arrastado pelos acontecimentos da semana
vesti minha camisa de seda verde floresta e saí do quarto. levava comigo o necessário para ir embora sem precisar voltar, se fosse o caso, até mesmo deixaria aquela roupa para lá. andei pela lapa, do bairro de fátima ao catete, o sol esquentava e a seda, apesar de leve, me fazia suar. passei no salão e marquei um horário. retornei a rua, caminhava sem rumo. pensei em comprar um livro. desisti. tinha comigo uma caneta, decidi então por comprar um cartão com a palavra SORTE em garrafais. sentei para um café, escrevi: nunca foi SORTE sempre foi chorei desnecessariamente. jamais enviei ou entreguei aquele cartão. reescrevi algumas vezes. colei as duas páginas e reescrevi no verso. não o enviei, mesmo assim. voltei ao salão, os olhos vermelhos de choro. disfarcei, como sempre, disfarcei muito bem e segui com as miudezas e pequenezas da vida. retornei o caminho, cabelo cortado, o calor opressivo do rio de janeiro me fazia suar cada vez mais. subi a nossa senhora de f...