no te vayas si te vas

"e nem meu namorado é!"; ainda esperei alguns minutos para levantar. estava bêbado por demais, logicamente que nunca falaria isso, assim, em alto e bom som. (ou não falaria de novo). saí pela calçada e olhei a volta, sozinho. como sempre, claro. perdido. 

sozinho.

vaguei um instante por aquelas calçadas, antes de decidir atravessar a rua e ter a péssima ideia de comer um x-burguer. pensei em como falei muitas besteiras naquela noite e como eu decidia que poderia ser a última vez (de falar tantas besteiras). em como poderia ser, na verdade, definitivamente a última vez (para tudo, para te ver).

que reação foi aquela, de ordenar e sair, como se eu fosse uma ovelha a ser pastoreada. sentei e pedi o sanduíche. comi devagar. ainda paquerei alguém. bêbado demais para paquerar, descabelado, os óculos quebrados.

bateu um arrependimento e eu liguei, saí andando pela rua (logo após comer). não te achei, liguei, nada. o telefone tocou, e eu te vi no ponto. fizemos que nada aconteceu (porque, de fato, nada aconteceu).

(nada aconteceu)

liguei de novo. tava sol. não entendi muita coisa, apenas o "não"; o sol me deixava aflito, eu estava aflito. life is tough, eu me exaspero - desligo o telefone, já sem ouvir nada, sem ter certeza que a ligação foi encerrada. concentro na música que sai dos fones, concentro na paisagem do rio de janeiro, que já me entedia.

eis que, novamente, decido novamente poderia ser a última vez (eu já disse isso antes, bêbado); em como daqui a seis meses, um ano, tudo será tão diferente que terá sido, de fato a última vez. em como eu gostaria de ir para berlim e somente enviar um postal, espécie de amélie poulain ao contrário (não me encontre - as pessoas ainda usam amélie como referência?). em como o poder de "silenciar conversa / arquivar" vai mudar tudo.

queria desejar boa sorte, boa vida (ou outra coisa, mais explícita), mas já não consigo. a ligação caiu e eu me perdi por aqui, nos meus pensamentos.

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