deitado de bruços, sinto minha saúde cada vez mais tornando-se frágil, a ponto de rasgar a pele que recobre meu tórax, fazendo aparecer as costelas, os músculos e, ali dentro, meus pulmões, meu coração. a chuva cai sobre toda a casa, batendo incessante nas telhas de amianto, escorrendo pelas escadas, alagando o portão. respiro normalmente, mas também acredito que faço uma força exagerada para manter-me assim. nas minhas fantasias, um homem me propõe e me salva desse martírio que é ter de ficar deitado de bruços ouvindo a chuva lá fora cair, um tédio que me assola sem possibilidade de escape, tal qual uma cidade sitiada por um exército monstruoso e sanguinário nada tem a fazer a não ser esperar por alguma intervenção divina poderosa a seu favor. eu, contudo, também sei que essa fantasia não é nenhuma profecia, nenhum oráculo proferiu palavras nesse sentido; busco na minha memória, então, formas de sacralizar os desencontros da vida. de olhos fechados, um leve gingado desconcertado,...
primeiro dia no bretanha = destruição.
ResponderExcluireu tinha cinco anos, e nem foi traumático. pior foi o dia, nesse mesmo ano, que eu caí da gangorra. a garota fez de porpósito.
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