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Mostrando postagens de setembro, 2019

água de colonia

passo um perfume que tenho há anos; a essa altura, todos os perfumes tem o mesmo cheiro, o de perfume já vencido. na infância eu lembro dos perfumes de minha vó, de minha mãe, todos com o mesmo cheiro forte, seco, todos os perfumes acabam por ficar com tons amadeirados, talvez? as minhas águas de colônias infantis também tinha esse mesmo cheiro. agora penso se já não as ganhava vencidas ou se na década de 90 era condição sine qua non que toda água de colônia tivesse esse cheirinho já de vencido, passado. então saio de casa, com esse cheirinho de quem já passou do tempo...

elevado do gasômetro

passo pelo elevado do gasômetro e vejo o navio pedra do sal - ancorado naquela parte abandonada do porto do rio de janeiro há tanto tempo que me pergunto se algum dia esse navio chegou a desbravar os mares deste planeta. faço esse trajeto há pelo menos dez anos. os últimos doze meses foram que nem fósforo ardendo em ventania: mal vimos, a chama já se apagou. tudo muito breve. cheguei à conclusão de que sou um poema ruim, poesia porca e baixa, mal rimada, ofensiva e agressiva. quis dormir abraçado mas não tinha ninguém. ninguém humano, sub-humano, sobre-humano. uma gata aninhada em minhas pernas, outra em meus pés.  no domingo dividi minha cama, foi uma conchinha boa que me lembrou outra longeva no tempo, mas não era a mesma coisa. mas como sou um poema ruim, me contive e tentei não pensar em nada que me remetesse àquilo de antes. o velho que nada de novo traz, nada de novo trouxe. do abuso, fiz carinho. do esquecimento, fiz espera. do que tinha em mim, deixei e...