da família paterna

Eventualmente me surge na mente o que talvez seja a mais antiga lembrança que tenho. Na escadas da casa velha, a vó l. me segura no colo. Eu choro muito, grito esperneio. Ela aponta um avião no céu. Acalmo. Ouço as palavras "olha lá sua mãe mandando beijo". Minha mãe era comissária.

Aeromoça.

Sobre a tia m. eu não tenho muitas lembranças. Na minha imaginação ela fuma, muito. Fica parada numa cozinha em Mangaratiba, em Niterói ou na ilha, fumando. Os cabelos pretos, pretíssimos, soltos, um ar meio Gal tropicalista perdida nos confins dos subúrbios da metrópole.

Também vem tia m. a minha mente, pegando uma folha de pata de vaca colocando entre as palmas das mãos e então batendo. Emite um som interessante que me faz pedir que faça de novo.

Peço pra fazer de novo.

Tio c. não me vem muito à cabeça, talvez seja porque minhas referências são majoritariamente femininas. Não conheço sua esposa e eles são casados desde sempre. Não vejo seu filho, meu primo, há séculos. 

Lembro do fusca,  porém. É essa a lembrança e é essa referencia: o fusca do tio c. - que não me recordo se era azul, verde, amarelo. lembro do fusca vindo pela curva, no aeroporto do galeão. fazia sol e calor, mas vinha o fusca e era só isso que importava.

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