mar revolto, posêidon agitado

o seu orgulho em falar que terminou comigo, mas não quer reconhecer a desonestidade toda que cometeu comigo, desonestidade & infidelidade, para além de todas as agressões & abusos & humilhações que fui submetido. a relação dominação-submissão que ultrapassou a fronteira do leito, e permeou toda a nossa coexistência pacífica enquanto eu pude manter essa posição subalterna.

no fim a relação ocorreu por minha causa, eu me empenhei, e terminou também pelo mesmo motivo, ou não terminou, permanece aqui latente esse desejo de reconciliação e também de restabelecer a relação dominação-submissão para então, sim, aí, sim, terminar e ter o troféu de quem terminou com quem.

a disputa de quem magoa mais quem, de quem proporciona o maior ressentimento, nessa disputa eu entrei atrasado, até então hors concours, até então, com uma entrada triunfal, chegando de rasteira, caindo de sua órbita em desgraça direto em você na velocidade da luz, quando eu so queria sentar sobre a sua cara .

hoje me masturbei 2x e isso foi uma vitória. não transo tem duas semanas, desde a nossa última. beijei na boca algumas vezes, saí num date. voltei a terapia. o que significa casar? eu não sei se quero casar. o que significa estar mudando mas não querer perder (alguém) (o poder) (o controle de tudo)? 

r: manter na órbita, controlar, exercer uma influência, fazer permanecer aqui a mesma lógica de antes: quero te namorar e não quero também, como se trepar com todo mundo fosse essencial para elaborar uma identidade gay, como se uma nova ética gay dependesse de participar de orgias gays & ter relacionamentos abertos & fazer ménages, o que demanda muita energia e muito controle de si e do que se sente, pois é comum alguém sair magoado nisso tudo. 

e o que eu quero? pergunta não retórica a qual eu não tenho resposta, pois não sei. não sei há muito tempo, e permaneço sem saber, queria estar bem, cada vez melhor é meu novo lema. ouvi música de fossa, ouvi as músicas de nossas primeiras transas, segui em frente.

hoje, ainda, chorei, chorei muito, ouvindo música, enquanto baixava o short, enquanto cozinhava, a gata lambendo minhas lágrimas. chorei. o luto é a pior coisa que pode ocorrer alguém. chorei lembrando de quando estive feliz, e chorei pela última vez em que tive de disfarçar. pelas últimas vezes. o choro embargado.

ao menos aquela ansiedade que me travou a garganta, aquele nó enorme que aqui se instalara, se desfez e eu voltei a ter turbulências entre os pulmões e o estômago, muito melhor sofrer daquilo a que já nos acostumamos.

Comentários

  1. bom poder soltar deus e o diabo através da escrita (e em silêncio, ao fim, perguntar para si mesmo: valeu a pena? quase sempre, para mim, sim).

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