a metrópole não me responde

o sol entra pela janela do ônibus. a sucessão de paisagens me deixa atônito, perdido: a metrópole é feia, suja, fedida. o oceano parece não ter fim, mas eu já não vejo isso - a camada de poluição no horizonte torna qualquer pôr-do-sol um espetáculo rosa-plúmbeo, ou cinza-rosado. O ônibus passeia por sobre as águas e eu venho pensado.

tento me conter, mas penso (em ti). dos auto-falantes, sai uma voz que canta sobre não se sentir mais triste, não mais. blue. logo imagino a cena que seria se o ônibus parasse num sinal e eu te visse, caminhando. mas o ônibus não para. eu não te vejo, não verei.




se visse, não consigo imaginar a reação - a sua, a minha. não sou bom em imaginar as coisas, diálogos. são sempre monólogos. a história é feita de mim e por mim, eu sempre, falando, sozinho, sem respostas, sem retorno. eu, enfim. o máximo que pensei foi eu, altivo, apenas por estar dentro do ônibus, no banco mais alto, te olhando abaixo.



eu, no fim, sozinho. 

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