O tucano e a periquita.
A porta abria e fechava, e era um vai-e-vém de pessoas. Apesar disso, os dois estavam ali, aparentemente, ou realmente, alheios, completamente alheios da situação que se desenrolava ao lado. Eram o tucano e a periquita. Mas o importante dessa história não é o que o tucano e a periquita falavam um para o outro, o que talvez seja ininteligível, ou mesmo desinteressante, mas sim o que se assucedeu ali, naquele pequeno espaço a céu aberto chamado de área de fumantes de uma casa noturna. E que o tucano e a periquita viram e ouviram. Era o que se chamava de nada. Era nada que se passava entre todas aquelas pessoas, e coisas; nada se passava entre o bêbado e o segurança, ou entre o bêbado e a pedra portuguesa que rolava solta pelo chão, ou mesmo entre o tucano e a periquita, ou entre o sapo e a coruja, e enfim, entre Ele e Ela. Ele e Ela se encontraram no dia sabe-se-lá-quando, em sabe-se-lá-onde, e sabe-se lá como. Só se sabe que Ele e Ela tinham nada um pelo outro, e nada faziam. ...