no se puede predecir el futuro sin tocar la hierba

o casaco de pele de mamãe sempre me fascinou; diversas vezes estive a ponto de tirá-lo do armário e colocá-lo sobre meus ombros. é aquilo um casaco mesmo, ou algum tipo de echarpe, xale? ou estola? essa é uma palavra boa. 

quando era dia de festa, aqui em casa, colocava-se uma manta de pelo, bem peluda. era boa de deitar. ficava ali, mesmo no calor tropical. a luz do sol entrava pela janela, o suor escorria. fazia como aquelas cenas de filme, diminuto, ali, balançando os braços e pernas por sobre a cama, penteando os fios daquela pele.

***
ventanas cerradas
***
eu acordei no meio da noite, um grito entalado na garganta. não me parecia bom que esses sonhos tivessem voltado; do contrário, me parecia que fossem ruins, horrorosos. abri os olhos e nada parecia anormal, para além da escuridão que eu enxergava. ali, na cama ao lado, naquele canto em que já dormi eu, não estava vó olga, como no sonho, mas a lúcia, a roncar. 

tentei lembrar de um dos sonhos, especificamente de um que já havia aparecido. será o sonho alguma forma de previsão? ou somente parte dos delírios que são nossas realidades? me perdi ali, ainda aflito no grito sonhado, naquele garoto que se aproximava e no grito preso na boca.

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