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Mostrando postagens de novembro, 2010

Como saber se você tem um stalker.

Olha, eu gostaria muito, e, na verdade, gostaria muito de saber se EU sou um stalker. Pode ser que sim, pode ser que não, mas por via das dúvidas... Afinal, o que é um stalker? Segundo professores de inglês, é uma pessoa que invade a privacidade dos coleguinhas, só por diversão, para descobrir muito mais informações que somente aquelas fornecidas de bom grado ou subentendidas nas entrelinhas. Nesses dias de hoje, em que compartilhamos muito de nossas vidas na internet, surge algo muito mais legal que bullying, cyberbullying ou assédio moral. Ou algo que possa mesclar características desses três., que é o stalkerismo. Afinal, você pode stalquear (aportuguesado, por favor) a vida de seus subrodinados ou coleguinhas só para assedía-los mais, ou então saber onde eles estão, o que fazem e ir atrás deles só para encher a porra do saco e do seu ego. Pois então, é muito simples: coloque uma informação em suas redes sociais que seja de fácil acesso para seu possível estalquer (ma...

High Hopes.

Eu devia ser menos sem-vergonha com as minhas promessas.

I need it.

Acho que fui stalkeado. Acho que gostei.

Como fazer um bolo de aniversário.

Rio de Janeiro, às vésperas de sexta-feira, a um mês do Natal. Fazia bastante tempo que eu não me sentia assim, com bastante medo. Acho que foi por volta das comemorações dos Ointenta anos da minha vó Olga, o que deve ter acontecido logo após eu ter ompletadouns dez anos. Naquela época, havia uma insegurança no ar, era um clima de insegurança máxima. Havia tiroteios todos os dias na Ilha, de manhã, tarde e noite.  Mesmo assim, as amigas da minha vó na ACM (Associação Cristã de Moços,  e moças, diga-se de passagem) marcaram uma festa surpresa para ela. E pediram a Lúcia que fizesse e confeitasse um bolo. Só não sei como falaram com a Lúcia; é engraçado pensar nessas coisas uns dez anos depois... A Lúcia fez um senhor bolo, grato, confeitado com glacê, branquinho. E foi embora. Eu e minha irmã ficamos a cargo do transporte do bolo da porta de casa ao carro da Cláudia, que era a amiga que nos levaria, eu, minha irmã e o bolo, à festa surpresa na ACM. Aqueles er...

Querido Tom 46 (Como embaralhar bem.)

Rio de Janeiro, há umas duas semanas. Querido Tom, Cortei o cabelo, e detestei. Quero uma sunga laranja.

Querido Tom 45 (Eu não matei minha mãe.)

Rio de Janeiro, algum dia da semana passada. Querido Tom,  Não sei o porquê, mas senti uma necessidade de voltar a escrever-te. Sei, sim: vi Harry Potter na sexta. Chorei por Hedwig, e Dobby. O filme é lindo, é fantástico. Gostaria muito de vê-lo novamente; vi o Enigma do Prícipe também, passava no AgáBêÓ.  Vi outro filme com aquela atriz da cara de passarinho, que sempre faz papéis secundários na tevelisão, a Ana Lúcia Torre. Nem sabia o nome dela, na verdade. Mas eu diria que a foto dela, abraçando o liquidificador no pôster do filme me conquistou. E a música assoviada também. E ela, louca, dançando ao assovio do liquidificador, perto das cenas finais foi a cereja do bolo. Agora mesmo, eu tenho vontade de ver o filme (Harry Potter) de novo, no cinema. E eu vi J'ai Tué Ma Mère, e tenho a leve impressão de já ter te contado isso. E de já ter dito que Xavier Dolan é ótimo. E que eu gostaria de ver o filme de novo, mas já saiu de cartaz. Por fim, até breve. ...

Querido Tom 44 (It's a nice place to be.)

Well, Tom, I'm like you. I'm different.

Querido Tom 43 (Feriados de Sábado.)

