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Mostrando postagens de agosto, 2019

sobre ceder na cama ou a supremacia do pau duro

naquela noite eu quase fui embora. levantei e me dirigi até a sala. deitei no sofá, descoberto, fazia frio. me enrolei em mim mesmo para me aquecer. ele veio e me abraçou, fez que eu voltasse para o quarto. eu não me mexi, ele insistiu. voltamos. antes ele tinha dito "alguém aqui tem que ceder"; o pau duro, latejando, mesmo no escuro eu podia ver isso. eu não queria transar mais. tentamos outra posição, não ia rolar. foi quando ele deitou para dormir e eu, claro, não dormi. não conseguiria depois disso tudo. sai para sala. na volta, fomos mais uma vez, eu não queria transar. ele cuspiu pouco, me comeu com força, disse que gostava quando eu gemia. eu pedi lubrificante, ele disse que queria daquela forma. eu tive que ceder, eu cedi.

coisas ditas quando bêbado

sento para escrever levemente bêbado. é bom me sentir bêbado e não frito. bêbado eu sinto mais, sinto tesão, meu pau fica excitado em vários momentos, eu me lembro de quando bêbado eu disse que te amava quando você me comia, eu por cima de ti, cavalgando em teu colo, teu pau dentro de mim. do alto de meus 28 anos eu me pergunto se sentirei isso de novo; não o prazer de sentar em alguém, isso acho que consegui sentir de novo, mas o de sentar alguém e dizer que o ama ao mesmo tempo; o de estarmos ao contrário, eu te penetrando, no sofá, você de costas para mim, eu gozo dentro de ti. puxo-te para um abraço e me pergunto se sentirei isso de novo.

espero não te desejar no porvir

eu ando pelo aeroporto atrás do guichê em que despacharei minhas malas. viajarei para longe, quero me ausentar desse lugar em que a floresta arde em chamas, desse lugar em que a barbárie desce de helicópteros aos berros de "é tetra" girando em cambalhota como Galvão Bueno e Pelé na copa de 94. preciso me ausentar desse lugar, é mais que necessário, tornou-se meu dever para comigo. reúno minhas forças andando pelas calçadas do aeroporto do Galeão, um inseto zumbe e tenta pousar em meu pescoço. acerto-o de golpe com a palma da mão esquerda, talvez fosse o último de sua espécie mas provavelmente não era. tento fugir mas sua mão me alcança. eu repito mentalmente que preciso fugir daqui, é mais que necessário, é urgente. mas urge também essa outra questão: vamos até o banheiro, você me come ali dentro da cabine. agora estou de volta a minha cama, aconchegado dentre os lençóis e cobertas. enroscados os pés como sempre fizemos, você me ordena, eu obedeço: me chupa.  ...

nem tudo que reluz é ouro

olhei para o revestimento de cobre do imponente novo prédio do Tribunal de Justiça até que a luz que ali refletia me fez chorar. eu já estava em pé há uma dúzia de minutos quando reparei neste detalhe do prédio (o revestimento de metálico).  uma moradora de rua vagava entre as calçadas da larga avenida, correndo vez ou outra de algum carro imaginário, carregando sua bola e vestindo e desvestindo seu casaco preto. seus cabelos louros esvoaçam junto ao vento.  domingo de dia dos pais.  [meu pai é falecido desde 93] [o ano que ele nasceu]  dois dias antes vaguei pela madrugada naquela região, para meu infortúnio não encontro paula.  esbarro com D.B. que me chamou de libanês fofo quando nos conhecemos, se pendura em meus braços. em algum momento me desvencilho do papel de pai que quase assumi, ao menos reconhecer nossos padrões nos salva de algumas enrascadas. [levo mais de duas horas no trajeto entre a zona sul e minha casa, mas estou contente]...

domingos que não acontecem

chove incessantemente e eu sinto frio, meu peito descubro descoberto e descamisado se arrepia quando o vento atlântico se esgueira por uma fresta para me machucar, me dizendo entre seus assobios que aquilo que espero não acontecerá hoje. espero algo acontecer, espero que o dia em si aconteça, mas expectativa em vão. o dia não acontece, desse domingo só resta esperar que se torne uma segunda.