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debajo el asfalto, más abajo

"fulano tá tão bonito", "fulano tá mt lindo", "fulano é tão legal", "fulano" - e na meiuca do enaltecimento dos outros, a gente perde os nossos elogios, não os ouve ou os menospreza. não que seja inveja, só baixa autoestima.

aprendendo a dizer não

o pulso, é fraco; a coleira, inexistente. a vida corre longe, destrambelhada. eu tento correr atrás. a vida não aprende o que é não, talvez eu também não tenha aprendido. ou tenha desaprendido. deveria dizer-lhe não. não sei como fazer isso. da janela o passarinho parece ser passarinho, mas podia ser passarão. esses dias passarão. mas como? a única vez que uso não é para não sei. não sei de tanta coisa que deveria, na verdade, ter a cabeça vazia, mas ela anda cheia. cheia de coisas que não sei e não sei como descobrir. talvez começando com um tímido não, mas dessa sozinho. afinal, não é sempre que estamos sozinhos desde que fora da barriga? ou quando não siamês de alguém...

thought you should know

nao existe, para mim, frase mais traçoeira que "achei que você deveria saber", seja em qualquer língua. só vi uma publicação com essa frase em inglês "just thought you should know" e isso me lembra tanta coisa - de um bilhetinho-coruja enviado por hermione a harry e rony a uma mensagem (diriam alguns indevida) de celular uns tempos atrás. a vida anda a mesma, nem melhor nem pior. eu ando pior que deveria. vou fazer a barba. achei que deveria saber.

quase certeza

às vezes, só de olhar para a pessoa, já tenho sono dela. ouvir a voz, a risada, benzadeus. não sei se é bom se é ruim. é uma consequencia de achá-las inconvenientes, quase certeza disso. nesse meio tempo, eu acho que consegui te reduzir a uma coisinha tão pequena, tão pequenina. quase certeza de que não passa duma poeirinha que a gente só guarda debaixo do tapete porque ainda não comprou a pá de lixo.

he's been sighted, he's been sighted

esquina, bip bip. luz do poste acende, luz do poste apaga. parece um encontro de delinquentes-wannabe. me pergunto o que diabos eu estou fazendo ali, mas só na mente. afinal, é isso mesmo? pareço um extraterrestre. vai ver sou mesmo um ridículo babaca.

errando errando

só precisava escrever, porque normalmente só escrevo quando não estou bem. hoje, estou bem além da conta. o dia foi mais que demais. estou cercado de gente mais que demais. o início do fim, quem sabe, tá longe. mas hoje, foi, certamente, o fim do início. e eu ainda perdido vagando por aí.

impressões sobre um vazio qualquer

vazio vazio vazio vaziovaziovaziovaziovazio: ontem me compadeci. é terrível. impressões da vida: espaço. vazio. medo. qualquer coisa. pessimismo. ontem te vi e a gente fingiu nao se conhecer. ouvir uma voz tão fraquinha na linha que quase não se reconhece mais. ter medo. ouvir a voz fraquinha pessoalmente. preocupação. não lembrar mais de número de telefone e então, puf, o número volta à memória e magicamente o assunto é a mudança desse mesmo número. whatever. i don't care. será? ó vida cruel.

correio-coruja

achei que tivesse respondido antes, mas talvez tenha me embolado e enviado o correio-coruja errado. estamos desencontrados ou é tudo erro de percepção minha? as pessoas dizem tanta coisa, sobre tantos assuntos, que me perdi no fio da meada. posso parecer sem jeito e mesmo sem delicadeza, mas às vezes concordo com elas e às vezes discordo veementemente.  o silêncio é sempre minha escolha preferida, mas não significa muita coisa. não posso escolher nada. você me disse que tem raiva às vezes, e eu nunca consigo fazer meu ponto. to comendo um biscoito de morango, só pra você saber. não tenha raiva. prefiro, de verdade, a opção que temos algo, mas que é isso que paira e só isso, enfim. nada mais que isso, que já é grande demais, se é que você me entende. questão de opção, questão de escolha. se você não se importa, é isso.

diários

chega o momento em que não se tem mais nada a falar. o que se faz? enche-se a linguiça? dúvida. falta de sono. falta de tempo. sobra de tempo ocioso. falta de coisa a fazer. sobra de coisa a fazer. coisa chata. falta de férias. saudades de muitas coisas. sonhei com tia chiquinha. sonhei com tanta gente que não merece nem falar oi. tia chiquinha merecia muitos ois. desafio já nao completo lançado agorinha: escrever um diário

do dia sem borboletas (2)

"então é isso só mesmo?", eu pergunto, mas a resposta não vem. a resposta nunca vem, mesmo porque sou eu que imagino tudo, e eu sou muito egocêntrico e burro para imaginar diálogos. "é isso, assim, quieto?" repito; olho para a parede. olho para a fonte no meio do pátio. o musgo amarelado de tanto tempo que não vê água, chega a causar uma impressão horrível. "na verdade, nunca dissemos bye-bye, se é que isso existe". o chafariz parece que sempre foi assim, sem vida; eu pareço sem vida. "na verdade, acho que a última coisa foi sei lá, aniversário?", eu continuo só de forma a preencher o vazio que me oprime. o vazio que, na verdade, me ocupa. acho que o certo, então, é repelir o vazio. "... aniversário?", eu continuo só de forma a repelir o vazio que me ocupa, me preenche e me oprime. como se o universo estivesse em mim e fora de mim, vazio e cheio ao mesmo tempo. "como eu odeio esse lugar, você nao diz nada?", pergunta retór...