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Mostrando postagens de junho, 2012

café-da-manhã

uma felicidade apenas  mistura com tristeza WHATEVER I SHOULD SAY então estamos ali de novo atendendo a telefonemas sem sentido que parecem querer dizer algo nessa sexta que tem névoa mas significa sol no sábado assim oramos assim esperamos pelo pão no café-da-manhã

atravessar na faixa de pedestres (3)

"hey wait wat" eu lhe digo, mas provavelmente não faz diferença: agora eu estou ali novamente perto das faixas de pedestre a espera do sinal fechar e eu enfim atravessar a rua. sozinho. afinal, sempre calha de acontecer isso, né. enquanto o sinal não fecha eu sinto o vento soprando no rosto meio que acariciando, meio que sussurrando algum segredo que eu não entendo, deve ser isso, ou o vento tá mais forte agora ou esses segredos estão enchendo minha cabeça??? na esperança de que algum dia esses pensamentos todos se aquietem porque eles não fazem sentido algum "A WHOLE LOTTA GIBBERISH" eu estou gritando?? não, mas talvez seja, eu gritei com o motorista de táxi aquele dia, não lembro. rosa rosona seria pinto ou somos nós que não alcançamos os pés delas, eu tive medo na última segunda-feira, imagina só. vou ali dois minutos, me espera, que eu não volto.

atravessar na faixa de pedestres (2)

"vem, bebê", a ordem soou carinhosa em meu ouvido; "olha só, eu até gosto de andar, esse ventinho gelado na cara...", continuou, me puxando pelos braços para atravessar a rua. o sinal estava fechado e eu não tinha percebido. a rua parecia enorme: estávamos na metade e o alerta de que o sinal abriria para os carros já piscava. tive vontade de ficar mas corri. e sorri. não deveria ter feito nada disso. o vento batia gelado ali mas agora minhas mãos já estavam aquecidas. o que mais eu precisaria.

atravessar na faixa de pedestres

eu corri, corri feito criança. tinha aquela sensação de vento secando suor na testa e nas costas, com a camisa colada. você deve ter corrido também, porque logo me alcançou. me precipitei, pretendi atravessar com o sinal aberto. você me segurou e me disse "estúpido". eu não tive cara de resposta. o suor continuava a secar na testa mas minhas mãos estavam geladas sendo seguradas pelas suas. "estúpido", você me repetiu, e ficou sem resposta. "você é o estúpido mais lindo desse mundo" completou a frase, e eu quis ter atravessado fora da faixa de pedestres no meio dos carros em alta velocidade.

como voltar no tempo

gente, isso, eu escuto uma música e leio a letra, e então, isso é o transporte no tempo? é até engraçado, porque às vezes nos sentimos melancólicos ou coisa do tipo, e de repente, uma onda de frescor passado nos invade. frescor passado é demais, mas vem lembranças tão diferentes, tão lindas, tão estúpidas. decisões sem importância alguma que não para a nossa vida, e que não servem para serem respondidas em dinâmicas de emprego, como aceitar um bilhete de um menino no ônibus, e depois de meses decidir iniciar contato. o mundo passa rápido e, ah, nós mudamos, mas outro dia parecia a mesma coisa, só que diferente: pegar o ônibus e finalmente conversar. mas o mundo dá voltas, a música termina e as memórias se esvaem, nada de viagem no tempo...

evidências assustadoras

E nessa loucura de dizer que não te quero, Vou negando as aparências, Disfarçando as evidências, mas que evidências que não existem, são evidências? outro dia, deixa eu lhe contar, eu sonhei com você. um dos muitos dias. que sonhei. com você. um dos muitos dias que sonhei com você, digo, é isso, besta demais. pra quê negar. tipo essa música brega de amor do chitão e do xororó, então, chega; não nego, negue você qualquer coisa negue as acusações infundadas na minha mente que espalho aos sete-ventos sobre café coado na cueca, risos, chega a ser babaca olhando assim, então as evidências podem ser qualquer coisa ou to ficando maluco? digo, é isso mesmo, evidências de que to ficando maluco, ainda bem que nunca lhe contei isso, ou lhe contei, mas sonhei com você outro dia e na verdade, não era você. era um urso. enfim, coisa besta. e essa coisa besta resolveu me assombrar de novo. eu aqui não me recordo mais dos sonhos mas amanheço assustado feito um coelho, a sensação disso me escap...

