Xepa.

Ainda está escuro, mas lá fora o burburinho já se iniciou; há uma profusão de vozes, carrinhos de mãos, caminhões, talvez patos e galinhas. Os passarinhos saudam o sol, enquanto as mercadorias são retiradas de seus respectivos compartimentos, e espalhadas por sobre as tábuas de madeira.

Na grande casa senhorial, prepara-se o fabuloso cear natalino. A cozinenheira está irritada: ainda não foram à feira, e o tempo passa rápido. Cenouras são cortadas, laranjas espremidas, alhos amassados. Mas faltam ingredientes.

A senhorinha se prepara para sair, uma voltinha com o pequeno menino. Arrumam-se, os dois, é um dia quente, põem-se roupas de linho branco, e sandálias bem frescas. O carrinho está por ali, cheio de sacos plásticos, agora, digo, todos espalhados pelo chão, ou por sobre o carrinho de cebolas.

A saída dá-se pelo imponente portão de madeira primeiro, e depois pelas grades de ferro fundido. Bom dia, senhorinha, já se ouve antes de se alcançar o segundo portão, o de ferro, ao que se responde, Bom dia senhora das roupas. Prossegue-se, a senhorinha trazendo o carrinho, o menino, um daqueles brinquedinhos de rodar, daqueles bem barulhentos, comprado, talvez ali mesmo naquela montoeira de barracas, juntamente com algumas panelas na barraca vizinha.

Mais Bons dias, respondidos com Bons dias, aos senhores da laranja, das frutas, dos legumes, da banana, Muito bem, obrigado, e senhor?, A gente vai levando, quantas hoje?, Meia dúzia, por favor.

Voltavam, agora, com o carrinho cheio, de bananas, legumes, laranjas, frutas. E o brinquedinho barulhento.

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