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Mostrando postagens de dezembro, 2014

the first nöel

e chega o momento do primeiro natal sozinho. o silêncio da casa. não foi como eu imaginava. é como um dia qualquer, um dia outro qualquer. se pudesse, aboliria o natal, claro. mas ainda tenho aqui, viva, a lembrança da camisa do flamengo que peguei embalada no pinheiro (de verdade), arrumado para o natal, na sala da casa, então nova.  ou da fita de toy story, no que creio ser o primeiro natal depois de mamãe morrer (e que ainda tenho, guardada).  e de quando o pinheiro, já transplantado para o jardim, morreu por conta dos besouros que deram em seu tronco. e de ir pra casa das tias em laranjeiras para ver o papai noel que uma delas contratava para alegrar o natal da vila em que moravam (ou ainda mora uma delas). do último natal com vó olga, cansada, deitadinha. e eu tentando ler a ordem da fênix, porque eu achava desesperadamente que ela precisava saber o que acontecia naquelas mais de 700 páginas. e dos almoços com vó léa, quando ela vinha pra ilha, e agor...

quando Copacabana foi Nova Iorque

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faz um calor abafado, como sempre. eu me espremo numas escadas rolantes e já vejo o céu azul. alcanço a superfície, feliz de estar livre, quase claustrofóbico que sou, apesar do calor ainda sufocante que faz nessas bandas do atlântico sul. enquanto esperava, um palhaço fazia malabarismos no sinal da Tonelero com a Figueiredo Magalhães. confesso que quase dei minhas moedinhas, mas preferi gastá-las com um pacotinho de halls sabor cereja (a única coisa que me sobrou de um alguém passado - e que também passou por outras pessoas). aquele sorveteria me fez sentir como se estivesse em Nova Iorque, aquelas lâmpadas penduradas, aquelas poltronas e mesas divertidos tem ar de Nova Iorque, mesmo que eu nunca tenha ido a Nova Iorque. ou que eu nunca vá, e que eu perca tudo isso, esse mundo gigante e que eu perca, também, você. ou já perdi. mas só que, ali na mureta, eu evitei te olhar e já não ganhei nenhum daqueles olhares que pareciam curiosos, ou não sei o que, ou que me de...

no metrô tropical

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o metrô no trópico é diferente noutro dia, eu te vi no metrô. carregava um embrulho, andava sorridente. cara de bobo, meio orgulhoso com o embrulho, totalmente feliz. eu, ali, naquele vagão mal iluminado, datado dos anos 1980, sentei-me quando deu, perto o suficiente para lançar meus olhares furtivos. penso se quem te espera, espera feliz.  um apartamento qualquer de frente para a praia, sentindo aquele fog que tomou conta do rio de janeiro, misto de poluição e maresia. o cheiro salgado no ar que acalma a espera. se prepara a janta enquanto espera. se poderia ser eu a esperar. eu, ali, olhando, vendo a felicidade alheia. é 2020, na verdade. os vagões são modernos, bem iluminados. eu, sozinho, vejo-te feliz no vagão do metrô, numa fotografia, um metrô moderno, iluminado, em paris. metrôs modernos e bem iluminados já estarão velhos, defasados e mal iluminados pelos trópicos cariocas.