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Mostrando postagens de outubro, 2011

distração

Porque eu estava distraído, talvez seja isso. Engraçado, e inesperado. Eu fiz tudo certo dessa vez, eu subi os degraus, parei na roleta, passei a roleta, não pensei em você (como faço há séculos, perceba-se, pot favor) e então eu te vi. Ou eu achei que tivesse visto, porque na verdade, quase que na verdade verdadeira, eu preferiria não ter visto nada. Já fazem muitos tempos desde a última vez em que te vi; não exatamente em que te olhei, mas em que te vi . Eu costumava esperar quem-sabe-qual-dia para te ver, para ter um glimpse , talvez. Dias se passaram, meses, anos, quiçá séculos, desde a última vez. Não que eu morra de amores, porque eu não faço isso por ninguém, ou pelo menos eu repito isso tantas vezes que isso, que talvez seja mentira, se entranhou de tal modo a minha personalidade que eu me vejo em um beco sem saída.  Apenas distraído. Mas já faz tanto tempo, mas tanto, que eu esqueci.

contemplação.

" Marcante principalmente pra mim mesma... queria me esquecer às vezes. " [ alguém ] Tentei cobrir o rosto, mas era em vão; chovia, uma chuvinha fina e irritante. Eu poderia falar, mas fiquei em silêncio. Você me falava das maravilhas do mundo, ou até mesmo de como pegava o jornal jogado na grama pelo entregador, mas a verdade é que eu só pensava no que eu deveria pensar. Uma batalha em minha mente. Eu estava sozinho, mas cercado de gente. A mesa já não é mais o cenário, talvez eu preferisse ficar lá, porque tecnicamente não chove em lugares fechados, e eu não precisaria enfrentar a chuva. Já era claro, e eu desejei a minha cama, ou qualquer cama, em que eu pudesse deitar, e ficar aconchegado. Eu queria ficar aconchegado por um dia inteiro, apenas admirando o teto, o teto branco e seus adornos de gesso e seu lustre de cristal. Mas isso não acontecerá, jamais. A calçada está suja, e mesmo toda a chuva que chovesse todos os dias não seria capaz de limpar isso; ...

da estupidez.

Como eu andei naquele dia, andei muito; saltei no ponto errado, e subi, subi, subi, feito um balão, praticamente, até chegar ao topo do mundo. Eu estava sem ar. Estava suado. Tirava já o casaco.  Não continuei porque tive medo; medo de escorregar e sujar a roupa, e quem sabe, machucar alguma coisa. Seria maluquice demais escalar uma pedra lisa, apenas utilizando uma corrente enferrujada. E a volta, como seria? Apenas me sentei na mureta, sentindo o friozinho que vinha da mata. *            *            * Seria mais burrice, talvez, acreditar na sorte que as folhas que farfalhavam no chão me diziam. Mas eu fui mais esperto, e entrei naquela aventura que começou quando eu estava ali, sentado na mureta talvez construída um século atrás, quando aquela mão não simplesmente se apoiou em mim, mas me acariciou. Será que eu estava imaginando coisas? Pensei...