(no escuro) todos os gatos sao bonitos

passo pela rua e venho andando apressado. olho para o portal da lojinha de eletrônicos e lá está de novo o gatinho de pelo amarelado. me aproximo dele como que para fazer carinho, e o gatinho emite um miado inaudível talvez pelo trânsito  intenso talvez por estar doente.

olho bem o gato e reparo nos olhos avermelhados como que inflamados, um novo miado tão surdo quanto o anterior. o gato me toca de uma forma que não sei explicar, aquela cara felina, cheia de graça e maravilha como so um felino sabe ser mesmo quando doente e moribundo.

aproximo a mão do gato amarelo, os pelos cujo aspecto péssimo nao atraem carícias nem carinhos mas que so a proximidade de meus dedos é suficiente para despertar daquele rostinho angelical a mais genuína felicidade.

choro. choro na rua pelo gato amarelo, choro por mim.

choro.

deixei pra trás o gato amarelo, largado a própria sorte, assim como estamos nós mesmos à deriva , esbarrando-nos uns com os outros na busca individual do que é o nosso amor.

sigo, ainda, chorando.

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