Querido Tom, O último feriado, dia de Zumbi dos Palmares, caiu sábado. É uma espécie de comemoração, ou lembrança, da luta do movimento negro aqui no país. Não participo ativamente, e nunca tinha visto nenhuma manifestação feita para esse dia. Na escola, era só mais um feriado. Eram pouquíssimos os alunos negros na minha escola. Na minha sala, não havia ninguém exatamente negro, eram mestiços. Na quinta-feira, enquanto comia meu lanche, a.k.a. bolo da Lúcia, e acompanhava as meninas até o Rio Sul, eu me encontrei, juntamente com elas, numa apresentação de dança afro. Elas prosseguiram, e eu fiquei. Havia uma banda, espécie de Olodum, com seus tambores e outros instrumentos de percussão, tocando. Enquanto tocavam, três moças dançavam. Vestiam vestidos de pano, simples, com corte bem feito, acima do joelho, mas não vulgar. Duas tinha lenços, a terceira tinha tirado o seu, também coloridos, no mesmo estampado que o vestido, graciosamente arrumados na cabeça. Dançavam...

Coisas de mulher.

Disca o número. A ligação cai na secretária: - Sua chamada está sendo encaminhada para a Caixa de Mensagens. Por favor, deixe sua mensagem após o bipe. Bipe. Acende um cigarro, e assiste à ponta queimar, cheirando a fumaça fétida que se espalha pelo ar. Olha as horas, impaciente; não se conforma de que ele ainda não retornou a ligação. Ela finge estar interessada na conversa, dando alguns palpites vez ou outra.  Ela apaga o cigarro nos braços do sofá. Olha as horas novamente. Suprime uma lágrima. Os olhos já estão vermelhos a essa altura. Parece que usou alguma coisa, ou seus olhos são sempre assim. Na verdade, olhos bem esquisitos ela tem, de lambisgóia, até se diria, coisa esquisita mesmo; dão a impressão de gente que não se leva a sério. Olhos rasgados. Levanta, anda até a janela. Põe a cabeça para fora; não há ninguém à vista, nenhuma alma que possa ser vista. O telefone toca. Ela corre para a bolsa, desesperada. Lógico. Era ele. Sorri, ao ouvir a voz....

Recife Frio.

Eu peguei o ônibus errado, talvez de propósito, para saber o quê a vida me aprontava, e tive que saltar no Passeio Público. Sempre quis visitar o Passeio. Mas essa não era a hora. Tinha acabado de sair do Estação Botafogo, e acabado de assistir a "Eu matei minha mãe". Xavier Dolan é fantástico; tive raiva, gostei, me apaixonei, quis bater nele, enfim, uma sucessão de vontades durante o filme. Ri um pouco também. Enfim, no Odeon estava em cartaz a última sessão do Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro, algo do tipo Curta Cinema, e era justamente a sessão dos vencedores da mostra brasileira de curtas. Não tenho muita tecnicidade para julgar os curtas, mas achei-os ruins, sem-graça, desinteressante. A pior coisa é ser desintessante. Um deles era desinteressante até meados da projeção. Era monótono também, a filmagem era parada; filmava-se uma rua e um posto de gasolina, enquanto vozes faziam-se ouvidas. A repetição de determinada parte da filmagem, e conseq...

Peitos fartos, filhos fortes.

Não sei precisar exatamente, mas após um tempo, quando chorava, em vez de gritar "Quero minha mãe", passei a fazer uso do "Quero minha vó", mesmo quando era minha vó quem me castigava. Engraçado; creio que minha irmã também fez isso. Na verdade, ela chorava menos que eu naquela época; sempre corria e se escafedia pelo quarto dela, sempre sem apanhar ou coisa parecida. Eu podia aqui escrever sobre as palmadas, mas não; só sei que as palmadas que eu levei quando criança não me tornaram um marginal, e tenho certeza que algumas pessoas por aí deviam levar umas bem dadas. Ou um beliscão torcido, diria minha vó, com um sotaque ainda resquicioso de São Paulo. Sempre convivi com pessoas mais velhas, há muitas delas em minha família. Minha vó Olga tinha quatro irmãs, e todos os meus primos dessa parte da família já eram adultos, talvez. Desde cedo, a velhice já era conhecida. Mas não queria escrever sobre palmadas e beliscões torcidos dados a caminho da ACM, nem...