táxi pra estação lunar

e hoje eu finjo que tenho raiva da lua, até quando vamos levar essa encenação? pra vida toda? até quando eu carregarei esse papel... de qualquer jeito é melhor que ser plateia? esse papel besta, bobo. repetindo uma cena a cada ciclo, a mesma cena. às vezes muda um pouco isso de odiar a lua, ela não estava no céu naquela quarta-feira. posso odiar a chuva? não que eu odeie, mas acho que não gosto de dias chuvosos. nem nublados.

bobeira

estamos aqui presos nessa infantilidade de "não cheguei a amá-lo nem nada" eternamente, nesse joguinho banal de mitigar os relacionamentos, mesmo que fugazes, mesmo que supostamente não-existentes. e daí que eu pergunto o que é o amor? será que já fiz isso por aqui? certamente já me perguntei tantas vezes. provavelmente não cheguei à conclusão alguma, mesmo porque nesses casos é melhor não ter posicionamento acertado. ou é? e cada vez mais a gente junta as duas mãos e aproxima a boca pra não deixar a água escapar pelo ralo. inútil tentativa.

peitos fartos filhos fortes

o ser e o não-ser, antítese existente já no nascedouro. e aí, o que poderia ser uma conversa qualquer numa varanda qualquer, um olhar debruçado para uma praça enxarcada logo logo estarei enxarcado. enxarcado de pensamentos, ou de sonhos, eu dormi no ônibus?, risos. e vem aquela paz que me deixa angustiado, ou seria agitado?, mas o nome é paz. não pode ser outra coisa, mas estamos ali, firmes, fortes, como diz o hino, alguém devia acrescentar "pq sou brasileiro e não desisto nunca" ao hino, é bem verdade.

back to black

aquele branco que bate na mente e não deixa a gente pensar num início decente para qualquer situação que se queira descrever. mas é dar branco ou apagão? anyways, i go back to black e tento qualquer coisa podia começar como se já não fosse o início, é isso: tic-tac a lâmpada do lado de fora faz, deixando o quarto constantemente no breu e à meia-luz. tic-tac fazem meus pensamentos, num eterno ir e voltar. eu estou de pijamas, deito e cubro o rosto. breu total. (black) corta, agora pif-paf faz a lâmpada de novo. eu acordo de repente out of the blue, tipo a adele, e me arrependo de não ter dado um jeito na maldita lâmpada. me arrependo de não ter dado um jeito na mente, nos sonhos. os sonhos: o que mais buscamos, mais profundamente nos libertamos, e nos arriscamos também. onde dói. será ferida? it's bittersweet , eu diagnostico. sonhos são assim, bitter and sweet , todo o tempo. sweet when inside them, bitter when back to reality . (baque)  é tipo um eterno ensaio em que ...

anti-mofo no armário serve para quê mesmo

no ônibus acontece daquilo mais estapafúrdio que não faz sentido mas me faz ficar com as bochechas coradas, tipo eu tirar a tampa da caneta ou usar um clipse para regular o som do meu mp3. outro dia um sr assoou o nariz e saiu uma tonelada de meleca e catarro de cada narina e ele nem ninguém se importou com isso, aparentemente. fiquei enojado. com ele e com a pessoa que eu conhecia e fingi não conhecer que estava perto de mim naquele momento. aí fica aquele pensamento meio nazista meio superioridade cultural sobre as pessoas, mas sei lá, passa rápido, como o suor que seca rapidamente na roupa branca e deixa marcas amareladas na camisa branca e que te faz comprar uma nova que logo logo terá a mesma marquinha ou quem sabe você use vanish e apague também as memórias fora de hora fora de lugar fora de cabimento nos cabides do armário que envergam e se partem de tanta coisa que carregam e deixam tudo esparramado e jogado até que você precisa mostrar tudo de novo pra outra visita que che...

não fiz nada da vida

aquelas perguntinhas safadas de o que você fez da vida, qual seu maior desafio e blablá (that's just nonsense) e de repente a gente pensa que não fez nada da vida e que o maior desafio foi, sei lá, correr quando viu que o sinal estava aberto e ainda não tinha chegado à metade da travessia e SEI LÁ EU PODIA TER MORRIDO AQUELE DIA ATROPELADO MAIS UM CORPO ESTENDIDO NA PISTA NA RUA FAZER O QUE CHATICE.

