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Mostrando postagens de março, 2017

das desculpas esfarrapadas e de como farejo o futuro que nos aguarda

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[ ouço o piano elétrico tocar no meio da balbúrdia de instrumentos] eu devia ter escrito isso há um ano atrás, ou quase um ano atrás. há um ano atrás, exatamente, eu estava de férias na bahia, tal qual minha vó Olga em algum ano da década de 50 ou 60. diferente da minha vó Olga, eu não levei nenhum caderninho para fazer de diário de viagem... mas fato é que eu devia ter escrito há quase um ano atrás, devia ter-lhe dito já desde o início, relatar esse início errado e torto que eu produzi; que eu causei, impus, tracei como meta, como destino e que logo quis reordenar e mudar, por capricho meu, capricho do kleber - kleber, aquele safado & cretino galanteador barato que me faz cometer algumas loucurinhas e levar essa vida em frente. pois que eu na mesma hora recobrei os sentidos e naquela caminhada no corredor aberto, frio, de paralelepípedos e muros recobertos por plantas, tentei: cê tá chateado? desculpa. o que mais me doeu, que mais me roeu foi a porrada na boca do e...

é preguiça ou ansiedade isso aqui que sinto entre os pulmões?

QUEM DORME SONHA QUEM TRABALHA CONQUISTA sinto uma câimbra, novamente, sexta-feira à noite. disfarço o desconforto, o novo desconforto. passei a noite com a perna esquerda recostada junto a perna de outra pessoa, de um desconhecido, e se eu estivesse noutro dia, em algum outro dia pior que o que estou hoje, pensaria que houve algo mais naquele leve roçar e encostar pernas.  ou como também houve algo mais naquele olhar absorto e vidrado. eu não me acostumo com olhares vidrados e perdidos, prefiro os que tem alguma emoção, menor que seja. o olhar vidrado que tudo reflete, inclusive a aparência que eu, naquele momento, desconfortável gostaria de disfarçar. desconfortável, mas feliz. quarta-feira, dentro de um ônibus da linha 634 , altura da vila do joão, uma jovem mulher sobe pela porta de trás e distribui caixinhas de bala Mentos, junto de um papel com uma mensagem "quem dorme sonha quem trabalha conquista". ela tem o semblante cansado. não fala nada. outros ...

quem foi dandara dos santos

eu não sei quantos minutos levou para dandara dos santos morrer . talvez menos tempo que eu levei processando, vendo as fotos, absorvendo tudo isso que correu o brasil (ainda que insuficientemente). o tempo que eu levei chorando a morte de dandara. naquela hora, dandara perguntava "cadê a minha mãe? eu quero a minha mãe" -  e a mãe lá não estava, como na infância em que [eu] [nós] [qualquer um indefeso] clamava por mãe nalgum momento de infortúnio, infelicidade, tristeza. mas não prestes a morrer. teria dandara destino diferente? diferente da morte filmada, televizada, viralizada na internet das coisas que se tornou o brasil? ela, dandara dos santos, travesti cearense, da periferia, ela que tentou a vida no sudeste, tal qual outros milhões de migrantes, e retornou a sua terra: o desejo do brasileiro medíocre do sudeste, que os nordestinos voltem para o nordeste... como se possuíssem aquele espaço geográfico, donos daquilo que disseram construir. às custas de que, de ...