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Mostrando postagens de julho, 2015

livre foi miss Simone

em tempos de sandras bland e claudias silva ferreira assassinadas pelo Estado, ou de fabianes maria de jesus, acusadas e julgadas pela fúria popular, nesse fim de semana de lembrança pelas mulheres negras latino-americanas e caribenhas, é um sopro ver Nina Simone (o doc. what happened miss Simone), realeza quase-africana, mulher de porte e fibra, colocar: ser livre é não ter medo (tudo que eu já imaginava, repetia comigo mesmo desde 2008).

querido tom 66

querido tom, já faz tempo desde a última vez; quantas vezes já comecei assim? cada pessoa é cada pessoa e cada tempo é um tempo, e cada coisa tem seu tempo, mas no fim das contas, é mesmo a história cíclica? ela se repete? às vezes eu tenho a impressão de reconhecer cada pessoa em outra, cada situação, cada palavra, cada ação... tenho medo, mas tento não me constranger. ao fim e ao cabo, acabo na merda. mas como dizem os árabes: se a palavra é de ouro, o silêncio é de prata! que venha mais uma semana... resigno-me aqui à insignificância dos nossos tempos...

i thought the metropolis was full of neon lights pt. 2

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we could've been friends i stood before the bakery in the quarter before the beach as if something so magical would happen that it would be worthy waiting those long 40 minutes. the sky went dark, people kept looking at me as if i was undesirable in that place: i didn't really belong in there. now not even 2 weeks after that and maybe i should have gone away and sealed another destiny.

cut the transmission line

one break-up after another, as if something existed; the years pass and i am the same, naive, alone or i'm not the same, crazier than ever, imagining things, suffering for others and because of others. life is unfair, but isn't it what i myself keep repeating to others when they're in trouble? maybe i should give everything up and just internalize this shit that's allover my being (and deep in my mind, i have already accepted).

são 19 horas, me dê os ansiolíticos

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patético como eu me amarro a qualquer poste, implorando para que me levem pra casa na primeira oportunidade que surge. dois litros de vinho não resolvem meu problema: continuo ali, desinteressante, apenas um cão pulguento qualquer em um poste qualquer numa esquina qualquer dentro do limite da metrópole. nao sinto frio quando faz 0ºC o relógio quase marca as 19 horas quando eu tenho vontade de me jogar nos trilhos antes do trem chegar. mentira, eu não pensei isso, mas andei tão rápido em direção ao extremo da plataforma que, ao sentir o vento bater em meu rosto ao se mover a composição, logo me veio a cabeça que eu podia ter sido estraçalhado ali mesmo em pouco tempo. que diferença faz? a dor inexiste, já, sinto só um choque elétrico constante passar por minha barriga, ou como se dentro, apenas houvesse plástico queimando. deve ser isso que me torna desinteressante, esse cheiro de plástico queimado que emana de mim ou então esse choque contínuo que me garante um as...

eu pensava que a metrópole tinha luzes néon

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do ponto de ônibus ouvíamos um pagode da década de 1990, que tocava de algum boteco pé-sujo qualquer. engraçado como logo em Icaraí teria uma coisa dessas: aos pés das Icaraí Towers espraia-se uma pequena comunidade pobre, um valão corta a avenida, antes do viaduto-ponte.  eu, ali, saco uma bala halls sabor cereja do bolso e ofereço. adquiri esse péssimo hábito naquele passado que agora já parece enterrado a mais de sete palmos, bem mais. me pego pensando nisso e em como eles tem um quê desdenhoso que me atrai, e tento apagar essa imagem da cabeça. tarde demais, como sou bobo. (e por onde anda o passado enterrado a mais de sete palmos? às vezes, a gente tenta desencavar alguma coisa, mas nada vem à tona. ultimamente dei pra pensar que tudo não passou de imaginação minha, sonho, ou pesadelo, visto que os rastros já foram apagados, ou não mais existem: apagou-se a história, os personagens, tudo, não restou nem a dedicatória na folha de rosto). no hagas eso conm...