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Mostrando postagens de maio, 2010

Querido Tom 27 (Da Alimentação, ou dos Pães Franceses.)

Querido Tom, ou Voldie? Não sei, realmente, quem é pior, se o mal declarado (e escrevo mal porque Tom não era somente um menino mau, ele personifica a categoria inteira) ou o mal escondido, por trás de belas máscaras. Eu sei que eu queria poder escrever com uma ironia só, mas uma ironia daquelas, que só a T* consegue em seus e-mails. Eu devia sugerir que se passasse a seção dos Pê-Ésses a partir de agora, mas talvez não proceda. Talvez eu tenha inveja dela por isso, ou não. Talvez, e tenho quase certeza disso, sou um fã incontrolável, porque toda vez que recebo um e-mail totalmente debochado, irônico e grosseiro, eu o amo. Anyway, às vezes eu piro na batatinha. E droga, perdi separação. Eu adoro as caras que a Débora Bloch faz. Mas hoje eu cheguei tarde mesmo, e ainda por cima, passando mal. E ainda tive gaga feelings, e gordinhos feelings, comi dois pães franceses, que são coisas sem as quais um humano normal e decente, aí incluindo eu, não pode viver sem. Dois pães f...

Querido Tom 26 (Vendo Tudo!)

Querido, não há necessidade de chamar-te pelo nome, visto que evoco-te em quase todos os meus escritos, mesmo sendo você totalmente ficcional e fruto da minha imaginação. Que eu queria te dizer sem palavras que eu, e não você, Sou um velho diário perdido na areia, Esperando, enlouquecido, que você me leia. Eu odeio ter que ouvir os outros, falando, falando, falando besteiras, ou seriam verdades? Verdades que eu desconheço, ou ignoro, e que quando tomo conta, fazem-me me roer. Ai, eu odeio também te ler, quando não para mim, lógico. Não aguento, acho que infarto qualquer dia desses. E há outro jeito pior disso ocorrer? Temo que não, melhor seria se fosse assentimental, ou inemotivado, sei lá como se diria, frio, seco. Posso estrinchar mais que estrinchei? Suponho que não, mera casualidade, não sou desse tipo. Reitero, que eu queria uma aventura.

Xepa.

Ainda está escuro, mas lá fora o burburinho já se iniciou; há uma profusão de vozes, carrinhos de mãos, caminhões, talvez patos e galinhas. Os passarinhos saudam o sol, enquanto as mercadorias são retiradas de seus respectivos compartimentos, e espalhadas por sobre as tábuas de madeira. Na grande casa senhorial, prepara-se o fabuloso cear natalino. A cozinenheira está irritada: ainda não foram à feira, e o tempo passa rápido. Cenouras são cortadas, laranjas espremidas, alhos amassados. Mas faltam ingredientes. A senhorinha se prepara para sair, uma voltinha com o pequeno menino. Arrumam-se, os dois, é um dia quente, põem-se roupas de linho branco, e sandálias bem frescas. O carrinho está por ali, cheio de sacos plásticos, agora, digo, todos espalhados pelo chão, ou por sobre o carrinho de cebolas. A saída dá-se pelo imponente portão de madeira primeiro, e depois pelas grades de ferro fundido. Bom dia, senhorinha, já se ouve antes de se alcançar o segundo portão, o de ferro, ao q...

Querido Tom 25

Rio, quase-domingo. Querido Tom, para retomar o velho hábito de escrever-te. Mando-te notícias daqui da Terra. Quero ver Quincas Berro D'Água. E nem tá passando na Ilha. Viciei em Marina and the Diamonds , e Mika . Estou me roendo aqui. Minha burrice é extrema. Preciso comprar um caderno. Who doens't like to be gone? Eu não sei, mas acho que todos. I'm stuck in the middle. Ah, eu queria tantas coisas, e às vezes, tudo parece muito fácil de se conseguir. Por exemplo, tenho a impressão de que se tivesse minhas tardes livre, seria mais feliz. Tenho a impressão. Estou me roendo. Sei lá, de ciúmes, quem sabe. Queria que lessem minha mão de novo. Na verdade, não me roo; despedaço-me, em pedacinhos bem miudinhos, todas minhas entranhas e tripinhas. Despedaçadinhas. Não sei se entende. Dear Tom, is that you on the phone? Eh-eh-ehe-eh. Stop telephoning me. Eu podia continuar mais aqui. Mas tenho uma lembrança que é ótima de se escrever, e não faz o menor sentido ...

Fim.

Confidência minha: já pensei que se morresse, meus problemas seriam resolvidos. Mas daí, mudava de ideia. Porque eu não saberia o final das melhores estórias.