Postagens

Mostrando postagens de agosto, 2014

vãs palavras vazadas pelas frestas / sunset blvd

Imagem
no meio daquela cena robotizada, parece que tudo foi esquecido, tudo aquilo dito se perdeu no ar respirado, perdidas ficaram as palavras, dont hate me, joe como norma desmond, que aqui cai como luva, eu, dont stand there hating me, joe. perdidas no burburinho, no burburinho de outras palavras, outras vozes, que entravam pelas frestas das portas. palavras sem sentido, estrangeiras, também esquecidas. já esquecidas quando vazavam pelas frestas. esquecidas, porém menos importantes que, mas ainda assim, esquecidas: but say you dont hate me

depois da janta / no banco detrás do carro

eu: atrás, no banco espaçoso. faltou a cadeirinha. sem cinto, irresponsável. como toda a minha vida e tudo que faço. sem segurança. tentando entrar ali, naquele mundinho dos bancos da frente. tentando parecer o que eu não podia e não posso ser. tentando chamar a atenção enquanto assuntos alheios ao meu mundo rolam entre os dois. enquanto eu, alheio ao mundo em que tento entrar, fico para trás. literalmente, você: ali, sem olhar para trás, no banco do carona, falando de coisas alheias ao meu mundo, falando de mim (depois), alheio ao seu mundo, rindo, rindo. mas antes: uma preocupação, onde você vai ficar, mesmo, ah, sim, sim, a gente te deixa lá. e um beijo de despedida. ele: dono da verdade, dono do carro, de mesmo nome que eu, ou não, claro que não, isso é só para fazer parecer pior do que foi, mas depois rindo, rindo, bem sucedido e ouvindo jennifer hudson .

pode ser na rua santa luzia

CAN IT BE THE WAY IT WAS   canta brandon flowers nos meus ouvidos. a rua santa luzia passa por mim, acelerada. corro. não corro. aquela multidão de pessoas saindo de seus trabalhos, saindo de seus escritórios, suas baias, suas mesas, largando os afazeres e correndo; correndo pela cidade, pelo centro, atrás de algum ônibus, ou uma van, fazendo sinal para o trem do metrô. indo embora. em boa hora. e eu, ali, perdido, aleatório. aleatório no mundo. na mente só ecoa can it be the way it was na minha cabeça.

dia 30: escrevi o bilhete e deixei-o no bolso

Imagem
HOJE escrevi o papel. anotei meu nome e meu celular. coloquei no bolso da camisa, junto do coração. cheguei ao restaurante e ele não estava lá. me servi. sentei a mesma mesa que sento. na mesma cadeira. de frente para a porta. quando acabei de comer, vi as amigas dele chegarem. sem ele. e, então, ele chegou. aquela barba sem bigode. camisa quadriculada. ou isso foi no outro dia. não olhou pra mim. deixou um caderno vermelho sobre a mesa e foi se servir. passou raspando pela minha mesa. fiquei nervoso. suei. suei. suei muito. fiquei um tempo ali, sentado. fingi usar o celular. as mãos suadas tornaram isso uma tarefa ingrata. um tanto depois, levantei, paguei e fui pra rua. andei. andei. atravessei as duas faixas da rua e me meti pela rua lateral. tocando guitarra imaginária. cantando. cantando alto. nervoso. suando. cantando mais alto. fotografei um rosto no muro (tá no Instagram). voltei, ainda tocando a guitarra. e cantando. fiquei na calçada oposta ao meu prédio.  ao l...