no metrô tropical

o metrô no trópico é diferente
noutro dia, eu te vi no metrô. carregava um embrulho, andava sorridente. cara de bobo, meio orgulhoso com o embrulho, totalmente feliz. eu, ali, naquele vagão mal iluminado, datado dos anos 1980, sentei-me quando deu, perto o suficiente para lançar meus olhares furtivos.

penso se quem te espera, espera feliz.  um apartamento qualquer de frente para a praia, sentindo aquele fog que tomou conta do rio de janeiro, misto de poluição e maresia. o cheiro salgado no ar que acalma a espera. se prepara a janta enquanto espera.

se poderia ser eu a esperar.

eu, ali, olhando, vendo a felicidade alheia. é 2020, na verdade.

os vagões são modernos, bem iluminados.

eu, sozinho, vejo-te feliz no vagão do metrô, numa fotografia, um metrô moderno, iluminado, em paris. metrôs modernos e bem iluminados já estarão velhos, defasados e mal iluminados pelos trópicos cariocas.

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