçador, contido-voraz, despretensioso-_________; o que, mesmo? essa última, é o que mesmo? ali, além do suor escorrendo pela febre que passava ou pelo calor do momento, eu via o suor escorrer pela tentativa de compreender o que era aquilo, e agora nem eu mesmo sei o que foi aquilo, o que é aquilo, o que será. ri, ri des...