a commotion

everything is alright in the end; if it's not right, it's not the end lhes juro que fiquei meio puto com o filme, hotel marigold. digo, ele é bacana, daora, o que mais de legal tem. mas encasquetei com essa frase, e também com toda a ideia do filme sobre velhice: momento em que não se quer de jeito algum chegar à velhice, a perder capacidades, a ser mais alguma coisa perdida... mas então se já não sou isso. se já penso que agora não tá certo, não tá tudo bem, que agora não é o fim. sempre buscando a luz no fim do túnel.

a busca da (re)(per)(a)feição

é a mais pura verdade que eu escrevi no braço um possível tema de escrita quando eu estava sentado ouvindo música e pensando na morte da bezerra no teatro de arena, mais precisamente no exato instante em que estava olhando as nuvens passarem rápido pelo céu (aparentava chuva que não veio) e observava a estátua da mulher no alto do telhado que parecia me observar de volta à espera de um tropeço ou trapaço meu, nenhum dos quais surgiu, pelo menos não naquele momento. não que eu trapaceie, mas sim que eu tropece com frequência: tropeço em gente que deveria ficar longe de mim por questões de segurança. pra mim, lógico. sou indefeso demais, imperfeito demais para causar some kind of trouble to anybody o que escrevi foi: a busca da perfeição. babaca demais, fuleiro demais? eu pensava em operação. essa busca desenfreada, a beleza perfeita. que idiota, mas eu queria isso. desenhei um peixe embaixo da frase, um dia tatuo um peixe no antebraço. um não, três. desejei boa sorte, deveria ter d...

o que causa irritação

odeio muito esse pelinho que teima em crescer sozinho no meu ombro esquerdo; isso me faz lembrar o quão pouco de mentira tenho falado ou escrito aqui e acolá ou em qualquer lugar... se as pessoas fossem espertas, me perguntariam outras coisas. ah, se as pessoas fossem espertas, mas elas não são. assim como eu não sou insincero... e quem precisa de amigos, perguntam, a esse momento, uns 49 analistas e terapeutas a seus pacientes deitados em divãs do outro lado do globo. será que já tem gente sendo atendida na frança?? quantas vezes isso será perguntado?? eu responderia que dependendo dos amigos, se eles valem ser chamados assim... alguns não valem, e aí fica o porquê a esses putos responderem. e apesar do banho frio, o chão gelado demais me dá arrepios maiores que pensar que um fulano de tal qualquer não se importa em ser bem quisto por mim

da moda dos dias chuvosos

aquele prazerzinho em se vestir como se fosse maluco, e entrar na padaria usando uma calça de moletom cinza com tênis prateado e um casaco preto, carregando o guarda-chuva numa mão e a bolsa marrom de carteiro: não tem preço.

ceia depois da meia-noite chuvosa

01:06 estou sentado ouvindo as gotas de chuva baterem no telhado de amianto, porque a justiça não chegou aonde moro. eu cozinhei dois ovos naquela panela que era toda preta, mas hoje já tem o interior prateado. " to the hell with the cuisine chefs's thinking ": lavo panelas e louça com o lado áspero. dava um bom título de livro barato de auto-ajuda. ou de caio-ajuda. you say 1:07 eu já comi os dois ovos cozidos que estavam naquele potinho amarelo que parece uma flor. eu bebi também um copo de refresco de tangerina, e as gotas começam a me incomodar. eu queria ter saído, eu queria tanta coisa na verdade verdadeira que fica difícil decidir sobre o que fazer. queria que as palavras que me são enviadas no chat tivessem sido fruto de uma montanha-russa de sentimentos e de outras palavras que queriam dizer coisas completamente opostas mas terminaram com um "desculpa, tchau".quanta infantilidade; de minha parte, claro. 01:08 recalque puro.

jornal da manhã

foi meio como aquele dia em que eu abria o portão de madrugada e alguém correu. e meu coração gelou. sabe, é natural ter medo dessas coisas, mas que bosta, né? o coração gelar, eu digo. ou então bater superacelerado, uma taquicardia talvez. fazem muitos tempos que não sinto borboletas no estômago. eu diria que fazem anos, mas talvez tenha uma borboleta nesse momento no meu quarto. uma borboleta branca na parede verde-sálvia. será que devo ter esperanças? é isso que significam borboletas brancas sobre paredes verde-sálvia? talvez a borboleta esteja esperando eu dormir de boca aberta para então ir sacudir meu estômago... mal sabe ela que não durmo de boca aberta. ou será que ela saiu num bocejo sonolento que dei à noite passada? será que me livrei disso? pretty sure not ... mas então, aquilo mesmo, sobre o coração bater de mais, como é mesmo? ou de menos, tanto faz, tanto fez, não é? acho que os dois casos dão em morte. coisa banal, pode ser o fim da vida, pode ser a gota d'...

