tristeza e a melancolia
354 mil sílabas se perdem no caminho entre o céu da boca e o nariz, enchendo todo o vazio da minha cavidade oral com palavras não ditas. sigo querendo tentando não podendo recitar nem meio poema, suspensos no ar estão meus desejos e também tudo aquilo que podemos ser.
(existe futuro ainda?)
acordei pensando em ti, como se resolvesse só buscar saídas novas para velhos problemas. que diferença faz se eu falasse? tudo se repetiu de novo, me vi de novo dilacerado, destroçado; você, de novo, nem coragem teve, só colocou a cara no grindr, dentre outras coisas mais.
(era tudo para me atingir?)
vago pelos dias como se nem me mexesse, vez ou outra abro uma cerveja, uma garrafa de vinho. rio com amigos, beijos noutros lábios. eu amo dar selinhos, mas que falta faz, ah! eu daria mais beijinhos do que há peixes no mar... e ainda assim, de que me adiantaria? a expectativa do conflito, do confronto, a surdez, a falta de percepção do outro ali, eu me ausentando cada vez mais de mim para tentar me misturar ao que seríamos nós dois.
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