Querido Tom 56 (guelricho serve)

rio, 05 de junho de 2012 querido tom, o que se faz quando tudo vem à tona como quando emergindo depois de mergulhar? respiro? ou engulo água e me afogo aos pouquinhos? preferia não ter entrado na piscina, ou então ter comido guelricho e... sei lá, mergulhar num lago qualquer e então só sair de lá quando conhecesse cada canto cada pedra cada alga cada peixe. é como aquela música da kylie minogue que repete feito um mantra eu repito os dias as lembranças feito um mantra, mas existe mantra negativo? porque isso não me faz bem certamente, é meio que um mantra espiral negativa descendente. guelricho me serve, ou um par de asas.

ao invés de

até parece a repetição de um ano em outro, alguns acontecimentos parecem que vão se repetir (? - é o que fica na cabeça), eu aqui ainda pensando em qualquer outra coisa, pensando na invisibilidade: ando pelo corredor, fecho os olhos. quando os abro, não há mais ninguém, só eu e aquele chão preto mal encerado. nos fones de ouvido, é alguma música melosa dos backstreet boys sobre levar um pé-na-bunda? alguém me disse outro dia que o melhor é se dar o pé-na-bunda, e eu penso, penso. penso que eu voltarei com uma barra de chocolate num dia qualquer para saber da vidinha banal de fulano sem saber que quem leva a vidinha banal sou eu, quem se torna invisível quando fecho os olhos, bem, devo ser eu.

domingo, outra vez

porque diabos a gente resolve se deixar levar, e pensar que nada nesse mundo levará você de mim, tudo mentira, o poeta só é grande se sofrido, mas por que os poetas mentem, eu existo aqui sem você(s) essa leva de gente eu devia ter ouvido o conselho da laiane: outra vez vou sofrer vou chorar; domingos aleatórios.

dissolução faz bem pra pele

sabe quando você pega o pote de xampu e só tem um restinho? aconteceu isso, e eu tive de misturar com água. e o cabelo ficou meio sujo, mas eu tava lindo. é meio por aí: tinha só um pouquinho de amor na receita, mas eu misturei com água pra terminar logo. e eu continuei lindo.

meu universo nunca será o mesmo

é bem verdade, mas olha, sinceridade, eu quero mais é que se foda. tudo, porque na real, to aqui para aturar essas coisas, já passei da idade. tem gente que diz que já passou da idade de fazer sacanagem no banheiro da boate, é mais ou menos por aí. uma acidez desnecessária na vida, uma pitada de ironia. o sol se põe, as estrelas aparecem e a lua tava linda no céu hoje, mas puta que te pariu, hem. não digo mais nada, só essa vontade de comer bolinha de queijo e pastel, que são os únicos amores verdadeiros que vou encontrar na vida: todos os outro são de mentira. tudo atuação, tudo forçação de barra.

bem querer é o caralho

aloo eu to aqui, chorem recalcados, é o diabo na terra é uma tristeza ser tão feliz ou pelo menos se sentir bem lá saindo daquele lugar que um dia parecia bom mas na verdade era a merda de achar que se era feliz e triste no mesmo dia e era profundamente o fundo do poço do seu cagado bem querer

progressão funcional

é esquisito como você não fica exatamente chateado por ser lembrado de algumas formas, mas em alguns momentos sugerir-se-ia que as pessoas ficassem caladas, apenas. tem gente tão boazinha que se torna estúpida, mas ainda assim te faz sorrir. de pena, talvez. é aquela velha máxima de (sor)rir para não chorar? acho que não, tá mais pra "ah, se você me conhecesse, pensaria o contrário", vamos inverter as situações, trocar os papéis; mas afinal, eu que mergulhei num mundo novo, e enfim seria completamente natural, só que não. eu queria era tomar um picolé e uma soda italiana sabor cereja, porque tá difícil sobreviver nesse capitalismo selvagem

cena 1, tomada 1

[garoto sentado olhando para o céu através dos janelões. mulher de uns 40 anos digitando freneticamente. garoto avista um pássaro no canto superior direito. pássaro voa em círculos. pássaro mergulha, tornando-se maior e maior. pássaro quebra o vidro e carrega o garoto para o infinito.]